quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

A passagem da tristeza

Último dia do ano. Mais um ano! Parece que nem vi seus dias passando, suas horas correndo velozes. Como dizia Cazuza, o tempo não pára. Aliás, quem foi que inventou o tempo, hein? Acordei triste hoje. Fui trabalhar com uma certa nostalgia na alma...
Seria muito egoísmo de minha parte pedir que o tempo parasse? Quando a pessoa que a gente mais ama tem Alzheimer, desejaria que este tempo ingrato não existisse. Às vezes penso que seria bom ver os ponteiros do relógio parados, só para não continuar vendo a doença progredir a cada dia. É muito difícil observar que nos últimos meses ele mergulha mais no universo estranho e confuso dele. Qualquer simples frase já não tem sentido (quando ele consegue pronunciá-las).
Estava adiando para escrever sobre isso. Afinal, falo muito pouco sobre o Alzheimer com outras pessoas. Escrever é meu melhor desabafo e não incomodo ninguém. Parece que vou esvaziando o coração e depositando palavras nesse meu cantinho externo que (eu acho) poucos têm acesso.
No dia do meu aniversário, em novembro, postei apenas as coisas boas que aconteceram. Resolvi que não iria citar o episódio que envolvia meu pai. Fomos jantar numa pizzaria e, na volta, ele não reconheceu a nossa casa. Não queria descer do carro. Foi a primeira vez que deixou de reconhecer uma coisa tão sua. Percebi que seus olhos estavam totalmente perdidos, correndo de um lado para outro, tentando localizar algo que o fizesse lembrar do cenário que ele mesmo construiu. Também não lembrou que era meu aniversário e nem se importou em me dar presente - coisa que ele nunca fez antes. Sempre pedia para minha mãe comprar algo para mim.
Daqui a 13 dias ele completa 64 anos. Meu Deus, é tão jovem ainda! Como pode piorar desse jeito em tão pouco tempo? Já tentei compreender, busquei motivos, razões, causas científicas... Nada me conforta ou ampara. Às vezes me digo conformada, mas vejo que ainda não superei. Essa doença é cruel demais! Tira a pessoa aos poucos da gente; faz com que ela vá desaparecendo dentro de si mesma, feito um eclipse atingindo paulatinamente o cérebro. Ele já não entende nada do que dizemos. Não absorve uma palavra. Seus ouvidos são como vento forte, levando para longe tudo o que foi aprendido.
Tento disfarçar a tristeza para minha mãe não desmoronar de vez, mas acho que também tenho direito de, pelo menos neste último dia do ano, derrubar lágrimas, transbordar o choro, lavar a alma. Estou com o coração em pedaços e minha fragilidade nem está me incomodando. Preciso de solidão hoje. Quero ficar com a minha dor e apenas chorar.
Que 2009 traga força e saúde à minha família! É só o que peço. E que a tristeza passe veloz neste Ano Novo, como sempre foram as horas...

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Pés no chão e cabeça voando...

Jundiaí, 29 de dezembro. 7 horas da manhã. Quando o despertador do meu celular tocou, fiquei feliz por saber que veria o mar mais um dia. Abri os olhos e vi a estante de livros em meu quarto. Estava em casa. E não era pesadelo. Angra ficou para trás e eu precisava levantar da cama para voltar ao trabalho. Aghhhrrr! Ninguém merece. Pior foi acordar às 7h, desfazer a mala, e lembrar que minha chefe havia mudado meu horário na semana passada. Portanto, hoje, eu entrava às 15h. Voltei a dormir. Sonhei com mais uns pedacinhos de Angra...
Praia Vermelha
Praia da Vila Histórica de Mambucaba, com chuva, mas alguma cor havia...

Natal sem ceia

Um degradê mágico misturando água, areia, cores.
Olha eu aí!
Diário de bordo. 6h15 da manhã, 24 de dezembro de 2008. Acabei de desembarcar a mala na pousada de Angra, sob um céu indescritivelmente vermelho. A imensidão sobre minha cabeça era pincelada pelos primeiros raios de sol, que zarpavam pelas frestas das nuvens e se lançavam ao mar. Dava pra ver uma fileira de golfinhos na água, deslizando sem pressa pela ilha, como se estivessem brincando de costurar a água. Já dizia a música, beautiful day!
Respirando. Longe de casa, do trabalho, do estresse. À primeira vista, apenas coqueiros, mar, um barquinho solitário, a serra, as ilhas... São 365 ilhas em Angra. O sol aparecera em instantes, fazendo um convite ao passeio. O transporte? Uma escuna. E lá foi ela, mar adentro, cheia de pessoas e olhares atentos ao verde das águas. O termômetro marcava 36 graus. Perfect day, eu diria. Passei o dia em alto mar, descendo e subindo pela escada da escuna, molhando e secando o corpo, penteando e despenteando o cabelo, escondendo e torrando ao sol. Impossível fugir dele!
Fim de tarde. 'O barquinho vai, a tardinha cai'. Estou de volta à pousada e minha amiga lembra da ceia de Natal. Bate o desespero. Tudo fechado. Nada comestível nas malas. Estávamos a 40 quilômetros do centro de Angra - equivalente à distância entre Jundiaí e Campinas. Por volta das 20h começa a peregrinação, em busca de um prato de comida. Fomos a todos os lugares possíveis. Até mesmo na casa de uma senhora que prepara marmitex e mora ao lado da pousada. Não. Ela não quis vender nenhuma 'quentinha' na noite de Natal. Esgotadas, nos rendemos às bolachas recheadas do frigobar e brindamos (saúde!) com coca-cola.
No ônibus. Pela primeira vez este ano andei de ônibus. Aliás, há quanto tempo eu não andava no transporte público!? Sei lá. Fazia um bom tempo. Lá em Angra posso dizer que andei mais que nos últimos anos e conheci transportes diferentes, com tarifas também diferentes: R$ 2,10, R$ 2,85, R$ 3,95... Mas, enfim, na véspera de Natal eu estava dentro de um desses 'circulares' e fiquei pasma com a quantidade de gente que subia no ônibus sem dinheiro para pagar a passagem. O cobrador fazia descer. Puxa vida. Era noite de Natal! Essas pessoas deviam estar indo para alguma ceia, sem dinheiro e, agora, sem transporte. Pensei nelas enquanto comia algumas bolachas recheadas. E nem reclamei da minha ceia!
O verde das águas...
Os primeiros raios de luz
Faltou luz, mas era dia... 6h15

