"Vento, ventania / Me leve para / As bordas do céu / Pois vou puxar / As barbas de Deus / Vento, ventania / Me leve pra onde / Nasce a chuva / Pra lá de onde / O vento faz a curva... / Me deixe cavalgar / Nos seus desatinos / Nas revoadas / Redemoinhos... / Vento ventania / Me leve sem destino..."
Essa semana passou feito ventania. Dormi, acordei, trabalhei, dancei. A adolescente que vive em mim também terminou de ler "Amanhecer", da saga "Crepúsculo". É o final feliz da história dos vampiros e lobisomens. Me pus a refletir sobre a morte. Não por causa do livro, mas por que nos últimos tempos vem morrendo gente que fazia parte do meu convívio, não familiar.
Se formos pelo caminho da simplicidade, a gente nasce, cresce e morre. No meio da trajetória a gente ainda sofre, passa por momentos difíceis, desafia o tempo, ultrapassa obstáculos, vê alguém que você ama adoecer. Outras vezes, um bocado de felicidade te encontra, uma alegria sem fim te envolve, uma viagem te leva para um grande sonho.
Fico pensando que não é justo morrer. O ser humano está sempre em busca de algo, de um ideal para perseguir. A cada ano a gente muda, amadurece, e os objetivos vão se tornando diferentes. Daí, um dia, tudo acaba, interrompe o fio que tece o dia e a noite. Algumas poucas pessoas passam pela vida deixando marcas profundas na humanidade. Outras tantas, como eu, que tenho vida simples, talvez não tenham o que deixar de contribuição para o planeta. Me sinto minúscula, uma gota d'água no oceano.
Morrer não faz sentido para mim. É como iniciar a pintura de uma tela e deixá-la inacabada. Sempre haveria algo mais para retocar ou uma nova tonalidade para deslizar sobre a vida. A qualquer hora se pode jogar tinta branca na tela e recomeçar.
Se a gente não envelhecesse, se a gente acreditasse na vida como um organismo indefectível, se a gente tivesse escudo contra as doenças... A humanidade poderia estar imunizada ao vírus da morte. E "pra sempre"... Pra sempre, sim, teria sentido.
Em tempo:
as amizades aumentam 50%
a chance de sobrevivência
do ser humano. Quanto
maior o círculo de
amigos, mais se vive.
Isso foi comprovado
numa recente pesquisa.


