sexta-feira, 30 de julho de 2010

Vento Ventania...

"Vento, ventania / Me leve para / As bordas do céu / Pois vou puxar / As barbas de Deus / Vento, ventania / Me leve pra onde / Nasce a chuva / Pra lá de onde / O vento faz a curva... / Me deixe cavalgar / Nos seus desatinos /  Nas revoadas / Redemoinhos... / Vento ventania / Me leve sem destino..."

Essa semana passou feito ventania. Dormi, acordei, trabalhei, dancei. A adolescente que vive em mim também terminou de ler "Amanhecer", da saga "Crepúsculo". É o final feliz da história dos vampiros e lobisomens. Me pus a refletir sobre a morte. Não por causa do livro, mas por que nos últimos tempos vem morrendo gente que fazia parte do meu convívio, não familiar.

Se formos pelo caminho da simplicidade, a gente nasce, cresce e morre. No meio da trajetória a gente ainda sofre, passa por momentos difíceis, desafia o tempo, ultrapassa obstáculos, vê alguém que você ama adoecer. Outras vezes, um bocado de felicidade te encontra, uma alegria sem fim te envolve, uma viagem te leva para um grande sonho.

Fico pensando que não é justo morrer. O ser humano está sempre em busca de algo, de um ideal para perseguir. A cada ano a gente muda, amadurece, e os objetivos vão se tornando diferentes. Daí, um dia, tudo acaba, interrompe o fio que tece o dia e a noite. Algumas poucas pessoas passam pela vida deixando marcas profundas na humanidade. Outras tantas, como eu, que tenho vida simples, talvez não tenham o que deixar de contribuição para o planeta. Me sinto minúscula, uma gota d'água no oceano.

Morrer não faz sentido para mim. É como iniciar a pintura de uma tela e deixá-la inacabada. Sempre haveria algo mais para retocar ou uma nova tonalidade para deslizar sobre a vida. A qualquer hora se pode jogar tinta branca na tela e recomeçar.

Se a gente não envelhecesse, se a gente acreditasse na vida como um organismo indefectível, se a gente tivesse escudo contra as doenças... A humanidade poderia estar imunizada ao vírus da morte. E "pra sempre"... Pra sempre, sim, teria sentido.


Em tempo:
as amizades aumentam 50%
a chance de sobrevivência
 do ser humano. Quanto
maior o círculo de 
amigos, mais se vive. 
Isso foi comprovado
 numa recente pesquisa.



quarta-feira, 28 de julho de 2010

O desafio dos meus florais...

Cenário 1: Uma loja de CDs.
_ Moça, quem são estes artistas? _ pergunta pra mim uma mulher que surgiu do nada com um CD na mão.
_ Victor & Leo _ respondo eu, após ler o nome dos sertanejos na capa. Se não tivesse o nome deles lá, possivelmente eu não saberia dizer quem eram.
Esperei um "obrigada", mas ela deu as costas, deixou o CD lá, e foi embora.
Eu odeio quando as pessoas não agradecem. Juro. Me irrita. Até fiquei feliz que a senhora, possivelmente analfabeta, veio pedir ajuda pra ler o nome dos artistas, mas custava ser educada e agradecer?

Cenário 2: Uma redação de jornal
_ Oi, eu precisava entrevistar, por favor, alguém responsável pela expansão do aeroporto. É possível?
_ Ah, eu não sei se alguém vai falar sobre isso.
_ Mas por que não falaria? Na semana passada deram entrevista sobre isso pra TV. [cito até o nome do cara que deu entrevista]
_ Ah, mas a pauta não era essa. Talvez tenham perguntado algo no meio da entrevista.
_ E não é a mesma coisa? Ele já falou sobre o assunto.
_ Eu vou tentar, mas não garanto. [clássico dos clássicos!!!]
Umas cinco horas depois a assessoria manda as respostas [de três linhas] sobre as minhas questões. Ignora completamente o fato de termos conversado cinco horas antes sobre a possível entrevista.

Não perder a paciência com essas coisas é um desafio para os meus florais. Hoje meu hotmail quis me endoidecer. De repente mudou todo o layout e pessoas me acharam no msn - logo eu, avessa ao msn. Quem disse que achei a porcaria do negócio pra ativar a minha "invisibilidade"? Não achei.

E desenho animado, então! Ai, ai, ai de quem me convidar para ir ao cinema assistir um deles. Já disse que odeio todos? Não vi Nemo, Shrek, Toy Story, aqueles esquilos dançantes, Era do gelo, nada. Sou uma pessoa feliz sem desenho animado. E talvez nem Freud explique a razão.

sábado, 24 de julho de 2010

Quando o silêncio enlouquece

Acordei no meio da madrugada querendo ouvir alguma coisa. O silêncio estava me enlouquecendo. Não era sonho. Não era loucura. Era uma realidade assustadora. Tentei prestar atenção a qualquer barulho, por menor que fosse. Nada. Nada mesmo. O silêncio inundou minha mente e tentei aguçar meus ouvidos, quem sabe captar alguma coisa longe, um carro, a sirene do vigilante noturno, meu cachorro no quintal, os gatos comendo ração ou afiando as unhas. Nada. Fiquei confusa. Como pode a madrugada não ter ruído algum? Não chovia. Não havia vento nem avião. Não estava sonhando. Por alguns minutos, o mundo estava parado. Ninguém existia. Me senti na mais completa solidão, como se minha vida não tivesse som e eu não pudesse falar ou ouvir.