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Vento no litoral

( Fiz essa foto na Ilha Bela / Revéillon 2007-2008)
Legião Urbana Composição: Renato Russo
De tarde quero descansar Chegar até a praia e ver Se o vento ainda esta forte E vai ser bom subir nas pedras Sei que faço isso pra esquecer Eu deixo a onda me acertar E o vento vai levando Tudo embora... Agora está tão longe Ver a linha do horizonte me distrai Dos nossos planos é que tenho mais saudade Quando olhávamos juntos Na mesma direção Aonde está você agora Além de aqui dentro de mim... Agimos certo sem querer Foi só o tempo que errou Vai ser difícil sem você Porque você esta comigo O tempo todo E quando vejo o mar Existe algo que diz Que a vida continua E se entregar é uma bobagem... Já que você não está aqui O que posso fazer É cuidar de mim Quero ser feliz ao menos, Lembra que o plano Era ficarmos bem... Eieieieiei! Olha só o que eu achei Cavalos-marinhos... Sei que faço isso Pra esquecer Eu deixo a onda me acertar E o vento vai levando Tudo embora...

domingo, 21 de dezembro de 2008

Sticky & Sweet Tour

Foto tirada minutos antes do show, iniciado com Candy Shop.
Pronto. Agora tenho no currículo um grande show. Quando as luzes do Estádio do Morumbi se apagaram e o palco lançou seus refletores coloridos sobre o céu de São Paulo, Madonna brilhava como uma estrela e o público delirava. Foi de arrepiar! Mais que isso, foi sensacional, como descreveu minha amiga Vitória, que dançou o tempo todo. Nem sou tão fã de Madonna, mas sonhava assistir um mega-espetáculo. Fiquei mais do que satisfeita. A energia da popstar é contagiante, assim como o som, mesclando canções novas e velhas. "Sticky & Sweet Tour" trouxe roupagem diferenciada às músicas de Madonna, transitando por ritmos diferentes e coreografias impressionantes. O próprio palco já era um show. Tivemos de comprar binóculo para não perdermos um só minuto. Enfim, faltam-me adjetivos para descrever o show. Valeu cada centavo, cada instante, cada música. Foi demais!!! Só não entendo por que, até hoje, nunca me interessei em ver um espetáculo desses de perto. Life is a mistery...

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Isso não é uma mensagem

Não é segredo. Já disse algumas vezes aqui no blog mesmo: não gosto de Natal. Estou até irritada com a porção de mensagens natalinas abarrotando minha caixa de mensagens. Gente que nem conheço me manda cartão de Natal pela internet! Uns mais criativos, outros sem qualquer imaginação e outros simplesmente tradicionais, repetitivos. Tá, tudo bem, não estou mal humorada. Só precisava desabafar. Pronto, acho mesmo um porre as mensagens de Natal. É isso.
Nessa época do ano é costume do brasileiro (aliás, de qualquer ser terreno) enviar uma mensagenzinha qualquer. Mas por e-mail? Ah, não tenho paciência. Desculpe, se me mandar uma dessas vou deletar, sem abrir. Tá, vou espiar, admito. Mas vou apagar depois. Esse é o destino das mensagens virtuais.
Hoje fui ao Correio e mandei quatro cartões de Natal. Na semana passada, dois. Puxa, quer coisa mais legal do que receber, em mãos, um pedaço de papel escrito por uma pessoa que durante alguns minutos se dedicou a escrever para você e teve o trabalho de postar no Correio? Pode ser uma prática obsoleta, mas eu ainda gosto e acho bastante intimista.
De qualquer modo, não fique esperando uma mensagem de Natal neste blog, ok? Aliás, no Natal estarei vendo o mar de Angra dos Reis, da janela de uma pousada, em frente ao oceano... Estou contando os dias!!! Me lembrarei, sim, do menino Jesus (hei, não sou cética!) e agradecerei por todas as mensagens que eu li e até as que eu não li. Só não fique mesmo aguardando algumas linhas neste sentido. O máximo que direi é 'bom fim de ano'. E para não ser tão chata, Feliz Natal!

O romance de Edward Cullen

Há exatos 20 minutos teve início, nas salas de cinema do Brasil, o filme "Crepúsculo". Para quem não leu o livro, da Stephenie Meyer, que já é considerada uma das cem pessoas mais influentes do mundo, o título pode não significar nada. Já para quem leu... Não aguentei esperar pela estréia, hoje, e fui à pré-estreia, ontem. Como diz minha amiga Bel Bueno, 'nenhum romance será mais o mesmo depois de Edward Cullen'. Tem razão! Devemos reconhecer: o filme já é a maior bilheteria do ano nos Estados Unidos e, o livro, o mais vendido no Brasil.
Edward Cullen é o vampiro bonzinho da história, de beleza estonteante e olhar envolvente (bota envolvente nisso!), que se apaixona por Bella, mera mortal, e vive um amor (im)possível. Os dois têm 17 anos - embora ele tenha nascido em 1908, sabe como são as histórias de vampiros - e, talvez por este fato, o cinema estava repleto de adolescentes, ansiosíssimas para ver o protagonista. Leia o livro e vai saber porquê. Bom, devo confessar que eu também estava eufórica, desde a hora que acordei ontem, pois sabia que veria o Edward à noite. Não era a única, claro. Minhas cinco amigas que sentaram ao meu lado no cinema tinham a mesma sensação. Um filme só para mulheres? Eu diria que em partes, pois retrata a história de um amor mágico, puro, incomparável, um amor de sonhos e desejos. Se você for um homem romântico, tenho certeza que irá gostar. Mas recomendo a leitura do livro, infinitamente melhor que o filme, com muito mais riqueza de detalhes. É simplesmente apaixonante e minha imaginação é muito melhor! A trilogia da, agora, bilionária Stephenie, ainda segue com "Lua Nova" e "Eclipse" - este, a ser lançado em 15 de janeiro. Já estou roendo os dedos!
É... voltei a ser uma adolescente, mas qual mulher não gostaria de ter ao seu lado um homem lindo, gentil, forte e... perigosamente perturbador, principalmente quando beija seu pescoço?

