quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Overdose literária

Da preguiça como método de trabalho. Não, não é a lentidão da mente e do corpo pós-Carnaval. É o título do livro de Mario Quintana, uma saborosa miscelânea de contos, crônicas, fábulas, trovas, comentários, entrevistas e poemas. A obra caiu na minha mão ontem, quando uma amiga me ofereceu para ler. Então estacionei a leitura das cem crônicas do Pratinha (Mario Prata), meu escritor predileto, e me contive para não começar a ler “A menina que roubava livros” (Markus Zusak), um presente que ganhei da minha irmã, também ontem. Estou certa de que estarei bem servida nos próximos dias, degustando páginas de autores com estilos diversos. Pra começar a semana, na atípica quarta-feira, deixo duas ‘receitas’ de Quintana:
“... E se eles te apertarem muito sobre o que quiseste dizer com um poema, pergunta-lhes apenas o que Deus quis dizer com este mundo...” “Quanta história a gente inventa com a maior sinceridade – a história de que me quiseste, a história de que te quis... Tudo foi comédia? Não. Um artista põe toda a alma que ele tem no papel que representa. Por isso a gente é tão feliz... e tão desgraçada também”

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Cindy e Romeu

Eu era Cindy. Agora sou Romeu, dá pra acreditar?
Carnaval, já foi tempo de. Chuva, já caiu do céu tudo o que havia. Calor, pelo amor de Deus, chega. Médicos, de gente ou de animal, cuidado. Era uma vez uma gatinha chamada Cindy, uma siamesa mestiça adotada por uma tia minha, lá em Mogi Guaçu, onde estão todos os meus parentes. Conheci a Cindy no ano passado e fiz a primeira foto dela - até então ninguém tinha feito. Lindos olhos azuis! Quando cresceu um pouquinho, minha tia a levou para castrar. No dia da operação, o veterinário fez o corte na barriga da menina de quatro patas e fechou de novo. Disse à dona da gata que nunca tinha visto um caso raro como aquele, era impossível fazer a cirurgia de castração. Dois dias depois da cirurgia - que resultou só no corte mesmo - minha tia observou a Cindy se lambendo e, de repente, o pipi do gato estava para fora. A Cindy era um gato! E o veterinário não viu as bolinhas (entenda testículos) dele... Inacreditável, né? Estive ontem lá na casa da minha tia e fui apresentada ao Romeu, o gato que "substituiu" a Cindy que eu conhecia. Só no Brasil mesmo. Daqui a pouco os médicos de gente não vão saber mais distinguir homens e mulheres. Socorro!
"Não sei se este mundo está são, mas pro mundo que eu vim já não era..." (Nando Reis)

sábado, 21 de fevereiro de 2009

É pau, é pedra...

Coisas, confusão,
continuidade, conclusão.
Decepção, desânimo,
desgosto, depressão.
Traição, trânsito,
travessura, transmissão.
Lei, lentidão,
lesão, lepra.
Carnaval, canseira,
cama, caso, calor, cansaço.
Difícil pensar algo positivo
Quando a alma vaga
Absorta em tantas
frustrações.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Nenhuma lembrança antes dos 6...

