segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Acharam o Belchior!

Um tempo distante, um tanto estressante, outro tanto cansada. Foi o tempo que tive até voltar aqui renovada. Só pra rimar, comi cangalha. O que não faz uma folga!!!
Gente, acharam o Belchior!!! É a notícia do dia e espero que mude a sua vida a partir deste momento. O homem deu entrevista ontem no Fantástico. Tá descansando, foi pescar [essa informação é por minha conta], compor, cantar, abandonou o hotel, a mercedes, as roupas... Deixa o homem! Pronto, já foi encontrado.
Coisas bizarras como esse excesso de notícias sobre o paradeiro do Belchior me irritam. Também vi nos últimos dias a miss Brasil mirim, uma niña de uns 6 ou 8 anos, que para se eleger usou dentes postiços. Justificativa: ela está com duas 'janelinhas' abertas e, esteticamente, quando sorrisse não ficaria bela. Caracas! É uma criança!!! Sua beleza é natural, com dente ou sem ele. Ou vai dizer que as pessoas não perdem os dentes quando crianças? Hoje está tudo mudado. As meninas e os meninos já usam piercings precocemente, pintam o cabelo, usam dente postiço... Enfim, eu não queria nascer de novo, não. E se eu fosse mãe, talvez não fosse tão moderninha.
Ontem fui ao circo. A trabalho, claro. Deu pra rir das palhaçadas que o palhaço não sabia fazer. Havia 43 pessoas na plateia. A capacidade total deve ser para quase mil. Tive o cuidado de contar uma a uma, para não esquecer ninguém. Meu Deus, como as coisas estão sem graça nos circos amadores - que se dizem profissionais. Não há mais empolgação ou ansiedade para ver os próximos números. Em Jundiaí, não vale a pena ver este "espetáculo". Em São Paulo, quando estive num circo melhor no início do ano, também não gostei. Aprovo totalmente a lei que baniu os animais dos picadeiros. Mas também reconheço que um circo sem animal já não é tão encantador. E quem é que disse que os artistas não tem seus bichos de estimação? Ontem mesmo vi um gato na coleira, e vários cachorros presos. Todos estavam na frente dos trailers - as acomodações dos artistas. Por onde viajam levam os bichos.
Após um domingo trabalhando terei uma segundona "descansando". Ou melhor, fazendo coisas que não me lembrem trabalho. Talvez eu volte mais tarde, talvez não. Ah, e para quem me acha de outro mundo, porque não costumo dizer palavrão, adorei a música que ouvi hoje: "Fuck You", da Lily Allen. Acreditem, a canção é meiga. Bem bonitinha mesmo. Está aqui.
Aliás, sabem o que é cangalha? Comi mesmo no café da manhã.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Dançando na chuva

"A vida não é sobre esperar a tempestade passar. É sobre aprender a dançar na chuva”

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Que hora é agora?

"O medo te mantém prisioneiro, a esperança te liberta"

Os relógios sempre me fascinaram, mas de uns anos para cá resolvi abandoná-los. Vivo melhor sem ter um deles agarrado ao pulso, como se contassem os segundos da minha vida. Uso o celular para ver a hora, mas não é um objeto que me persegue a todo momento. Sou apaixonada por relógios de estação de trem, geralmente antiquíssimos. Você passa por eles e percebe que o tempo parou ali. O trem não vai voltar para você vê-lo de novo. Quer melhor sinal de que o tempo não para? Também amo imagens de relógios. De um jeito ou de outro, o tempo parou ali, no exato momento em que alguém o clicou. Era hora do relógio mostrar sua hora eterna. Para alguém, aquele instante tem uma história. Olhei no relógio da parede hoje, quando meu celular tocou e, do outro lado, lá estava a notícia triste. Quando já se tem o âncora da família doente, nunca imagina que algo mais doloroso possa acontecer, com outra pessoa que você ama. Porém, os obstáculos estão aí pra gente encarar. Desliguei o aparelho. Coração na boca. Olhei de novo o relógio. Hora de fazer alguma coisa. Mas só o silêncio me acercou. Os ponteiros não vão parar de girar, ninguém vai deixar de envelhecer. Câncer tem cura. Alzheimer, não. Tem hora pra tudo. E tudo parece chegar na hora errada. Basta perceber qual é a hora de lutar, levantar a cabeça e enfrentar. Esta é a hora. Achava minha mãe inabalável, capaz de passar pelo tempo sem levar uma rasteira dele. O diagnóstico foi na hora certa. Na hora em que ainda é possível tratar a doença. Na hora em que eu vejo o quanto a amo. É a hora errada de perdê-la. É a hora certa de abrir os olhos e enxergar esperança. P.S.: Desculpem o desabafo. Escrever me faz bem...