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Casos e causos

Foto feita pela Cris Hautz, em pauta na Câmara Municipal.
(Bom lugar para um nariz de palhaço, não acha?).
Neste dia juro que não tropecei!
Interessante observar como grande parte das pessoas tem medo de jornalistas. Entre ontem e hoje entrevistei três prefeitos da Região e todos parecem recepcionar a imprensa com sete pedras nas mãos. Depois do 'bom dia' seco e objetivo do prefeiturável de hoje, a conversa fluiu bem, o bate-papo sobre as expectativas para 2009 transcorreu tranquilamente, até o momento em que o fotógrafo pediu para o chefe do Executivo ajeitar a bandeira do Brasil em sua sala. Meu Deus, como ele suava! E nem estava calor pela manhã... A situação foi engraçada. Sorri por dentro. A expressão dele era de quem suspira: 'que bom, já acabou a entrevista'.
Ontem, foi minha vez de interpretar a 'jornalista atrapalhada' - não consigo imaginar como alguém pode ter medo de mim. Enquanto caminhava em direção ao 'prefeito do dia' para cumprimentá-lo, levei um escorregão e quase fui amparada pelo próprio prefeito! Acho que desta vez ele sorriu por dentro. Porém, a cena mais cômica envolvendo prefeituráveis ocorreu na posse de 2005, quando um deles resolveu marcar coletiva. Pra variar, eu e o fotógrafo chegamos atrasados e, enquanto eu passava em frente à mesa do prefeito (a entrevista já tinha começado), levei um tropeção daqueles! Caí sobre as cadeiras da sala e simplesmente interrompi qualquer raciocínio do prefeito, que pediu para eu tomar cuidado (não sei se comigo ou com as cadeiras...) Após voltar à minha cor natural, sentei-me quietinha ao lado do fotógrafo e, em alguns instantes, uma pilha da máquina fotográfica explodiu (nem me pergunte como!). Novamente a coletiva era interrompida e eu me segurei para não ter uma daquelas deliciosas crises de riso. Foi um dia pra ficar na história. Me lembro de voltar para o jornal, já dentro do carro, com dor de estômago, de tantas gargalhadas.
Sem contar o dia em que fui escalada para ir ao cemitério de Campo Limpo Paulista porque um defunto havia caído do caixão enquanto era enterrado... E não é que o morto estava pelado? Bom, não vamos brincar com o sofrimento alheio. Segure o riso, por favor. Mas eu juro que isso aconteceu!!! O 'causo' foi publicado no Jornal de Jundiaí há alguns anos. Interessante mesmo foi tentar ouvir a empresa que fabricou a urna quebrada e adquirida pela família do morto. O homem esbravejava exatamente assim, do outro lado da linha: "venha subir em cima dos meus caixões para ver se eles quebram!".
Peraí, eu peso só 55 quilos. Não precisava tanto, né? Mas eu quase morri de dar risada. E o dono da funerária quase me matou de verdade.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Mudança de DNA. Temporária?

Felicidade, um estado de espírito que deveria durar para sempre. Estava pensando sobre isso hoje mesmo, quando terminei de ler "Crespúsculo" - acelerei a leitura para ver a estréia do filme na próxima semana, no Brasil. Assim como a mocinha da história, Isabella Swan, sou mal humorada com certa freqüência (só mesmo meus amigos não acham!). Mas peraí, eu também tenho direito, certo? Era isso o que minha terapeuta dizia, quando eu achava que estava errada por ficar com raiva de alguém ou alguma coisa. Parece que a ouço dizendo... Ultimamente tenho andado tão feliz que até me estranho. Mergulhei nas últimas semanas em leitura e dança. Difícil dizer qual paixão vem primeiro. Devorei "A Cabana", "Gula - O Clube dos Anjos" (do Veríssimo), "Crepúsculo" e outros títulos que estão me deixando compulsiva. Já está na mira "A menina que roubava livros" e em breve vou começar a virar suas páginas.
Como disse outro dia, nunca gostei de fim de ano. Mas este, excepcionalmente, me embeveceu. Programei coisas legais para fazer até o Natal e, com certeza, isso decifra o meu espírito.
O que tem a ver a dança com tudo isso? Ah, foi a melhor escolha deste ano e tem sido a responsável por animar minhas semanas. Nos últimos dias, uma dose excessiva de passos explodiu emoções em cada pedacinho meu. Se pudesse, largava tudo para dançar no ritmo de uma música que nunca teria fim... A vida é curta demais para ser levada a sério!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Um beijo roubado

"Demorei um ano para voltar ao mesmo lugar e atravessar aquela rua. Mas valeu a pena, pois tudo depende de quem está te esperando do outro lado". O fim é só o começo. E por que será que a gente tem de esperar até o fim? Essa foi a mensagem que absorvi no filme "Um beijo roubado", que acabo de ver, por indicação de duas amigas. Já tinha lido sobre ele, sobre o excesso de cenas em câmera lenta, sobre a participação de Norah Jones, sobre a trilha sonora (belíssima!)... Enfim, é bacana, mostra sentimento, desmistifica o universo (tão similar) de cada um. Mas acho que fui com 'muita sede ao pote' e esperava mais. Talvez estivesse menos sensível hoje, ou simplesmente faltaram chaves para abrir meu coração. Não, acho que não foi isso. Não me identifiquei com a história das chaves no filme porque, na verdade, as portas de minha alma estão destrancadas. Ultimamente estão tão feliz que nem sei explicar! Num outro dia, 'Um beijo roubado' teria me feito chorar. Hoje, não.

sábado, 29 de novembro de 2008

Nada e tudo

Triste perceber que não significou nada Nada, para mim, era tudo Pra você, qualquer coisa.
Ter e não ter eram a mesma soma
Resultava em zero à esquerda
Fiquei com raiva da sua indiferença
Do seu olhar desviado
Quiçá envergonhado
Tive aflitação ao observá-lo distante
Eu também estava com vergonha
Mas apenas de mim.
Você está sozinho, assim como eu
Com a minha solidão que me preenche
Me faz buscar a mim mesma.
A diferença é que a solidão veste o seu rosto
Decifra a sua expressão
Grita em seu interior melancólico
Superei a perda
E descobri que não perdi nada
Daquele 'tudo' que só fantasiei.
Na verdade, o que você tem?
Um olhar que não é seu
Palavras prontas, infames
Sorriso falso, tristeza.
Estou feliz por não estar ao seu lado
E ser cúmplice de tudo isso,
De uma vida banal e sem graça.

Same Mistake

O mesmo erro
Vi o mundo revirando em meus lençóis
E, mais uma vez, não consigo dormir
Saio porta fora e subo a rua,
Olho as estrelas sob os meus pés
Relembro coisas certas que eu transformei em erradas
E aqui vou eu
Olá, olá! Não há lugar onde eu não possa ir.
Minha mente está confusa mas meu coração está acabado.
Consegue ver?
Perdi o rastro que me guiou, então assim continuo.
Assim, enviei alguns homens à luta,
e um voltou morto à noite,
dizendo que vira meu inimigo.
Disse que parecia comigo.
Então tomei as mágoas e aqui vou eu.
Não estou pedindo uma segunda chance,
Estou gritando com toda a força da minha voz
Me dê razão, mas não me dê escolha,
Porque eu cometerei o mesmo erro outra vez,
E talvez um dia nós nos encontremos
E talvez possamos conversar e não apenas falar
Não acredite nas promessas porque
Não há promessas que eu cumpra,
E minha culpa me inquieta
Assim aqui vou eu
Uh, uh, uh, uh, uh, uh
Tradução da música Same Mistake, de James Blunt

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Vida louca. Vida breve.

Fui trabalhar bem humorada e disposta hoje - coisa rara ultimamente. Ando estressada com o jornalismo, com tudo. Abri o jornal logo pela manhã e a manchete dizia que um aposentado havia estuprado uma senhora de 89 anos. Sim, isso mesmo, 89 anos, quase 90. Fim do mundo? Não, não. A notícia é nessa pequena Jundiaí, que já foi considerada pacata um dia. Momentos depois cheguei à redação do jornal e tive de repercutir a mesma notícia, falando com juiz, delegado, investigador... Enfim, passei o dia atrás da história e descobri mais vítimas, também da terceira idade.
Caramba, só agora, depois de todo o sufoco do jornalismo, consigo deglutir com dificuldade o que aconteceu e fico pasma como a gente acha tudo "normal" diante de tanta notícia ruim. Mas meu Deus, uma mulher de 89 anos??? Estuprada por um homem de 60??? O ser humano tá ficando louco e vem sendo acometido por uma doença que não tem nome. Temo que essa loucura se torne epidemia se não cuidarmos disso tudo com urgência. A Justiça tem de ser feita por aqui mesmo. Não adianta morrer para esperar a tal Justiça Divina. Podia ser minha avó a mulher estuprada, ou a sua. Já pensou nisso?

