sábado, 25 de fevereiro de 2012

As torres de dentro

A felicidade vem assim, de mansinho, em doses homeopáticas. É por isso que eu continuo tomando florais, porque, num piscar de olhos, ela aparece e desaparece. E quando ela surge, vale mais a pena do que vê-la se esvair. Ontem, descontrolada, comprei uma overdose de leitura. Descontrole total, confesso. Coisa que a menina Luana já não tem mais, e a invejo [inveja da branca].

Enlouqueço numa livraria. Não tem jeito. Parece que os livros conversam comigo, me convidam pra abri-los, xeretá-los, folheá-los. Trouxe três pra casa. Os três da Martha Medeiros. Afinal, é um achado ver os livros dela nas prateleiras. E olha que já li vários títulos desta escritora gaúcha, mas desta vez achei três "inéditos" pra mim. E por R$ 15 cada um! Ora, pois. É quase uma ofensa deixar o livro na prateleira por um preço desses. Tive dó. Comprei, estou feliz, são meus! Que pensamento mais possessivo, né?

Comecei por "Montanha-Russa" e uma das crônicas que mais gostei até agora foi "As torres de dentro".

"Já tive torres internas que foram ao chão. Torres altas demais pra mim, torres que nem chegaram a ficar concluídas (as de dentro nunca se concluem), torres que me exigiram esforço, e que me deram prazer, até que alguém, com uma frase, ou com um gesto, as fez virem abaixo. Tinha gente dentro, tinha eu". [Martha Medeiros]

A felicidade vem assim, do nada, por nada. De repente a gente tropeça num sorriso, até mesmo quando lê uma passagem triste. É por isso que sou sua fã, Martha. Sua escrita me seduz.

P.S.: As outras aquisições: "Topless" e "Trem-Bala", da LP&M Pocket. Todos de crônicas.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Em ritmo de Scorsese

Quase acabando o Carnaval... Gracias, Dios! E o momento mais relax destes quatro dias foi ver "A Invenção de Hugo Cabret", de Martin Scorsese. É um dos filmes mais bonitos que já assisti em 3D, pois o recurso é bastante utilizado. Diferente de algumas produções em que a terceira dimensão é vista apenas em alguns momentos.

Gostei muito do filme, principalmente das imagens, belíssimas, de Paris. Ah, Paris, sua linda!!! A história é bacana. O garotinho Hugo trabalha bem. E a neve de Paris em 3D, como se estivesse caindo sobre o público no cinema, me emocionou. Taí, uma boa dica pra este feriado! Pra quem não trabalha, claro.

"A Invenção de Hugo Cabret" conta a história de um garoto que vive entre as paredes de uma estação de trem e tem como missão consertar - ou dar corda - nos relógios. No seu "esconderijo", ele guarda um robô que esconde todo o mistério do filme. Eis o trailer abaixo.




quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Lipocavitação

"Você é livre para fazer suas escolhas. Mas é prisioneiro das consequências"
[Pablo Neruda]

Será que existe lipocavitação para o coração? Daria pra lapidar um pedaço aqui, outro ali, e deixar o bichinho pulsante no ponto de novo? Eu aprendi a gostar, mas não aprendi a "desgostar". Alguém se aloja num espaço importante e como é que se faz para desapropriar essa habitação? Não sei despejar um sentimento.

Perto e longe sempre foram coisas distintas, mas agora elas têm o mesmo significado. É um olhar que ultrapassa a alma, um sorriso que demonstra desejo, uma fala que fica pela metade. Ali, tudo tão perto, e ao mesmo tempo tão distante. O coração sangra, a decepção e a frustração vêm à tona. 


Sofrimento.
Aflição.
Calma.
Angústia.
Tristeza.
Tempo...

Tudo é lido num olhar.
Tudo é interpretado num gesto.
Tudo é dito no silêncio.
Inclusive, tudo o que  não era pra ser dito.   

sábado, 11 de fevereiro de 2012

A crise dos 35...