domingo, 23 de agosto de 2009

E vejo flores em você...

Delicadezas que enfeitam a vida com cores
Absorvem as lágrimas do céu
E nutrem-se de mais beleza

Chuva de domingo

Deslizam pela janela
Sorrateiras meninas
Lentas, tranquilas
Despejam-se pelo domingo
Como um rio que segue em frente
Despreocupado
Percorrem os obstáculos
Contornam as pedras
Deságuam tristeza
Lágrimas gotejam lá fora
E eu aqui dentro
Acumulo um temporal
Sem ter a quem entregar
A chuva, o sol, as flores,
O vento, a tempestade
As estações habitam
Minha vida
Que escorre lenta pelos dias
Percorre a vidraça da janela
Como um filme de amor
Sem par romântico

sábado, 22 de agosto de 2009

Melhor lugar

Se fosse por mim Eu ficava Mas vê como tudo lá fora mudou O tempo passou Feito um louco Quebrando as vidraças E a gente ficou Aqui, sem ter nem pra onde ir, por medo ou preguiça Aqui, ilhados por nós Sequer rastreados por nenhum radar Aqui parecia ser o melhor lugar Quem disse que a gente precisa Perder um ao outro pra se encontrar Se nada nos prende ao passado Não é o futuro que vai separar Enfim Encosta seu barco em mim Que o sol já se pôs A sós O mundo termina Na fina fronteira dos nossos lençóis Em nós Espalham-se os laços Desfazem-se os nós Sonhamos paisagens, compramos passagem E nunca voamos pra lá Enfim Passeia tua boca em mim Até me calar Aqui ainda parece o melhor lugar
-- Composição: Jorge Vercilo e Dudu Falcão --

