quarta-feira, 29 de junho de 2011

Você tem pressa do quê?

Estava congelando dentro do carro, a caminho do curso de inglês. Fora do meu veículo, a neblina cobria a cidade e também a visão de muita gente a poucos metros de distância do nariz. Eram pouco mais de 7 horas da manhã e os contornos da cidade estavam embaçados, quase apagados.

Estacionei o carro e atravessei a rua correndo porque estava um pouco atrasada para a prova - a última de um curso de 2 anos. Ufa! De tão apressada, quase atropelei, a pé mesmo, um rapaz que vinha puxando uma dessas carroças de carregar papelão. E na estrutura metálica estava escrito em letras pouco miúdas: "Pra que a pressa se o futuro é a morte?"

Nossa, que macabro! Mas fui para a prova pensando nesta frase e nas coisas que ainda preciso fazer, sem pressa. Tanta coisa! Porém, nada grandioso. Quero ir pra Londres [Vic, me espera!!!]. Quero ver meu pai melhorar ainda mais; quero assumir novas funções no trabalho, como a que vem por aí; quero escrever meu livro começado e não acabado; quero viver um grande amor; quero recomeçar uma amizade que estava distante; quero suspirar mais vezes de felicidade e também "flutuar com um sorriso enigmático", como diria um amigo meu. Quero... Quero as coisas mais simples da vida. As mais bobas e que não passem despercebidas.

Claro que tudo isso dá vontade de realizar ontem. Afinal, ninguém sabe o dia de amanhã ou mesmo como será hoje, até o deitar do sol. Mas a pressa às vezes atrapalha os planos da gente. Eu mudaria a frase na carrocinha de papelão para apenas "pra que a pressa?".  

Desejo um dia sem pressa pra você!

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Choconhaque

Esta semana foi marcada por experimentações. No início da semana me reuni com amigas para um encontro junino. Logo que entrei na casa da anfitriã senti o cheirinho de chocolate derretido na panela. Era o tal do choconhaque quente. Uhhhhmmmm, pra quem nunca provou, taí uma coisa para experimentar antes de morrer. Acrescente à lista de desejos irresistíveis e imperdíveis. É realmente delicioso e me fez dormir feito um anjo. Ah, e me fez rir mais...

Depois, no dia seguinte, outras amigas me arrastaram pra comer em um restaurante light, que tem um nome natureba também, Ipê Amarelo. O cardápio era feijoada com legumes [e carnes sem gosto], lasanha de abobrinha [achei inédito!] e outras coisitas mais que eu nunca havia provado. Contrariando minha própria natureza, experimentei tudo. Acho que meu tempo de "menina enjoada" tá acabando. Mas, tradicionalmente, concluímos o almoço com um saboroso creme de chocolate. Nada light, diga-se de passagem.

Nunca fui chocólatra, mas nesse friozinho não tem coisa melhor, né?

sábado, 18 de junho de 2011

Último trem para casa


Last Train Home - Ryan Star

Conheci esta música há uma semana, quando alguém me ofereceu de presente. Ela me dá sensação de liberdade, de pegar a estrada e ir pra longe. Sem destino, sem lenço, sem documento. Apenas andar por aí e ver o que é que há. Gritar de felicidade. Ouvir o vento soprar. Beijar na chuva. Observar os pingos escorrerem pelo vidro. Andar de bike. Caminhar pela praia. Molhar o pé no mar. Fotografar borboletas. Despentear o cabelo. Cantar baixinho. Matar a saudade. Rir para o horizonte. Ver o sol acordar e depois deitar. Andar de mãos dadas. Olhar nos olhos. Falar com o olhar. Dançar abraçadinho. Ficar em silêncio. Espiar a vida pela janela. Lembrar de um momento especial. E, no último trem, voltar pra casa. Ou não.


quinta-feira, 16 de junho de 2011

Saudade que ultrapassa o quarto

Das palavras ao vento
Das músicas
Do meu quarto
Da minha cama
Dos meus livros
De mim...

Senti saudade de muita coisa esta semana em que meu quarto estava passando por uma leve reforma e, consequentemente, tudo ficou de pernas para o ar. Até a dona do quarto. Agora temos um tom "lilás primavera" na parede, o que me trouxe certa tranquilidade. As escolhas da vida, de tão simples, se tornam complexas. Tinha escolhido rosa para uma das paredes. Fiz o teste. Odiei. Comprei lilás. Adorei. Simples, mas porque existe uma infinidade de cores nas lojas? Pra confundir a cabeça da gente, claro. Tons de rosa deve haver uns 100. De lilás, uns 40. De amarelo, uns 200. De branco... Até branco existe mais de um! E eu que sempre pensei que branco era branco, verde era só verde.