Alguém me disse que a mulher, aos 35 anos, está no auge de sua beleza. Ou simplesmente no auge. E o que dizer para aquelas que se sentem lá embaixo, aos 35? Alguém encontra uma solução? Se essa teoria "conspiratória" for verdade, o que dizer então quando eu sair dos 35? Melhor nem pensar no despenhadeiro que se abrirá. 

Bom, mas na dúvida, o dr. Google responde. Uma busca rápida aponta para várias pesquisas científicas. E a verdade é: o auge da beleza feminina é aos 31. Já passei dessa fase, se é que alguma beleza eu tive. Estou conformada. Congelada por essa baixa autoestima que me afetou nos últimos dias.

Sabe aquela fase em que o único cara que te nota é o frentista do posto de gasolina? Ou o segurança na porta da escola? O pedreiro em cima do telhado? E o mais inusitado: o coordenador de um órgão de defesa do consumidor [medo!]? Não tô desmerecendo ninguém, não. O fato é que eu mesma não tenho olhado para os lados. Ando meio inerte e tenho motivos. Por isso, acho engraçado quando alguém "me percebe" nesta fase em que eu gostaria de ser a mulher-invisível, tipo aquela personagem do X-Men. Ou também poderia ser a Amélie Poulain, quando se desmancha.

É... estou dando as boas-vindas para a crise dos 35 anos. Entre, se aprume, mas não demore, ok? Não gosto de visitas que se arrastam por um bom tempo. Diga a que veio, me faça refletir, e pegue seu rumo, crise!


Maria Fernanda Cândido, quase 38, maravilhosa.
Será que alguma mulher, feia ou bonita, passa pela vida sem crises?!


 

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Mais longe que deuses

"Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio 
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa, 
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado, 
Mais longe que os deuses"
[ Ricardo Reis ]

As leituras se acumulam na minha estante, e eu, sem tempo, acumulo a vontade de devorá-las. Quero tanto, que quando quero, a ansiedade enche o pote e me desconcerta. Começo a ler uma coisa, acho interessante, encontro outra ainda mais incrível e, assim, nada termino. Mas de tudo que li hoje, algumas coisas se enraizaram.

Uma delas é a frase de um homem, Ray Towler, de Ohio. Após cumprir uma pena de 29 anos por um crime que não cometeu, disse apenas: "O passado não pesa mais do que as coisas pelas quais se anseia". Lindo isso. Superar o que passou e seguir em frente, sem olhar pra trás. Grande lição!

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O seriado "A Gifted Man" me emocionou no nono episódio de hoje. É uma versão mais moderna de "House" e, embora o médico seja também 'the best' [e lindo!], tem menos mau humor. Normalmente ele sempre consegue curar os pacientes - como faz o Dr. House. Mas hoje, sei lá, deixou uma vida escapar. E fez várias lágrimas rolarem por aqui. Vida e morte. Causa e consequência. Finitas.

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As palavras de Pablo Neruda também passaram por meus olhos nesta sede de leitura. Buscava inspiração pra escrever algo, mas ela ainda não veio. Em "Cem Sonetos de Amor", Neruda faz poesia sobre a manhã, a tarde e a noite. Escolhi um período e mergulhei, sem respirar. Absorvi o poema amor, mas ainda preciso aprender mais sobre ele.

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Visual novo no blog. Sabe aquela história de "bater na madeira" pra espantar o azar [ou seria trazer sorte]? Ah, sei lá. Eu simplesmente gosto da madeira. Quem quiser, pode bater! E aqui me vou. Com ou sem inspiração, preciso escrever. Tenho de entregar um trabalho amanhã, sem falta. Ah, Neruda!!! Eu escolhi a noite. Me traga os ventos chilenos literários!

 Não vejo a hora de por o pé na estrada
 e fazer jus à alma sagitariana...