Ando acostumada a trabalhar num ambiente tão agitado e conturbado que o silêncio me assombrou naquela madrugada. Pela primeira vez, minha mente estava vagando por uma vida com o volume desligado. Dormi de novo. Às 7h30, o celular despertou quebrando o silêncio. Ah, a realidade de volta!

Essa semana, peguei "Mamma Mia" pra assistir. Não tinha som no meu DVD. Tá, que ótimo! Um musical sem som. Aquela madrugada silenciosa devia mesmo significar alguma coisa. Depois de quase quebrar o aparelho tentando ouvir algum som que fosse, me conformei e assisti até o fim, só de raiva. Foi até engraçado ver Meryl Streep e Pierce Brosnan cantando e gesticulando, sem som. Acabei me divertindo e passando raiva ao mesmo tempo, mas gostei do filme. E agora entendo o que me disse certa vez o grande maestro João Carlos Martins numa entrevista. Ele me pediu para ver algum filme sem música e prestar atenção se me vinha alguma emoção. É... nenhuma!

Grande João. Sou fã deste homem, um guerreiro, e também o artista mais humilde que já entrevistei. Vê-lo tocar piano e reger uma orquestra em Jundiaí foi uma emoção indescritível. Ele é feito de som, tem notas musicais correndo em sua veia.

João Carlos Martins, 70 anos, maestro brasileiro. Site oficial, aqui.

domingo, 18 de julho de 2010

Boa semana!

Leia paulatinamente as instruções a seguir deixadas pela blogueira. Ela não pretende escrever mais esta semana, a não ser que seus dedos queiram muito. Por ora, ela aconselha que você leia uma dica a cada dia, pois há muitos links inseridos na conversa. Os dias da semana estão em espanhol porque ela errou na prova a escrita desses benditos dias e não pretende errar mais. Na verdade, só é difícil lembrar deles... 

Lunes - O clima esquenta para começar a semana. A previsão é de 21 graus (máxima) em Jundiaí nesta segunda-feira.  Ouvi um ti-ti-ti de que a novela das 7h, da Rede Globo, vai ser bacana. Se não tiver nenhum livro interessante pra ler, se não for tomar banho de 1 hora quando chegar em casa após o trabalho, ou se não estiver jantando na cozinha, dê uma espiada na nova trama. O primeiro capítulo é o termômetro pra saber se a novela vai esquentar ou não as suas noites. Por via das dúvidas, deixe o livro aberto.

Martes - Depois de passar o tédio da segunda-feira, é um bom dia pra assistir "Encontro Explosivo", que eu trago aqui o trailer oficial pra vocês. Parece um filme eletrizante, daqueles em que cai um avião em cima do Tom Cruise e ele sai andando como se nada tivesse acontecido. Exagero meu, claro, mas não deixa de ser mais uma produção com um montão de (d)efeitos especiais. Amo o Tom Cruise desde a minha aborrecência e quero ver a parceria dele com a Cameron Diaz.

Miércoles - O meio da semana é um dia para tomar fôlego e encarar os outros que virão. Que tal parar pra relembrar um amor antigo que já se foi? Ana Carolina e Maria Gadú podem dar o tom das recordações com a música Mais que a mim. Aliás, após ouvir esta, recomendo "Baba baby" pra levantar o astral. Ficou perfeita na interpretação de Maria Gadú.

Jueves - Numa "jueves" deste ano eu fui à balada mais s-e-n-s-a-c-i-o-n-a-l de toda a minha vida. Chama-se Coco Bongo e fica em Cancún. Valeu cada segundo, pois eu nunca mais vou esquecer daquela noite. E caso alguém dê um giro pelo México qualquer dia, não esqueça de ir lá. É, sem dúvida, a melhor de todas as casas! Os espetáculos, fiquei sabendo, ganham nova roupagem a cada estação. Ah, se não fosse o youtube... Adorei encontrar este video (mesmo sendo bem amador) pra relembrar o dia em que estive lá. Dá pra saber um pouquinho como é estar no Coco Bongo Night Club.  E dá-lhe salsa!!! O Brasil está representado numa das performances do clube e só lamento que o vídeo acabe na hora em que "Madonna" sobe ao palco.

Viernes - Esse é o dia que lembra "berne" em espanhol. Aproveite e faça o que quiser. Pra animar, pode ouvir esta versão de I gotta feeling, que me foi apresentada pelo meu professor de dança. É demais! Mas dançar samba a dois, ao som dela, é uma missão impossível pra mim.