Onde estarei?

Tem hora que queria deixar de escrever
Abandonar as letras, as palavras
Mas elas não me deixam
Povoam minha mente um milhão de vezes
Minuto após minuto
Difícil parar de pensar por um momento
Descansar o cérebro...
Será que alguém já conseguiu tal façanha?
Só por um instante eu queria ficar neutra
Encontrar meu verdadeiro eu
Me observar de fora
E analisar esta mulher que agora mesmo
Está pensando, escrevendo...
Preciso encontrar minha sombra
Perdida há algum tempo, em algum lugar
Quero acertar os ponteiros do relógio vital
E marcar encontro com algo que faça sentido.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

O Som do Coração

O assobio do vento, o chamado da sirene, a nota musical produzida por um prego, os passos apressados de pessoas caminhando no meio do caos, o coração vibrando mil vezes por minuto... Coisas simples, talvez banais, não passaram despercebidas no filme "O Som do Coração", um dos mais tocantes que me lembro de ter visto em toda a vida. Faz o coração realmente pulsar mais forte. A trama conta a história de um garoto chamado August Rush - aliás, este é o nome original do filme americano, dirigido por Kirsten Sheridan -, filho de um encontro casual entre Louis, um guitarrista de rock e Lyla, uma violoncelista clássica. Ele cresceu em um orfanato com a determinação de um dia encontrar seus pais, que viveram uma linda história de amor. Dono de um talento musical impressionante, o 'little boy' começa a se apresentar nas ruas de Nova York sob o olhar atento de dezenas de pessoas. É simplesmente surpreendente como a história, embora tenha um final previsto, ensine a tocar com o coração. Para quem gosta de música, é uma ótima indicação! A gente percebe que até mesmo o barulho das teclas, enquanto redigimos um texto como este, formam música. Mas só para quem está atento à vida!

Coisas boas de um aniversário

Acordei com 32 anos sábado, com uma dor de cabeça que eu não merecia. Não bastasse a dor, logo cedo dei mal jeito no pescoço e travei totalmente. Mas nada conseguiu abalar as coisas boas do meu particular ano novo. O primeiro presente chegou um dia antes. Veio de uma pessoa que pouco conheço, mas que sempre me surpreende. Era um CD com a gravação de um programa de rádio em minha homenagem. Pelo terceiro ano consecutivo o apresentador Odair Cantamessa, da Rádio Difusora, me presenteia desta doce forma. Numa mistura que congrega música, poesia e literatura, lá está a Paula, retratada em versos e prosa. Que belo presente! Nem sei se mereço tanto. Junto com o embrulho estava uma carta da escritora e poetisa Yole Antiqueira, querendo me ofertar as coisas mais lindas do universo: o brilho das estrelas, a claridade do luar, o calor do sol ardente e a suavidade do mar. E continuou a listar: a beleza da rosa, o cantar do pássaro, a alegria da criança... Fiquei emocionada.
Já nos primeiros minutos da minha nova idade, recebi um telefonema especial. A voz macia como pêssego me fez companhia durante uma hora e meia, ao telefone. Embora estivesse longe, foi como se ficasse ao meu lado nos primeiros 90 minutos do meu aniversário. Adorei!!! Presentaço na madrugada. Se você estiver lendo esta página, saiba que me fez muito feliz, querido.
Minha melhor amiga estava no Espírito Santo, mas me mandou uma mensagem à meia-noite. Que fofa! Não me senti só, embora ela tenha feito muita falta.
As pessoas se acostumaram ao Orkut, então, recebi poucos telefonemas e muitos recados na minha página da internet, onde guardei mensagens lindas, de amigos distantes e outros bem próximos. O tempo ainda me presenteou com uma leve chuva, garoa de fim de tarde. Imaginei gotas de um suave perfume molhando delicadamente a janela do meu quarto e inundando o ambiente com o aroma de lírio. Tenho certeza que você, que me fez companhia na madrugada, teria tido a mesma sensação se estivesse por aqui... Aliás, a foto acima é em sua homenagem.
O único “eu te amo” veio de uma pessoa que eu já esperava que dissesse, pois eu também a amo infinitamente: minha irmã. Particularmente, não gosto de aniversário, especialmente o meu. Da mesma forma que não aprecio Natal e Ano Novo. São datas que me entristecem e não sei explicar o motivo. Mas este ano quero enxergar apenas as coisas boas acontecendo.
Êpa, a minha amiga mais doida, a Rosa Maria, também disse que me ama nos 45 do segundo tempo. Estava quase me esquecendo... E meu pai, em silêncio, me abraçou fraternalmente. Disse muito nesse gesto. O meu maior desejo neste dia é que ele ainda passe muitos aniversários comigo.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Eu quero uma casa no campo...

Estive numa casa no campo essa semana.
Era do tamanho da paz.
Composição: Zé Rodrix e Tavito
Música: Elis Regina
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais
Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
Meu filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros
E nada mais

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Qualquer semelhança... é mera coincidência

O homem e a fera
Seres dilacerantes
Olhar misterioso
Instinto animal

Sem sentido

Ando sem inspiração
O vazio mora em minha mente
A liberdade me distrai
Busco espaço para você entrar
Mas não encontro você
Queria comandar o dia e a noite
Convidar as estrelas a passear pelo céu
Fazer da lua a luz dos instantes
Saudade é a medida do meu tempo
Esperança preenche meu interior
Persigo a felicidade
Busco algo que ainda não sei
Preciso dar sentido à vida
E alinhavar você dentro dela