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Gafes floridas

Sabe aquele dia em que parece dar tudo errado? Primeiro: acordar muito cedo, com chuva, cabelo arrepiado. Segundo, chegar no trabalho, sair correndo, viajar uma hora e meia pra chegar na pauta e, quando põe os pés na cidade, descobre que não era aquela pauta. Bate o desespero. "A chefe vai me matar!", penso eu, lá onde Judas perdeu as botas. Ligo pra ela. E então ela não acredita. [Convenhamos, se ela me mandou pra lá, não sou a única culpada, certo?]. Na verdade, são duas coletivas pra anunciar a festa das flores naquela cidade pequenina do interior - considerada a maior produtora de plantas do Brasil. O fato é que a gente foi na coletiva errada, dia errado, tudo errado. Era a mostra de decoração e paisagismo. Não era nossa pauta.
Tá, tudo bem. Passar o dia fora já é uma grande coisa! Fiquei tão 'absurdada' com a situação, que cometi uma gafe. Sabe como é... Arquitetos, decoradores, espaços chiques, cheios de frescuras. Avistei um espaço criado para cães. Muito fofo! Era um quintal pra cachorro, com guarda-roupa, almofadas, jardim e outros mimos. Não pensei duas vezes. Vi uma pata no chão (aquela foto no alto deste post) e fui pisando também. Aí escuto: "Moça [voz de desespero], não é por aí que entra. Não pode pisar aí!". Pô, eu já tinha afundado numa areia branca. A m... tava feita! Sem querer, deixei minhas patas lá também. E saí de fininho.
Lembrei de uma amiga que chegou do Pantanal domingo e veio me contar sua gafe mor. Entrou numa loja no aeroporto de Campo Grande, de mochila nas costas. De repente fez uma curva pra direita e esbarrou numa obra de arte: um cavalo de madeira entalhado. O objeto simplesmente caiu e partiu o cavalo ao meio. Resultado: teve de pagar R$ 130. E trouxe o cavalo na mochila, muito a contragosto! Só pagou pelo deslize com medo de que chamassem a Polícia Federal.
Acho que até vou contar minha gafe também mor. Aquela que deixei de narrar uma vez aqui, por ser constrangedora. Mas quem é que não comete as suas, né? Olha só. Mulher menstruada fica, naturalmente, mais discreta. Quer dizer, tenta. Se você vai ao banheiro, discretamente leva uma necessaire com as coisinhas de que vai precisar dentro. Pois eu estava trabalhando um dia, nestas condições, e levantei com a minha necessaire agarrada às mãos. Estava quase chegando ao banheiro, quando ela caiu. Abaixei pra pegar e notei que estava aberta. Gelei!!! Já foi subindo o sangue na cabeça e me senti roxa. Olhei pra trás. Lá estava um rastro de absorventes espalhados pelo chão e me seguindo até o banheiro. Juro que eu queria morrer!!! Como é que pode uma coisa dessas??? Nem preciso contar o resto, né? Há trocentas mulheres na redação, mas aquele dia, um dos homens assistiu toda a tragicomédia. Até ia me ajudar a pegar as coisinhas do chão, mas quando viu o que era, disfarçou.
Com certeza foi a minha maior gafe. E já que é pra contar tudo, a segunda foi ter caído do ônibus quando cheguei na rodoviária de Itu, certa vez, indo dormir na casa de uma amiga. Tropecei no degrau e caí por cima da mala. Perdi o sapato. Me esparramei pelo chão. Na hora veio aquele monte de gente me socorrer, pegar meus sapatos, minha mala, minha mão. Encarar o olhar de pessoas desconhecidas é muito engraçado. Você sabe que elas querem rir, mas não o fazem porque não te conhecem.
É... Duvido que essas coisas só aconteçam comigo!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Onde está o furão?

Meu pai está com mania de juntar papéis. E me entregar com um montão de clipes. Então eu olho, a grande maioria segue para o lixo e alguns eu guardo. Dia desses havia um papel de certa marca de sabão em pó. Era um concurso, na verdade. Você respondia uma frase e concorria a R$ 500 para gastar numa determinada loja de roupas. Então eu pensei: nunca participei de um concurso. Mandei a frase. Tosca. Nada brilhante. Mas quem sabe rende alguma coisa. Uma amiga já ganhou uma bolsa de marca, caríssima, de edição limitada, num desses concursos de revista. A pessoa tinha de responder o que faria quando completasse a maioridade, já que a revista completava 18 anos. Essa minha amiga disse que jogaria as bonecas fora e iria a um sexy shop. Criativa, hein! Foi uma das 50 frases premiadas e ganhou a bolsa que vale uma fortuna! Sem querer, já disse neste começo de conversa a marca do sabão e o nome da revista. Alguém capturou? Então, se houver leitor interessado, o desafio é fazer uma frase com as duas palavrinhas.
Coletânea das melhores e piores frases que ouvi nos últimos dias:
“Moscas en la casa”, da Shakira, na música (um bolero) de mesmo nome, querendo dizer que a casa estava vazia. Adoro la cancion!
“Por que você não questionou isso na matéria? Olha o que o outro jornal deu!”, da chefe, claro.
“Vocês são como jujubas (jelly beans)”, da professora de inglês, explicando que cada um leva um sabor diferente à aula.
“Não sou muito ligado à família, essas coisas”, de alguém que trabalha viajando, ou viaja a trabalho toda semana.
“Não te vejo desde aquele dia no Polytheama”, de alguém que eu queria ver de novo, de novo e de novo. Mas nunca vejo!
“ Just say yes”, da Taylor Switt, na música Love Story.
“Meu chefe mudou minhas férias e não sei quando poderei tirá-las no ano que vem”, da amiga que iria (ou ainda vai) viajar comigo.
“I won’t hesitate no more, no more”, do Jason Mraz, na música I’m Yours.
“Pode deixar que empurro o carro”, minha, quando achei que o carro ia atolar numa pauta. Estava brincando...
P.S. Não esqueçam do desafio. Vamos ter prêmio %%%
E a foto acima esconde um furão dorminhoco, flagrado no Zooparque de Itatiba.