"Acho que vi você há uns seis anos, numa janela cheia de neve". Quando o Mark Ruffalo disse isso no filme "De repente 30", podia ter passado despercebido. Mas eu imaginei a cena. Que romântico vislumbrar a pessoa amada atrás de uma vidraça, com neve cobrindo o batente e flocos brancos despencando do céu. Deve deixar a pessoa ainda mais bonita. É... De repente 32. Semana passada uma estudante de 15 me chamou de ‘tia’. Irritou-me profundamente. Mas, considerando que ela usava outro vocabulário, que não o da língua portuguesa, e sim o da aborrecência, não esquentei. Caramba, como ela falava gírias! ‘Tô pagando de bonita’, ‘mó legal’ e por aí vai... Nesse contexto, “tia” era até bacana. Tantos alunos já me chamaram de ‘Tia Paula’! Por falar em alunos, que saudade dos meus pequeninos. Já estão grandes, nem se lembram mais de mim. Isso é algo pra se pensar. Eles tinham 3 anos quando foram meus alunos. Eu não me lembro de nada antes dos 6 anos de idade. Às vezes encontro algumas mães de alunos e elas me contam que os filhos se lembram de mim. Será? Acredito que elas queiram me agradar. Mas se for considerar aquela fotografia clássica de professora abraçada com o aluno, entregando o diploma, sim, esta lembrança eles terão de mim. Era um barato (olha a gíria aí...) ficar com as crianças todos os dias, brincar no parque, na areia, ensinar o alfabeto, as cores, as formas, cantar. Havia na classe o Jonas, teimoso. A Isadora, linda. O Flávio, chorão. O Gustavo, que uma vez mordeu minha mão com tanta raiva que quase arrancou um pedaço. A Carol, uma boneca peralta. A Bia, doce, meiga e independente. A Ingridi, inteligente e carinhosa. O Mateus, que não desgrudava de mim nem por um segundo. O Paulinho, nerd aos 3 anos. O Ítalo, que vomitou durante uns 40 dias até se acostumar com a escola... Em quatro anos, dei aula pra muita criança e lembro do rosto de cada uma. Naquela época, a vontade de ingressar no jornalismo me fez criar um jornalzinho para a escola, entregue aos pais no fim do mês. Havia uma coluna em que eu publicava as gafes ou frases mais engraçadas das crianças. Como o João, uma vez, que me dissera que a cabeça doía demais. “Dói em que lugar, João?” Ele apontou para a barriga e disse: “Bem aqui”. A espontaneidade dos pequenos era extraordinária. Outras pérolas como a ‘pancainha’ tocando, ‘arrama’ o meu tênis ou a Carol dizendo que esqueceu as asas de anjo em casa também ficaram na história. Os chiliques das crianças ainda merecem destaque: umas batiam a cabeça na parede, outras puxavam o próprio cabelo ou mordiam o braço. O Ítalo, vomitava, claro. Mas eis que o jornalismo entra no meu caminho de vez. As aulas foram abandonadas. Tudo acabou: A noite do soninho, o desfile de pijamas, a semana da criança, o Dia do Índio, Páscoa, Festa Junina, Carnaval... Todas as datas comemorativas parecem ter se evaporado do meu calendário, ou pelo menos ter menos relevância quando se está longe das crianças. A lembrança dos meus alunos, no entanto, vai ficar para sempre. Tomara que eles, mesmo aos 3, tenham registrado esses momentos divertidos na memória. É... Talvez o ‘tia’ da semana passada tenha me caído bem. Às vezes é bom lembrar que o tempo está passando. De repente já são sete anos fora das salas de aulas. Só acho triste perceber que a Educação no Brasil caminha para o precipício. Cerca de 3 mil professores da rede estadual tiraram nota zero em exame do governo e, destes, 1.500 já estão em sala de aula este ano.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Depois da sexta 13

O tempo ainda se arrasta
O trabalho me cansa
O corpo vira um bagaço
É quase meio-dia
De mais um dia
Que ainda vai brotar
Sua outra metade
Cheia de surpresas

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Sonho, fantasia, perplexidade