domingo, 26 de outubro de 2008

Um alerta sobre Alzheimer

"Meu pai sempre foi um homem ativo, trabalhou muito a vida inteira. E foi justamente no trabalho que as coisas começaram a fugir do controle. Ele tinha uma fábrica de carenagem e desenvolvia peças desenhadas por engenheiros. De uma hora para outra começou a errar as medidas e também os cálculos matemáticos simples. Na agência bancária, esquecia a senha toda semana e eu precisava desbloquear a conta. Começou a perder chaves com freqüência, documentos e papéis. O resultado era acusar alguém da família, que estaria escondendo o objeto perdido. As palavras também eram constantemente trocadas por outras que não faziam sentido numa frase, como ‘fui à padaria comprar sapo’. As desconfianças sobre o Alzheimer habitaram minha mente. Ele estava com 59 anos quando começou a apresentar os sintomas de esquecimento. Seria possível? Procuramos o psiquiatra da família, que pediu tomografia do cérebro e, mais tarde, ressonância magnética. Os exames não constataram tumores ou quaisquer alterações. Levando-se em consideração os sintomas, o psiquiatra, juntamente com uma neurologista, fizeram o chamado ‘diagnóstico por exclusão’, revelando o Mal de Alzheimer. De imediato, os medicamentos para a doença foram sugeridos e, hoje, aos 63 anos, meu pai tem habilidade motora perfeita, faz caminhadas diariamente, mas tem dificuldades para pronunciar palavras e também compreendê-las. Não consegue mais fazer cálculos, perdeu os reflexos, não absorve o que lê e dificilmente sabe dizer que dia é hoje. A rotina da família mudou bastante desde o diagnóstico da doença. A fábrica do meu pai fechou, o carro teve de ser tirado dele - essa foi uma das etapas mais difíceis -, uma cuidadora foi contratada para evitar as fugas de casa, e os serviços bancários, que até então eram administrados por ele, foram assumidos pela família. Além das mudanças na rotina, a estrutura familiar também pareceu desmoronar. Minha mãe entrou numa séria crise de transtorno bipolar no ano passado, eu busquei apoio psicológico com terapias semanais, e minha irmã pensou em deixar o emprego para dedicar-se a cuidar do nosso herói. Ainda é difícil conformar-se com o quadro do Alzheimer, principalmente na idade dele. A cada dia Ismael parece mais confuso. Num dia acorda de bom humor e noutro, agressivo, triste ou mal humorado. Pergunta várias vezes a mesma coisa e tornou-se compulsivo por jogos de loteria. O único problema é acreditar que ganha o prêmio toda semana e vai cobrar as atendentes da lotérica. No momento, minha maior esperança é de que o novo medicamento anunciado para 2009 possa realmente estabilizar o Alzheimer para que ele fique mais tempo conosco, e fisicamente saudável como está hoje. O que mais conforta é perceber que meu pai não tem noção completa da doença. Para ele, está tudo bem, como se uma nuvem passasse pela sua cabeça num breve instante e provocasse falha no sistema. No momento seguinte, tudo volta ao normal e a nuvem se dissipa. Às vezes também procuro pensar dessa forma." Depoimento de Paula Mestrinel, publicado no Jornal de Jundiaí Regional no dia 19/10/08, em reportagem de Patrícia Baptista sobre o Mal de Alzheimer.

Vazio

"Preste atenção:
mesmo quando você enxergar um vazio,
pode ter gente dentro"
(Martha Medeiros)

Sorriso da natureza

Belíssima foto, infelizmente sem o crédito do fotógrafo.

Mil pedaços

Composição: Renato Russo
Eu não me perdi,
E mesmo assim você me abandonou...
Você quis partir, e agora estou sozinho
Mas vou me acostumar..
com o silêncio em casa,
com um prato só na mesa.
Eu não me perdi,
O Sândalo perfuma o machado que o feriu
Adeus, adeus, adeus meu grande amor.
E tanto faz.. de tudo o que ficou,
Guardo um retrato teu,
e a saudade mais bonita.
Eu não me perdi,
e mesmo assim ninguém me perdoou..
Pobre coração - quando o teu estava comigo era tão bom.
Não sei por quê acontece assim e é sem querer
O que não era pra ser:
Vou fugir dessa dor.
Meu amor se quiseres voltar - volta não
Porque me quebraste em mil pedaços.

sábado, 18 de outubro de 2008

Tenho vergonha

Difícil acreditar no desfecho do seqüestro - o cárcere privado mais longo no Estado de SP - que resultou em duas garotas baleadas ontem. Difícil imaginar a dor das famílias. Difícil compreender a existência de um ser humano que atira sem piedade e, mais difícil ainda, justificar a ação da polícia: lenta, despreparada para uma negociação. Como podem permitir que uma jovem retorne ao cativeiro se não asseguram a vida dela? Que tipo de 'negociadores' temos hoje? A que ponto chega a loucura de um rapaz como Lindemberg, o assassino que permanece impune? Impune porque vai ficar alguns anos presos e, se sua ex-namorada sobreviver, o jovem sai da cadeia e a mata. Não acredito na Justiça brasileira. Não acredito ainda nessa tragédia. Difícil também é deglutir uma notícia dessas e ficar alheio aos 'monstros' que estamos criando. Falta uma educação rigorosa no País. Falta segurança!!!! Quem é que vai garanti-la? Às vezes dá vergonha de morar no Brasil.

domingo, 12 de outubro de 2008

Mulher tem dessas coisas

Vê só como é difícil e ao mesmo tempo tão bom ser mulher. Estava pensando nisso há pouco, pleno domingo, dedicado ao descanso, ao momento "nada de útil". Para o domingo não acabar nesse vazio, mais tarde a gente inventa alguma coisa, só pra sair de casa e não dizer no dia seguinte - aquela segunda-feira chata, porque fui lembrar disso? - que a gente não fez nada. Por outro lado, sair de casa, implica, para a mulher, em se arrumar, pintar as unhas, arrumar o cabelo, passar maquiagem, combinar o sapato, a bolsa e a roupa. Tudo isso leva pelo menos uma hora e meia, se o tempo estiver bom e o cabelo colaborar. Bem, com o passar dos anos, venho pensando duas vezes antes de sair casa. Como os anos passaram, a gente sente necessidade de não mostrar que eles realmente passaram na vida da gente. Ignora completamente a idade e bota na cabeça os eternos "18" anos, aquela fase boa em que você não tem barriga, gordurinhas localizadas ou pés de galinha. Mas quando se dá conta, os 30 e poucos anos voltam à cabeça e você dá graças a Deus pela maturidade que tem, pela responsabilidade e sabedoria que adquiriu nas últimas primaveras. É nesta fase que a gente se sente mulher de verdade, não tem mais (tantas) indecisões. A gente conquista segurança diante da vida, sabe o que quer e, claro, o que não quer. Os 'trastes', aquelas espécies que você já colecionou nos anos anteriores e que só fizeram você sofrer, não têm mais vez conosco. Agora a gente preza o lado bom do homem, o cavalheiro, o rapaz gentil mas ao mesmo tempo provido de um amor arrebatador. Aquele que promete te amar sempre, que a leva para jantar e a convida para um dia inteiro dedicado à cumplicidade. Esse homem existe? Sei lá, isso é uma crônica, imagino (e fantasio) muitas coisas... A gente sempre espera e geralmente nessa fase alcança coisas que nem sempre imaginava. É aquela dor de cabeça por causa do trabalho, afinal, você conquistou responsabilidade e, com ela, vêm os problemas a resolver. Seus pais já estão na terceira idade, então surge aquela dor aqui, outra acolá e sua rotina passa a ser freqüentar mais médicos. Os filhos também podem fazer parte de sua vida, mas eu me contento com dois gatos em casa. O computador é seu grande amigo, aliado, companheiro, confidente, colega de trabalho inseparável. Você adora mandar e-mails para suas amigas contando o fim de semana desastroso ou maravilhoso - vida de solteira é assim, tem seus altos e baixos. Mas a das casadas também não é muito diferente. Pelo que vejo por aí, ninguém vive 'às mil maravilhas'. Outra coisa que você nem imaginava quando tinha 18 anos é a quantidade de contas a pagar. Ah, essas sim trarão preocupação. Será preciso se controlar diante das vitrines do shopping, que parecem piscar como a luz de uma seta de carro: entre à direita, entre, entre. Muitas vezes você não se contém e acaba levando aquela blusa linda, que não precisava, e que não vai usar nunca. É... mulher tem dessas coisas! Mas esse nosso universo é fascinante. Ninguém é tão sensível quanto a gente. Temos o sexto sentido aflorando a todo momento e dizendo "isso não vai dar certo". E não dá mesmo! Quando minha chefe falou outro dia "não sei, não, mas acho que esse deputado vai furar com você", eu não dei importância. Eu tinha de entrevistá-lo até quarta-feira e ele prometeu (promessas de político...) que me responderia. Tenho mania de confiar nas pessoas, sempre. Já faz uns 20 dias e estou esperando até hoje o tal do deputado retornar. Se estivesse na semana da TPM, eu teria chorado de raiva pela irresponsabilidade do político. Mas a mulher depois dos 30 também tem dessas coisas: não chora por pouco, não faz drama, não se lamenta tanto. Acha uma coisa mais útil pra fazer e substitui a vontade de socar alguém. Somos o sexo frágil? Talvez, mas só quando nos convêm, porque geralmente somos dotadas de força incrível para lidar com situações diversas. "Amélia? Aquela que era mulher de verdade?". Ah, os tempos mudaram. Nós conseguimos ser muito mais do que esposa e dona de casa exemplar. É domingo, chega de pensar. Meu sexto sentido está me dizendo que você vai ter um grande dia! Pelo menos é o que desejo. Paula Mestrinel