sábado, 15 de agosto de 2009

Quando as palavras preenchem a alma

"Não se compreende música: ouve-se. Ouve-me então com teu corpo inteiro.
Quando vieres a me ler perguntarás por que não me restrinjo à pintura e às minhas exposições, já que escrevo tosco e sem ordem. É que agora sinto necessidade de palavras - e é novo para mim o que escrevo porque
minha verdadeira palavra foi até agora intocada. A palavra é a minha quarta dimensão"
A edição é de 1973. Não tinha nascido ainda, mas ela já publicava seus livros. Suas palavras estavam há meses na minha prateleira. Tentara uma vez ler Àgua Viva, mas abandonei. Não estava preparada ou talvez não sintonizasse a mesma música da autora. Encontrei a obra num sebo, por isso as páginas amarelas. Na capa, uma mulher com olhar triste, envolvida por uma burca colorida que revela apenas o rosto do ser feminino. Olhos sem cor. Inquietos. Poucos riscos traçam seu perfil. Hoje, as palavras me embriagaram. Causaram-me hipnose. Li do início ao fim 118 páginas, sem parar. Esparramei-me na poltrona do quarto onde o sol explodia pela janela e iluminava as linhas retas de Clarice Lispector. "Este livro é uma linha reta no espaço. É sempre atual, e o fotômetro de uma máquina fotográfica se abre e imediatamente fecha, mas guardando em si o flash. Mesmo que eu diga 'vivi' ou 'viverei', é presente", disse-me ela, com toda a sua liberdade de expressão. O tempo foi passando, o raio de sol se estendendo na atmosfera e partindo para outros cantos. Meu lado foi escurecendo aos poucos, mas clareando minha alma a cada página virada. Como ela consegue ser tão transparente? Não há uma história. São pensamentos em palavras, que escorrem no presente como se não houvesse passado. Ela traduz a inquietude da vida fazendo das palavras seres pensantes. "Então escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é palavra". Clarice é confusão e pensamento em Água Viva. Por isso a leitura deste romance não é fácil, a priori. É visceral. Eis o motivo de deslumbrar-me na leitura. Ela se debruça em questionamentos, vai e volta a todo instante, abandona a máquina de escrever e se entrega a ela no momento seguinte. Fala muito de morte, mas apresenta a vida como talvez nenhuma outra mulher a tenha desmistificado. "Tudo acaba, mas o que te escrevo continua. O que é bom, muito bom. O melhor ainda não foi escrito. O melhor está nas entrelinhas". A escritora não está nas entrelinhas. Sua alma está no interior do livro. Mostra-se sem vergonha. Nua. Transparente. Quem me dera esta coragem! Quem me dera esta ousadia ou este dom! Na década de 1970 Clarice já era uma mulher em lua-de-mel com a literatura. E falava muito de morte - esta que veio buscá-la não muito tempo depois. Como ela mesma diz, tudo acaba, mas o que escreveu continua em livros que festejam mais idade que eu. "Diga-me, por favor, que horas são para eu saber que estou vivendo nesta hora. Estou me encontrando comigo mesma: é mortal porque só a morte me conclui". É hora da sua eternidade, Clarice! E eu a festejo. Apaguei a luz ao sair da poltrona. Deixei-me despejada na sombra do silêncio. Então, algumas palavras ainda me perseguiam no breu: "Domingo é dia de ecos..."