Os dias em que dormi fora do meu quarto foram dias de saudade de muitas coisas. Guarda-roupa, cômoda, livros, cama, roupas, sossego. A saudade se expandiu e senti falta de gente. Sim, de amigos(as). Senti falta de conversar com pessoas que não vejo há tempos. Pessoas que moram no coração. Saudade de gente que está longe e de gente que está bem perto.

Saudade de colocar as coisas todas no lugar. De ajeitar a alma. Guardar algumas coisas na gaveta do tempo. Vestir roupas na nudez do meu pensamento, na minha tristeza. Senti saudade de organizar meu coração e colar os fragmentos na parede da solidão.

Vesti a alma do avesso esta semana. Pintei o quarto de lilás. Encontrei cores que há muito tempo não pincelavam por aqui. Estou com saudade de mim, se é que isso é possível...

terça-feira, 7 de junho de 2011

Non-Stop

A fita métrica do amor



Como se mede uma pessoa? Os tamanhos variam conforme o grau de envolvimento. Ela é enorme pra você quando fala do que leu e viveu, quando trata você com carinho e respeito, quando olha nos olhos e sorri destravado. É pequena pra você quando só pensa em si mesmo, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas: a amizade.

Uma pessoa é gigante pra você quando se interessa pela sua vida, quando busca alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto. É pequena quando desvia do assunto.

Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma. Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos clichês.

Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas: será ela que mudou ou será que o amor é traiçoeiro nas suas medições? Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande. Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.

É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos. Nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros, mas de ações e reações, de expectativas e frustrações. Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente, se torna mais uma. O egoísmo unifica os insignificantes.

Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande. É a sua sensibilidade sem tamanho.

[Martha Medeiros]

OBS.: Ando lendo Martha Medeiros, como sempre. Tento variar, mas vira e mexe um livro dela me cai sobre as mãos. E lá vou eu  pelas páginas divertidas e sensíveis da escritora. "Non-Stop" reúne dezenas de crônicas do cotidiano. Entre elas, esta acima, que reproduzo com o devido crédito e dedico à minha amiga Rosa Maria, sempre presente na minha fita métrica de amigos. É a mais forte e talvez nem saiba quanto é importante para a vida, especialmente para a minha.


domingo, 5 de junho de 2011

Post it

dizia Clarice Lispector que "domingo é dia de ecos". A escritora fez parte da faxina literária hoje, no meu quarto. Desfazer-se de alguns livros me corta o coração. Mas Clarice eu preservei, mesmo com suas páginas amareladas. Velhas palavras, novas realidades.

"Não se compreende música: ouve-se. Ouve-me então com teu corpo inteiro". Enquanto fazia a faxina, ouvi pelo menos umas 30 vezes a cantora Adele, com meu corpo inteiro. E o refrão penetrou minha alma:  "sometimes it lasts in love / but sometimes it hurts instead".

"Escrever é o modo de quem tem a palavra como isca... O que salva então é escrever distraidamente". Clarice me inspirou a vir escrever sem compromisso. A parir palavras que eu mesma nem sei onde vão dar ou a quem vão chegar.

Hoje costurei alguns retalhos da minha vida. Encontrei cartas de amor entre os livros e as traças. Virei páginas, revi histórias de 20 anos atrás. Joguei fora o que já não tinha importância. Guardei na estante o aroma do passado, as cartas que não escrevi, os livros que fincaram raiz em mim.

"Tudo acaba, mas o que te escrevo continua... O melhor ainda não foi escrito. O melhor está nas entrelinhas". Só não foi para fora de casa o livro amarelo de Clarice, porque, ao abri-lo, descobri os post-its com essas frases que acabei de destacar.

"Água Viva" continua na estante.  Adele continua cantando. E domingo é mesmo dia de ecos. 

sábado, 4 de junho de 2011

Paula Fernandes



Quase minha xará. Bela voz!

E o amor resistiu ao tempo...
A paixão move os meus dias.
Não escolhi música.
A música me escolheu. [Paula Fernandes]



quarta-feira, 1 de junho de 2011

Música & Cinema

Por indicação da minha amiga Vic, nossa leitora da Inglaterra, dei uma espiada nas músicas da cantora Adele, que anda fazendo sucesso por lá e talvez até por aqui, já que passei no blog do Felipe e ele também indica a cantora. Adorei ouvir "Someone Like You". É minha preferida entre outras que escutei. Por favor, dê uma espiada também, só assim saberá do que estamos falando. A mulher é realmente um show! Aqui, minha canção predileta. Não canso de ouvir.

Outra dica do dia é o filme "Se beber não case - Parte II" [The Hangover - Part II]. Se o primeiro foi bom, o segundo é demais. Embora a história tenha a mesma trama do primeiro, a diversão é garantida. E as fotos no fim do filme são realmente muito criativas. Fico imaginando o elenco se divertindo à beça para produzir aquelas cenas. Vale a pena!  É capaz de curar uma TPM, acredite.

Uma das cenas mais engraçadas:
acordar com uma tatuagem dessas no rosto,
no dia do casamento.