Padroeira do Brasil, eis seu dia.

"Nossa Senhora, me dê a mão
Cuida do meu coração,
Da minha vida,
Do meu destino,
Do meu caminho,
Cuida de mim"

Cacos de mim

Cansei da poesia, essa ingrata
Que nem sempre vem para a minha vida
É só balela!
Às vezes sinto que piso em pedras
Ando em caminhos tortuosos
Adormeço em noites frias
Acordo em pedaços
Deito o olhar sobre a escuridão
Dos dias sombrios
Vago pelas estradas sem fim
À procura de ilusão
Você nunca aparece
Para me despertar do pesadelo
Que é viver sem sua imagem
Sem a sua doce presença
A poesia?
Não passa de uma brincadeira
Da vida para tirar de mim
O lirismo, a beleza das palavras
A luz de um dia que poderia ser feliz.

Vou te achar

Parece uma foto 'nada a ver', mas eu explico: é o meu pé. Representa que
não vou descansar um só minuto até encontrar você
Há dias em que me pego pensando em tudo o que aconteceu e, após ler o livro "Quando chega a hora", da Zíbia Gasparetto, chego à conclusão de que, de alguma forma, tinha mesmo que acontecer. Por que? É o que me pergunto, sem encontrar respostas. Talvez já tivéssemos alguma ligação antepassada e, por isso, você tinha de passar pelo meu caminho nessa vida. Mas não precisava ser de uma forma tão intensa, como se um ciclone varresse minha alma e me deixasse à margem de um oceano de tristeza. Amadureci depois dessa leitura. Compreendi algumas coisas e percebi que talvez tenha me aproximado da pessoa errada. Havia duas opções: eu escolhi a menos interessante, a mais audaciosa, a que menos tinha a ver comigo. Agora corro atrás do que deixei escapar e cada vez mais tenho a certeza de que não cometerei o mesmo erro duas vezes. Você está tão próximo, e ao mesmo tempo tão longe. Sofro em silêncio, amo silenciosamente, mas queria gritar para todo mundo o quanto te quero. Minha alma explode de alegria quando penso em conquistar você e fico torcendo pelo dia em que nos encontraremos de novo. Não vou deixar que escape dessa vez, nem desviar meu foco, como fiz e me arrependo. Tenho certeza: era com você que deveria estar desde aquele dia que foi um divisor de águas para mim. Afinal, você é quem tocou meu coração.

sábado, 4 de outubro de 2008

Quero uma primeira vez outra vez

O que mais você quer?
Por Martha Medeiros
(Prezada autora, peço licença para publicar sua crônica, mas é que eu gostei demais!)
Era uma festa familiar, destas que reúnem tios, primos, avós e alguns agregados ocasionais que ninguém conhece direito. Jogada no sofá, uma garota não estava lá muito sociável, a cara era de enterro. Quieta, olhava para a parede como se ali fosse encontrar a resposta para a pergunta que certamente martelava em sua cabeça: o que estou fazendo aqui?
De soslaio, flagrei a mãe dela também observando a cena, inconsolável, ao mesmo tempo em que comentava com uma tia. "Olha pra essa menina. Sempre com esta cara. Nunca está feliz. Tem emprego, marido, filho. O que ela pode querer mais?"
Nada é tão comum quanto resumirmos a vida de outra pessoa e achar que ela não pode querer mais. Fulana é linda, jovem e tem um corpaço, o que mais ela quer? Sicrana ganha rios de dinheiro, é valorizada no trabalho e vive viajando, o que é que lhe falta? Imaginei a garota acusando o golpe e confessando: sim, quero mais.
Quero não ter nenhuma condescendência com o tédio, não ser forçada a aceitá-lo na minha rotina como um inquilino inevitável. A cada manhã, exijo ao menos a expectativa de uma surpresa, quer ela aconteça ou não. Expectativa, por si só, já é um entusiasmo.
Quero que o fato de ter uma vida prática e sensata não me roube o direito ao desatino. Que eu nunca aceite a idéia de que a maturidade exige um certo conformismo. Que eu não tenha medo nem vergonha de ainda desejar.
Quero uma primeira vez outra vez. Um primeiro beijo em alguém que ainda não conheço, uma primeira caminhada por uma nova cidade, uma primeira estréia em algo que nunca fiz, quero seguir desfazendo as virgindades que ainda carrego, quero ter sensações inéditas até o fim dos meus dias.
Quero ventilação, não morrer um pouquinho a cada dia sufocada em obrigações e em exigências de ser a melhor mãe do mundo, a melhor esposa do mundo, a melhor qualquer coisa. Gostaria de me reconciliar com meus defeitos e fraquezas, arejar minha biografia, deixar que vazem algumas idéias minhas que não são muito abençoáveis. Queria não me sentir tão responsável sobre o que acontece ao meu redor. Compreender e aceitar que não tenho controle nenhum sobre as emoções dos outros, sobre suas escolhas, sobre as coisas que dão errado e também sobre as que dão certo. Me permitir ser um pouco insignificante. E na minha insignificância, poder acordar um dia mais tarde sem dar explicação, conversar com estranhos, me divertir fazendo coisas que nunca imaginei, deixar de ser tão misteriosa pra mim mesma, me conectar com as minhas outras possibilidades de existir.
O que eu quero mais? Me escutar e obedecer o meu lado mais transgressor, menos comportadinho, menos refém de reuniões familiares, marido, filhos, bolos de aniversário e despertadores na segunda-feira de manhã. E também quero mais tempo livre. E mais abraços. Pois é, ninguém está satisfeito. Ainda bem.
*Esta crônica faz parte do livro "Doidas e Santas", de Martha Medeiros.