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

A linda pessoa do Fernando

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas
Que já têm a forma do nosso corpo
E esquecer os nossos caminhos
Que nos levam sempre aos mesmos lugares
É o tempo da travessia
E se não ousarmos fazê-la
Teremos ficado para sempre
À margem de nós mesmos.
***
"É fácil trocar as palavras,
Difícil é interpretar os silêncios!
É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!
É fácil sentir o amor,
Difícil é conter sua torrente!
Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.
Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição
De qualquer semelhança no fundo."
-- Fernando Pessoa --

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Homem das pombas - O personagem

Quem se aventura pelo jornalismo literário - não é meu caso ultimamente - saberia que o 'homem das pombas', um cara que mora ao lado da empresa onde trabalho, daria um belo perfil. Ele é o cara! Mistério é a palavra que melhor o define. Vou explicar porque quase todo mundo que conhece a figura o chama assim. Peraí, ninguém conhece ele de verdade ou tem amizade. Nem ao menos sei o nome dele! É um ser estranho e acho que agora começo a explicar essa história. O rapaz tem mais de 40 ou 50. É uma incógnita. Seu corpo é bem, mas bem magrelo, de saltar os ossos pra fora. Tem mais ou menos 1 metro e meio de altura, cabelos brancos, compridos, presos por um rabo, sempre. Vira e mexe anda sem camisa pelas ruas. Toda vez que saio às 23h do trabalho lá encontro ele, travando um relacionamento com o milho no asfalto, ou varrendo a cagada das pombas e botando tudo numa pá. Juro que eu queria saber onde ele leva aquela pá e o que faz com a sujeira. Isso acontece todo dia, aos olhos de quem passa pela praça que existe ali, aos olhos de todos. E tenho certeza que ele não faz isso pra limpar a rua. Não, não. Aí tem coisa. Por volta das 18h ou 19h, quando as pombas ainda não dormiram, ele espalha o milho. Faz uma trilha geometricamente calculada e estrategicamente planejada. Mais tarde, vai buscar o que sobrou e recolhe tudo com a nojenta pá. Parei com a mania de estacionar o carro na frente da casa do homem das pombas. Uma vez encontrei ele na janela, esticando um cachorro magricelo, quase sem pelo [pois é, não leva mais acento] e retirando as pulgas e carrapatos do coitado do cão. Tirava e jogava na calçada. Com a brisa, voaria tudo sobre os carros parados ali. Tá, isso nem é um problema grande, o purgueiro do cão e do homem. A questão é que todo dia ele chacoalha o lençol na janela e o pedestre desavisado vai ter de encarar os ácaros e bactérias que sobrevoam a via pública. Mas sinto que a paixão dele é pelas pombas. De tão bem alimentadas, as pobres e perigosas [só porque causam doenças] pombas ficaram para todo o sempre na praça. Então, qualquer pessoa em sã consciência tem o cuidado de andar por ali. Já fui vítima duas vezes das fezes e urina desses bichos. Meu carro, então! Todo dia é premiado. Hoje saí da empresa pensando se as pombas estavam com a barriga cheia ou a mira boa. Passei veloz sob as árvores e não avistei o homem das pombas. Mas quando entrei no carro, passei a mão no cabelo e senti... Não era o que eu esperava. Tirei logo aquilo e joguei em qualquer canto. Então veio o cheiro estranho. Era aquele inseto que apelidaram de "vaquinha fedida". Não acreditei! Melhor uma cagada ou esse bicho? De qualquer forma, concluí que as pombas já estavam bem alimentadas, pois podiam ter deixado o milho de lado e comido a vaquinha. P.S.: Não tenho nada contra as pombas e odeio pessoas que matam esse bicho. Aliás, qualquer bicho!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Pandemias