Sábado e domingo - Livre para ser feliz. Se for um fim de semana tranquilo, aconselho ouvir Bruna Caram. A voz dela, em qualquer música, suaviza a alma. Beijos!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Coisas bizarras

fazia parte da família aquele barulho irritante na porta do quarto. Parecia que ela gostava de ranger ao ser conduzida ao batente ou talvez era a sua forma de demonstrar que não queria se fechar. Incomodava tal qual uma vuvuzela estridente no meio da madrugada. Foi só o óleo da máquina de costura entrar em ação que todo o silêncio pairou sobre a porta. Uma poderosa gotinha e ela se calou imediatamente. Para sempre. O mais engraçado é que faz falta o barulho da porta. Fazia parte da família.

É a mesma coisa com os buracos de rua. Você passa com o carro todos os dias por eles. Sabe exatamente sua localização, tamanho e consequência. Daí, um belo dia, alguém fecha o buraco com asfalto. Pô, quem é que não sente falta do buraco?! Incrível como essas pequenas coisas não passam desapercebidas. Ou será que só eu me apego a detalhes bizarros?

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Faça xixi no banho

Estava quase parando com essa brincadeira de escrever em blog, quando pensei que uma mudança traria novos ares, quem sabe mais ânimo para esta blogueira que vos escreve. Empenhar-me em buscar imagens e novidades para o layout [já tem tudo pronto no gerenciador, é só escolher] me deixou contente. Só que logo veio o estresse. Qual seria o novo design, já que estão oferecendo uma infinidade de opções? Juro que foi uma tarefa árdua. Escolhi um montão de coisas antes de chegar à asa do avião e nuvens - que, sinceramente, combinam comigo. Até o fim da vida serei viajante neste mundo. Pode apostar que cumpro essa promessa!

O nome do blog também foi levado em consideração na hora da escolha. Ia colocar uma porta de madeira no fundo, mas desisti. Depois pensei em patinhas de gato, já que amo esses bichanos. Porém, não é um blog sobre gatos. Depois me apareceu uma estrada, umas orquídeas, um penhasco, um vidro com pingos d'água (esse foi uma tentação!), livros, fotos, paisagens de viagens, o mar, coqueiros... Quase enlouqueci! E quase dei um fim ao blog. Daí apareceu o avião, como se estivesse arrastando minhas palavras pelo ar. É este, pensei. E ficou. Mas logo posso mudar de novo caso haja uma nova crise existencial (no blog).

Ultimamente o flickr tem me atraído mais que o blog. Há novidades por lá, caso alguém queira conferir. Na verdade, perco mais tempo admirando as fotos de outros membros do flickr e atualizo lentamente a minha página. É meu hobby atual.  E minha máquina profissional ainda nem existe, infelizmente.

Bom, eu sei que você deve estar se perguntando o que significa "Faça xixi no banho". É que minha mãe sempre ensinou a todos em casa para "não fazer xixi no banho", e sim no vaso sanitário. Mas veja que interessante: semana passada eu assistia na TV a premiação de alguns comerciais e qual não foi a minha surpresa ao ver que o vencedor era uma propaganda "educativa" que incentivava as pessoas a fazerem xixi durante o banho. Razão: a descarga gasta até 12 litros de água potável. No ano, são 4.380 litros. Ora, pois, vamos economizar água! Façam xixi no banho e vejam a propaganda, que é muito legal. Também podem ver o comercial primeiro e depois fazer xixi, ok? Ah, minha amiga Teresa, plenamente cuidadosa com o meio ambiente, já instalou na casa dela uma descarga ecológica, com opção de gastar apenas 6 litros a cada... Vocês sabem, chama-se evacuar, na linguagem formal.

terça-feira, 6 de julho de 2010

O coração bate um bolão. Mas a seleção...

Eu ia dormir... Mas um texto estava martelando a minha cabeça, desde que saí do cinema. Aliás, segunda-feira está se tornando o melhor dia para ir ao cinema nesta cidade que já foi tranquila.

Pois vamos lá. Aquela rima horrorosa que dá título a este post vai falar nada menos do que as tsunamis do coração. Que atire a primeira pedra a pessoa que nunca sentiu o coração bater mais forte ao ver alguém - sei lá, do passado, do presente, do futuro... Dez em cada dez pessoas já devem ter sentido essa gostosa taquicardia. Vale para aqueles que namoram, que estão casados, enroscados, avulsos. Tem sempre alguém - geralmente no passado - que mexe com o coração da gente.

Com as pernas, então, nem se fale. Talvez seja o único momento na vida em que a gente perde o controle das pernas. Elas tremem, amortecem, formigam. Em segundos a sensação sobe para o estômago, que faz revirar um redemoinho lá dentro - são as conhecidas "borboletas na barriga", voando como se o mundo existisse apenas para duas pessoas, a que tem o furacão de emoções e a que provoca.

É quase um abalo sísmico o que ocorre dentro do organismo. É quase uma droga que nos entorpece. É quase uma vida nonsense dentro de outra existência. Não é amor. Não é paixão. É apenas alguém que cavou uma cicatriz imensa em você. E de repente, como um fantasma, essa pessoa aparece na sua frente nem que seja em pensamento. É de arrepiar! E lá se vão as pernas, sem direção. E lá se vai um coração, batendo sem razão.

P.S.:  "Eclipse". É o filme que vi.