Doidas e Santas

Sorte grande foi a que tive hoje ao cair sobre minhas mãos o mais recente lançamento de Martha Medeiros, "Doidas e Santas". Geniais as cem crônicas reunidas na publicação! Dá vontade de ler duas, três vezes, percorrer os olhos de novo em cada texto e absorver o que há de melhor nessa escritora - uma das jovens mulheres que fazem da escrita uma obra de arte.
O nome do livro ela explica: "Toda mulher é doida. Impossível não ser. A gente nasce com um dispositivo interno que nos informa desde cedo que, sem amor, a vida não vale a pena ser vivida, e dá-lhe usar nosso poder de sedução para encontrar 'the big one', aquele que será inteligente, másculo, se importará com nossos sentimentos e não nos deixará na mão jamais... Uma tarefa que dá para ocupar uma vida, não é mesmo? Eu só conheço mulher louca. Pense em qualquer uma que você conhece e me diga se ela não tem ao menos três dessas qualificações: exagerada, dramática, verborrágica, maníaca, fantasiosa, apaixonada, delirante. Pois então. Também é louca. E fascinante. Nossa insanidade tem nome: chama-se Vontade de Viver até a Última Gota. Só as cansadas é que se recusam a levantar da cadeira para ver quem está chamando lá fora. E santa, fica combinado, não existe. Uma mulher que só reze, que tenha desistido dos prazeres da inquietude, que não deseja mais nada? Você vai concordar comigo: só sendo louca de pedra."
O tema amor não é único no livro. Ela explora desde a morte - em um dos textos mais descontraídos que já vi sobre o assunto - até mesmo as mãos entrelaçadas no cinema, a casa da vovó ou mesmo o silêncio, que ela define como 'a verdadeira arma letal das relações humanas'. Uma excelente dica de leitura, principalmente para quem quer sair da rotina e deliciar-se com palavras leves, poesia e lirismo.
Para quem não a conhece: Martha Medeiros é colunista dos jornais O Globo e Zero Hora, e autora de vários livros.

A hora da estrela

Personagem de Macabéa, no cinema
Fechei a janela do quarto há pouco. Demorei-me a espiar o céu, tingido de um azul celeste. Em instantes, as estrelas começarão a pipocar nesse infinito sobre a minha cabeça...
Fechei também as 87 páginas do livro "A Hora da Estrela", de Clarice Lispector. Um insulto à escritora não ter virado as folhas deste romance até a tarde deste sábado, na qual me dei ao luxo de deitar na cama para devorar literatura. Interessante como a Clarice consegue contar uma história e ao mesmo tempo conversar comigo, de forma tão natural, espontânea. Consegui imaginar o desespero e agonia dela para terminar logo esse romance, que não a deixava. Ou como ela mesma disse, 'carregava sobre os ombros', a tal da Macabéa, personagem que conseguiu ser tão instigante, e silenciosa. É um bom livro. Se pudesse destacar uma frase, para retratar um pouco de mim mesma hoje, citaria aquela que se encontra no fim da página 40, escondida num parágrafo cheio de significado. "Que se há de fazer com a verdade de que todo mundo é um pouco triste e um pouco só".
Encontrei um pouco de mim em Macabéa. Vislumbrei sua solidão, inquietude, sonhos, esquisitices... Enfim, uma mulher em busca de si mesma.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Entendo Clarice

"Sou como você me vê,
posso ser leve como uma brisa,
ou forte como uma ventania,
depende de quando,
e como você me vê passar."
[Clarice Lispector]

Semana ruim

Doeu prender o dedo na porta do carro essa semana. Doeu pra caramba! Pra ajudar, uma conjuntivite e mais uma infecção me acometeram. Mas nada se compara à dor que sinto no coração. Preferia não ter conhecido você. Não quero culpá-lo. Apenas me sinto uma idiota por ter confiado tanto no 'personagem' que encenou para mim, fazendo-me sentir uma rainha. Às vezes chego a pensar que os homens são mesmo de Vênus e as mulheres, de Marte. Achar uma pessoa para amar é como ganhar na loteria. Nessas idas e vindas, perco cada vez mais a confiança nas pessoas, me decepciono. Não é possível colecionar tantas desilusões! A besteira está feita. Tá difícil não me arrepender do que fiz. Mas eu sempre me arrependi das coisas que deixei de fazer e, então, quando tentei ser diferente, o resultado foi catastrófico. Li em algum lugar hoje que 'a vida é feita de luta e não de repouso'. É... Vamos à luta, com a cabeça erguida, e o coração partido.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Frágil

Acordei com uma tristeza profunda na alma. Senti lágrimas percorrendo meu interior, como um um pingo de chuva deslizando lentamente por toda a folha do orvalho. Meu sexto sentido fala alto, não mais sussurra. Você não vai voltar! Estou tranqüila e ao mesmo tempo em desespero. Queria olhar de novo em teus olhos, tocar seu coração, afugentar-te em mim. Ah... Essa tristeza parece que não vai me abandonar. Nem esse nó na garganta. Procuro não pensar naqueles momentos para não chorar. Acho que até disfarço bem, para os outros. Não para mim. Essa foi mais uma experiência para colecionar, para aprender. Infelizmente não sou sempre a mulher forte que gostaria de ser. Pelo menos por hoje, admito: sou o sexo pra lá de frágil!

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Frio na barriga

Quando o vi passar na minha frente, uma energia diferente percorreu meu coração. Nossos olhares se perderam numa única direção e você me cumprimentou, sem nunca ter me visto. Em instantes estávamos conversando, trocando experiências, sorrindo. Foi tudo tão rápido e tão intenso que ainda me belisco para ver se estou acordada. Parece um sonho. Uma dor profunda me persegue, aperta meu peito, e não consigo identificar se é paixão ou simplesmente medo de te perder. Medo de tê-lo em meus pensamentos apenas por um fim de semana. Se isso acontecer, terei eternizado nossos momentos e vou lamentar a falta de coragem de buscar você em cada minuto da minha vida. Ah, quanto tempo meu coração não se agitava dessa maneira! Quanto tempo não sentia aquele frio na barriga ao ver seu número no visor do meu celular. Não quero mais deixar o tempo passar sem você ao meu lado.

sábado, 20 de setembro de 2008

***

"Amanheceu. É hora de voar"

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Gostava tanto de você

Tim Maia Composição: Édson Trindade
Não sei porque você se foi
Quantas saudades eu senti
E de tristezas vou viver
E aquele adeus não pude dar...
Você marcou na minha vida
Viveu, morreu
Na minha história
Chego a ter medo do futuro
E da solidão
Que em minha porta bate...
E eu! Gostava tanto de você
Gostava tanto de você...
Eu corro, fujo desta sombra
Em sonho vejo este passado
E na parede do meu quarto
Ainda está o seu retrato
Não quero ver pra não lembrar
Pensei até em me mudar
Lugar qualquer que não exista
O pensamento em você...
E eu! Gostava tanto de você
Gostava tanto de você...