Olá, "monstro de escuridão e rutilância"! É sempre assim que um amigo querido me cumprimenta quase todos os dias - e se não fosse querido fico imaginando como é que ele me chamaria. Pois hoje eu encasquestei. De onde ele tira isso? Eis a resposta: Augusto dos Anjos. É uma parte do poema "Psicologia de um vencido", que transcreverei quando acabar este post. Mas que coisa mais romântica! Cumprimentar-me com um trecho de um poema... Nem todo dia a gente tem essa honra! Estou de volta após um tempo em Paris, como a Adelaide Cristina relatou a vocês na última semana. Foi bom enquanto durou. Tudo é lindo! Tudo maravilhoso, mas acordei para a vida quando uma amiga que eu não via há algum tempo faleceu na semana passada, de gripe suína. Fiquei arrasada! Éramos muito amigas no magistério e guardo diversas fotografias nossas juntas. Começo a ficar assustada com esse vírus cretino. Me vejo na obrigação, portanto, de compartilhar tudo o que aprendi essa semana, numa entrevista com o biomédico que ficou famoso num programa de tevê aos domingos à noite. Ele é fantástico! Não queria dizer o nome do programa, mas fica aí nas "entrelinhas". Já o biomédico, que também não vou citar o nome, costumava atacar bactérias. Também fica aí nas "entrelinhas". Enfim, vocês sabiam que uma gota de saliva contém 2 bilhões de bactérias? E que a pele contém 3 bilhões? Assoprar a velinha de aniversário ou a colher com comida quente ficam, obrigatoriamente, proibidos, certo? Deixar de lavar as mãos nem se fala!!! Higiene é a palavra do momento. Gente, o uso do álcool gel não substitui a lavagem das mãos, tá? E se as mãos não estiverem limpas, não adianta passar o álcool a cada 1 minuto. Se mesmo assim você for teimoso e passar a cada 60 segundos, saiba que a sua pele será danificada pelo produto, causando frestas por onde entrarão as famintas bactérias. Aí melou tudo! Além disso, pra evitar pegar qualquer espécie de gripe neste inverno, a resistência do organismo deve estar lá em cima. Nada de comer uma folhinha de alface no almoço e outra no jantar. Alimentação saudável [com mais de duas folhas de alface, pelo amor de Deus!] é fundamental para não deixar a resistência cair. É isso! Quero amigos com saúde e por muuuuito tempo ao meu lado. Agora fiquem com o poema do Augusto dos Anjos que, nas entrelinhas, está citando a minha pessoa. Parece até que o poeta já estava prevendo uma pandemia... Psicologia de um vencido Eu, filho do carbono e do amoníaco, Monstro de escuridão e rutilância, Sofro, desde a epigênesis da infância, A influência má dos signos do zodíaco. Profundíssimamente hipocondríaco, Este ambiente me causa repugnância... Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia Que se escapa da boca de um cardíaco. Já o verme — este operário das ruínas — Que o sangue podre das carnificinas Come, e à vida em geral declara guerra, Anda a espreitar meus olhos para roê-los, E há-de deixar-me apenas os cabelos, Na frialdade inorgânica da terra!

domingo, 9 de agosto de 2009

Meu herói de sempre

Minha fortaleza
Meu porto seguro
Meu anjo da guarda
Sangue do meu sangue
Amor em forma de homem
Mil vezes pai, mil vezes te amo!

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Com licença, muito prazer!