Sonho à noite. Pesadelo de dia. Ando sonhando coisas (bem) estranhas ultimamente. Hoje, por exemplo, despencou um ônibus do céu na rua de casa e, mais ou menos como um personagem de "Transformers" (vai vendo...), se recompôs e levou consigo - para o alto de novo - uma vizinha que não vejo há anos. Em outro momento do sonho, um cachorro me disse que não via a hora de voltar para Londres. Acordei com essas imagens na cabeça e nada fazia sentido, claro. Pelo menos naquela hora. Então, conforme as horas foram passando, o dia se estendendo, meu mundo caiu (lembrei do ônibus). Sabe quando você confia inteiramente numa pessoa, ou pelo menos a envolve num cantinho especial do coração, e de repente descobre que ela é mais uma entre tantas outras? A queda foi grande. A decepção, maior ainda. Fiquei péssima. Tive taaanta raiva de mim. Mas agradeci a alguém lá em cima por me mostrar um caminho, que agora eu sei, será distante dessa pessoa. Se tem uma coisa que não perdoo é traição. Nem foi comigo. Mas mesmo assim é imperdoável. Imperdoável! Agora entendo o mal-estar, a tristeza, o silêncio. Nada justifica. Continua sendo imperdoável. Começo a achar que as maluquices do sonho fazem sentido. Algo despencando... Uma transformação como se houvesse uma máscara... Alguém sendo levado embora... Ah, Paula, às vezes acho que você tá ficando louca mesmo. Até associações de sonho? Bom, sei lá, dizem por aí que os sonhos têm significados. Mas tem de saber interpretá-los, certo? Com certeza não é minha especialidade. O que eu diria sobre um cachorro querendo voltar para Londres? Olha que ao cachorro eu até daria nome. Mais um entre tantos outros. Essa é a semana do tango. Não há regras de tantos passos para trás ou tantos para frente. Tem de ficar atenta aos comandos do parceiro. A regra é encará-lo. Ou como diria meu professor, 'ter sensualidade no olhar, como se fosse comer o parceiro'. Gostei. Pratiquei. Dei risada de mim mesma. Se não deixar o corpo quase cair enquanto caminha para cima da outra pessoa, o tango não está correto. Leveza, elegância e sensualidade. Três ingredientes que fazem dessa dança uma gostosa mistura de entretenimento. Censura. Andei pensando se publicava ou não o primeiro texto lá em cima. Às vezes fico me censurando e, quando faço isso, escolho uma música e boto no blog. Geralmente ela exemplifica o que estou sentindo. Num dos blogs que acompanho, li outro dia "poemas como desculpas para declarações" [Lipe Fonseca]. É quase isso o que acontece aqui, sempre que aparece uma música ou um poema. Minha própria alma censura a si mesma. Parece absurdo, não? Decidido. O texto vai ficar bem lá onde está. E ponto final. (bem que eu gostaria de falar mais...) Melhor parir um poema agora.
"Espinhos, vidros rotos, enfermidades, pranto
assediam dia e noite o mel dos felizes
e não serve a torre, nem a viagem nem a muros:
a desventura atravessa a paz dos adormecidos (...)"
Pablo Neruda

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Peripécias sobre 4 patas

Estão falando de mim, é? Hoje estou bem mais gordinha...

No primeiro dia de 2008 ela estacionou as quatro patas no portão de casa. Sem combustível, ali ficou. Tinha cara de cachorro de rua, carente, muito carinhosa. Fazia festa quando via alguém chegando. Os vizinhos, e também nós, começamos a alimentá-la. Logo estava para dentro do portão. Portanto, ela escolheu a casa e a família. A Babalu é Mestrinel desde então. No início, os dois gatos não gostaram muito da nova 'irmã', mas acabaram se acostumando às trapalhadas da garota.

Said e Sophia: o jeito foi aceitar mais quatro patas

Juramos que não teríamos outro cão em casa, após a Paquita ter ficado 18 anos conosco. Estava trabalhando quando ela morreu. A imagem dela na minha memória é de uma cachorrinha feliz, apaixonada pelo meu pai. A Babalu, por coincidência ou não, é a cara da Paquita. O mesmo humor, a mesma teimosia, focinho idêntico. Mas este primeiro ano com a Babalu já ultrapassa as peripécias da Paquita durante 18 anos. Pra começar, nos primeiros meses ela fugiu de casa e voltou prenha. A barriga foi crescendo, crescendo e logo explodiram nove filhotes. A família aumentou assustadoramente. Assustadora também era a ideia do que fazer com tantos cachorros!

Café da manhã dos filhotes
À medida que cresciam os oito filhotes - um morreu porque foi rejeitado por ela - caíamos em estado de graça. Aos poucos, e com aperto no coração, conseguimos com que todos fossem adotados e tivessem um novo lar. Então, a família voltou ao tamanho normal: três pessoas, dois gatos e um cachorro. Para precaver um novo acidente, castramos a Babalu, que nunca deixou de escapar para a rua quando podia - até o dia em que fugiu pela última vez (espero que seja).