Amor de estação (e ficção)

Tanta gente numa estação, tantos embarques,
tantas partidas... Tudo em sua hora.
As mãos entrelaçadas, o coração em pedaços. Ambos caminhavam pela estação ferroviária e sabiam que, em poucos minutos, teriam de dizer adeus. Naquele momento, seria "até breve" ou "até daqui a pouco". No fundo, sabiam que aquele instante significaria "até nunca mais". Fitavam-se carinhosamente, evitando olhar profundamente nos olhos para não deslizarem lágrimas. Um sorriso forçado disfarçava a tristeza estampada na alma. Sabiam que talvez não voltassem a se olhar novamente. O banco de madeira confortou o sentimento dos dois jovens que, agora, abraçaram-se como se fosse a primeira vez. Era a última. Os braços envolveram-se em silhuetas curvadas para o abismo, para o vazio que penetrava os corpos. Ela enxugava o rosto com as mãos trêmulas. Ele tentava acalmar a voz fraca que quase não saía. Palavras não queriam ser pronunciadas. Então o silêncio pairou sobre os trilhos quando a locomotiva se aproximou. Olharam-se mais uma vez e um beijo selou a despedida. Da janela, ele observou a dama ajeitando as malas sob o banco. Ela ajeitava também o coração antes de virar-se e olhá-lo através da vidraça, parado na estação, onde estacionava a sua tristeza. Acenou e ele vislumbrou o último gesto da mulher amada. Esperaria notícias, um dia. Mas ela partiu sem deixar rastros. O coração do homem inflou de amor e derramou-se nos braços de outra mulher, em uma estação mais florida, no início da primavera de um ano qualquer. Ele não quis mais saber de partidas. Ela... Continuou a vagar pelo trem da vida, em busca do amor verdadeiro.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Sentir

"Suponho que me entender não seja uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca."
[Clarice Lispector]

domingo, 14 de setembro de 2008

Indico

Mãos pra cima, gritos, exaltação, energia vibrante ao lado de milhares de pessoas. Me senti dentro do show do U2 ao assistir o filme "U2 3D", em São Paulo. Achei o máximo ver o Bono Vox na minha frente, quase tocando o meu rosto com as mãos ou cantando ao pé do meu ouvido. Muito legal a idéia de compilar os shows da turnê "Vertigo", que também passou por São Paulo, em um filme 3D. Dá vontade de ficar horas e horas no cinema, cantando baixinho as canções do grupo irlandês. Confesso que em alguns momentos, enquanto o público pulava energicamente (se esmagando mesmo) eu dei graças a Deus por estar sentada confortavelmente na cadeira do cinema. O melhor de tudo na produção 3D é ser conduzida ao palco e sentir-se ao lado do baterista ou dos guitarristas da banda, como se pudéssemos tocar um dos instrumentos.
Enfim, eu tinha achado caro o ingresso no valor de R$ 23, mas agora posso dizer que valeu muito a pena! Talvez até mais do que ter ido ver o show ao vivo, já que o filme te leva a lugares (ângulos) que jamais seria possível estar se não fosse a terceira dimensão. Pena que a banda não tenha tocado mais tempo nesse "show particular" para a platéia que aprecia a sétima arte. A gente sai do cinema com vontade de assistir a próxima sessão.
E aqui fica um dos (belos) refrões compostos por Bono Vox:
One love, one blood
One life you got to do what you should.
One life with each other: sisters, brothers.
One life, but we're not the same.
We get to carry each other, carry each other.
One love! One!

sábado, 13 de setembro de 2008

Duas versões de uma só

Tenho andado distraído
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso
Só que agora é diferente
Estou tão tranquilo e tão contente
Quantas chances desperdicei
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo mundo
Que eu não precisava provar nada pra ninguém
(versão Legião Urbana)
Tenho andado tão tranquila
Alegre e solitária
E ainda estou nesse estado de espírito
Só que agora penso quanto tempo vai durar?
Estão tão bem e tão em paz
Quantas chances ainda terei de ser feliz?
Quando o que eu mais queria era felicidade
Era provar para mim mesma
Que eu não precisava mudar nada na minha vida
(minha versão)

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Se...

Você disse que não sabe se não
Mas também não tem certeza que sim
Quer saber, quando é assim
Deixa vir do coração
Você sabe que eu só penso em você
Você diz que vive pensando em mim
Pode ser, se é assim
Você tem que largar a mão do não
Soltar essa louca, arder de paixão
Não há como doer pra decidir
Só dizer sim ou não
Mas você adora o Se
Eu levo a sério mas você disfarça
Você me diz a beça e eu nessa de horror
E me remete ao frio que vem lá do sul
Insiste em 0 a 0 eu quero 1 a 1
Sei lá o que te dar, não quer meu calor
São Jorge por favor me empresta o dragão
Mais fácil aprender japonês em braile
Do que você decidir se dá ou não
(Gosto dessa música do Djavan na doce voz de Luciana Mello)

sábado, 6 de setembro de 2008

P a l a v r a s

Incerteza, confusão, raiva, desânimo, inquietação, vazio, tristeza, insatisfação, desejos, ansiedade, insegurança, nervosismo, impaciência, injustiça, cansaço, cansaço, cansaço, ojeriza, inconformismo, desespero, desesperança, conflito, repulsa, aversão, antipatia, pessimismo.
Não consegui pensar em palavras otimistas. Elas fluiram conforme o grito da minha alma, exalando cada letra por entre os poros. Marcaram meu DNA por uns tempos. Tempos que nunca se acabam. Tempos que não me deixam.

sábado, 30 de agosto de 2008

Ad'oro Holambra

Fui cobrir, na última quarta-feira, a 27ª Expoflora de Holambra - o maior evento de plantas e flores da América Latina. Gostei do tema deste ano, "Flores, Tempo e Ecologia". Uma das intenções dos paisagistas é contar o tempo por meio das pétalas e, para isso, resgataram várias décadas para retratar o romantismo das flores em cada uma delas. Ficou espetacular! As centenas de espécies surpreendem. Uma, em especial, ganhou atenção: a ad'oro. É uma planta ameaçada de extinção e, portanto, pouco conhecida. Assim como eu, todos os outros jornalistas trouxeram para casa um vasinho de ad'oro. Essa planta começa a ser cultivada em Holambra e, quem sabe, não corra mais risco de sumir da natureza.