Olá, meu nome é Adelaide Cristina e sou a narradora deste texto. Você não me conhece, nem a Paula, mas tomei a liberdade de me apropriar do espaço vago que a blogueira deixou.
A moça de pijama saiu cedo de casa, bem cedo. Já não estava mais de pijama. Vestia um casaco esportivo, jeans e tênis. Tinha uma mochila nas costas, aparentava ansiedade no rosto e alegria no olhar. Nas mãos, levava uma grande mala, que era arrastada até o carro. Abraçou seus pais, pegou uma amiga, e foi em direção ao aeroporto. Destino: Paris. Era o grande sonho dela(s).
O voo demorou 11 horas e então elas desceram deslumbradas na Cidade Luz. Ao longe, avistaram a mais alta das torres. Não conseguiram ir até o hotel, sem antes passar pela torre, obra construída por Gustave Eiffel, com a participação de 72 engenheiros e cientistas. Talvez as moças nem soubessem disso, mas eu, Adelaide Cristina, andei lendo que deixaram de fora o nome de uma mulher, Maria Sophie Germain, que também teve importante contribuição na construção do monumento. O machismo da época só permitiu que os 72 homens tivessem o nome grafado na torre.
Reparei bem. Elas estavam tão extasiadas diante da obra, que jamais passou pela cabeça delas a esquecida Maria Sophie. Pobre coitada! Tão inteligente. Teve de cursar a faculdade se fingindo de homem. Não aceitavam mulheres na sala de aula. E ela concluiu o curso sem que ninguém soubesse que havia uma aluna dentre os machistas franceses. A torre do Gustave Eiffel completa 120 anos este ano. Maria Sophie e os 72 babacas já morreram, mas, a cada ano, 6 milhões de pessoas continuam a admirar a maior estrutura metálica já construída até hoje.
Neste exato momento é primavera em Paris. Lá estão as duas moças, incluindo a blogueira, que me deixou entrar em seu pensamento para fazer essa viagem. Elas vão ficar por lá cerca de dez dias e, vez ou outra, voltarei para dar novas informações.
Adelaide Cristina, narradora em pensamento.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Fragmentos da terça-feira

[dentro do elevador] _ Pai, por que a tia está sentada e a gente vai de pé?
[dentro do carro] _ Fiquei 15 dias em casa indo dormir às 2h e acordando meio-dia. Nem vi o tempo passar...
[numa entrevista] _ A deficiência está no psiquismo.
[da chefe] _ Tal pessoa tem mais mão pra escrever. (hein? só conheço pessoas com duas mãos)
[um e-mail] _ Que a gente possa se ver mais.
[de um deficiente visual] _ A cor do cabelo dela ficou ótima!
[de uma amiga] _ Minha cabeça está tão confusa.
[da minha mãe] _ Vai ver a bagunça que o seu pai fez.
Frases que animam, outras que desanimam e outras que surpreendem. Capturei algumas neste dia e afugentei aqui no blog. Algumas coisas vão passar. A garotinha do elevador vai crescer e saber que a "Tia" sentada é uma auxiliar que aperta os botões dos andares. O motorista do carro vai voltar à realidade pós-férias e entrar no ritmo do trabalho; a entrevista será diferente a cada dia; a chefe vai sempre cometer injustiças, mesmo tendo boa intenção; os e-mails vão substituir a fala um dia (isso infelizmente até já acontece); o cego vai continuar com seu bom humor, mas nunca poderá ver a cor do cabelo da esposa; a amiga terá menos confusão quando acertar os ponteiros biológicos do coração; e a minha mãe é a minha mãe. É a zeladora do meu pai, um tremendo bagunceiro quando o Alzheimer insiste em ficar. Algumas coisas a gente ultrapassa. Outras, simplesmente são como são.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Coisas sem (muito) sentido

A adolescente que existe dentro de mim acabou de ler ontem o terceiro livro da série "Crepúsculo" - aquela velha história de vampiros. Este terceiro, que vem depois de "Lua Nova", chama-se Eclipse e fica um pouquinho mais movimentado porque a garota, Bella, se apaixona também por um lobisomem, a segunda opção dela após morrer de amores por um vampiro lindo - o Edward. Morrer de amores foi uma expressão exagerada, eu sei. Mas explica bem a capacidade de alguém que está prestes a se tornar uma sanguessuga. Até aqui foram mais de 1.300 páginas. E, até agora, só um filme produzido: Crepúsculo [em novembro estreia Lua Nova]. E eu? Continuo apaixonada pela história, que deve terminar daqui a dois livros. Apaixonado pela vida é o que eu diria de um amigo que me mandou um e-mail esta manhã, desejando que a minha semana fosse "tão cheia de luz, de vida e de alegria... que deixasse saudades". Então fiquei pensando como fazer para que esta semana seja realmente inesquecível a ponto de sentir saudade dela. Difícil, hein? Se não fosse pela mensagem dele, tudo estaria dentro da normalidade, do padrão rotineiro. Mas comecei a prestar atenção em cada coisinha, por menor que pareça, e dei mais valor ao que me passava despercebido. Um olhar, um toque, uma música, um obrigada, uma conversa, um abraço apertado em quem tá indo pro exterior amanhã, a ausência da dança... Quando cheguei em casa, esta noite, o céu parecia um artesanato bordado com fios de cetim. Pintava cores e formas atrás da lua alta. Um espetáculo que eu não teria notado se fosse um dia qualquer. Sem livro pra ler, mas uma pilha de revistas me esperando, decidi não fazer nada e caçar palavras na internet. Aproveitei para analisar um berne escaneado no blog de um fotógrafo [que doidera do Daniel!] e ler histórias de bichos que fazem uma expedição no corpo do homem. Foi um safari e tanto! A dica do dia para quem estiver apaixonado pela vida é ouvir a música "Lucky", do Jason Mraz e da Colbie Caillat. Vou ser tão boazinha que acrescento o vídeo por aqui mesmo. Então, quando estiverem ouvindo, sintam vontade de agradecer por várias coisas boas, como acordar com saúde, ter mente sadia, ter amigos, ter vida e audição não só nos ouvidos, mas principalmente no coração. Relembrem uma viagem que deixou saudades. Pode ser uma viagem rumo ao interior de si mesmo. Tem coisa boa aí dentro, certo? Então arranque tudo o que há de bom e ponha pra fora essa semana, uma semana pra você também sentir saudade!
"A liberdade é a possibilidade do isolamento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo" (Fernando Pessoa)

domingo, 2 de agosto de 2009

Momento Ana Carolina

"Não vou viver como alguém que só espera um novo amor / Há outras coisas no caminho aonde eu vou / Às vezes ando só, trocando passos com a solidão / Momentos que são meus e que não abro mão / Já sei olhar o rio por onde a vida passa / Sem me precipitar e nem perder a hora / Escuto no silêncio que há em mim e basta / Outro tempo começou pra mim agora / Vou deixar a rua me levar / Ver a cidade se acender / A lua vai banhar esse lugar / E eu vou lembrar você" (Pra rua me levar) "Aqui / Eu nunca disse que iria ser / A pessoa certa pra você / Mas sou eu quem te adora / Se fico um tempo sem te procurar / É pra saudade nos aproximar / E eu já não vejo a hora / Eu não consigo esconder / Certo ou errado, eu quero ter você / Ei, você sabe que eu não sei jogar / Não é meu dom representar / (...) Não dá pra ocultar / Algo preso quer sair do meu olhar /Atravessar montanhas e te alcançar / Tocar o seu olhar / Te fazer me enxergar e se enxergar em mim / Em mim... Aqui" (Aqui)
"Nas ruas de outono / Os meus passos vão ficar / E todo abandono que eu sentia vai passar /As folhas pelo chão / Que um dia o vento vai levar / Meus olhos só verão que tudo poderá mudar / Eu voltei por entre as flores da estrada / Pra dizer que sem você não há mais nada / Quero ter você bem mais que perto / Com você eu sinto o céu aberto" (Ruas de outono)