Saudade desses gorduchinhos...
Eu estava saindo do banho, atrasada como sempre para ir ao trabalho, quando escutei uma freada brusca de carro na rua e, em seguida, os berros da Babalu. "Foi atropelada", pensei. Numa atitude solidária do mundo animal, todos os cachorros dos vizinhos começaram a latir, como se quisessem socorrê-la. O desespero tomou conta de mim, sozinha em casa. Não achava a chave para abrir a porta e ela gritava cada vez mais, estendida no asfalto. Numa tentativa desesperada (de dor, claro), ela tentou me morder quando fui tirá-la do chão. Não conseguia levantar. Eu continuava sozinha, pois nem o imbecil que a atropelou parou para socorrer. Embrulhei o corpinho torto dela numa toalha, pus dentro do carro e fui imediatamente à clínica veterinária.
Resultado: a Babalu acabava de fraturar a bacia e o fêmur. Chorei. O que fazer com uma cachorra - não gosto da palavra cadela, embora fosse a mais adequada - com a bacia quebrada? Nada. Não há o que fazer, segundo o veterinário, além de repouso. Nem o fêmur foi imobilizado. Ficou dois dias internada e voltou para casa, péssima. Eu preferia que todas as loucuras dela voltassem a vê-la naquela situação. Ficou 40 dias deitada. A teimosia escapuliu-se. Eu diria até que ela entrou em depressão.
Antes do acidente, eu pensava em inscrevê-la naquelas competições de corrida de cães (agility). O talento dela é incrível. Faz-me lembrar os carneirinhos pulando a cerca nos sonhos, só que em alta velocidade e com vários obstáculos. Fiquei triste quando imaginei que ela não voltaria a correr tão cedo, ou se voltaria.
O acidente foi em outubro passado. Minha irmã estava na África e me ligou justamente na hora que eu voltava do veterinário, inconformada, arrasada, chorando. Ver a Babalu - a cachorra mais 'capeta' que já tive - com o corpo estatelado no chão acabara comigo. Ficaria boa?
8 de fevereiro de 2009. Ninguém diz que a Babalu quebrou a bacia e o fêmur, a não ser por um detalhe: o rebolado engraçado. A mais nova Mestrinel voltou a correr feito louca e faz cinco minutos de demonstração das suas habilidades toda vez que chego em casa. É muito divertido! Preciso achar o botão 'desliga' desse animal. Voltou a pular, subir o degrau do jardim e irritar os gatos com seus momentos insanos. A lição que tirou de tudo isso foi evitar sair às ruas. É estranho (quer dizer, é ótimo), mas ela aprendeu que quando o portão eletrônico abre, ela tem de controlar seus impulsos. De vez em quando chega 'na cara do gol' e volta atrás. Talvez se lembre de um corpo estendido no chão ou não suporta ouvir, agora, os nossos berros:
Baaabaaallluuuuuuu!!!!
Eis a figura, também conhecida como Babaluca

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

11 coisas

Onze coisas que valeram a pena nos últimos dias...
1o - Ver as fotos da minha amiga Vic na neve de Londres 9 - Assistir de novo ao filme "De repente 30", com Mark Ruffalo 8 - Pesar na balança e perceber que ganhei dois quilos 7 - Caminhar com meu pai numa manhã ensolarada 6 - Observar um painel de fotos só com bichos na Zoonoses 5 - Comermorar com meu amigo Gu o novo emprego 4 - Ficar sem fazer nada no domingo, apenas na companhia da música 3 - Dormir cedo e tarde também 2 - Ler um artigo de Mariusa Colombo sobre meio ambiente 1 - Encontrar os amigos do trabalho na casa de um grande amigo 0 - Dar muita risada Onze coisas que não valeram a pena nos últimos dias: 0 - Trabalhar mais do que devia 1 - Beijar só por beijar 2 - Dor de cabeça do início ao fim do dia 3 - Faltar à aula de dança 4 - Dormir cedo demais... 5 - ... E mesmo assim acordar cansada 6 - Ficar triste à toa 7 - Assistir ao Faustão (só para ver Alanis Morissette) 8 - Ter estoque baixo de assunto no blog 9 - Esperar alguém que não aparece nunca 10 - Sonhar que estava beijando um político da cidade (pior pesadelo que já tive)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Save you

"Sometimes /I wish I could save you /And there's so many things /That I want you to know / I won't give up /'Till it's over / If it takes you forever / I want you to know" (Simple Plan)
Ela tinha cabelos brancos até os ombros, lentes grossas nos óculos e usava roupa larga, embora magra. Devia ter pouco mais de 70 anos, rosto esmagado como maracujá, olhar distante. Passou pela minha mesa, enquanto eu almoçava com a solidão, e não reparou que havia uma alma ajeitada na cadeira, olhando para ela.
Seus passos eram lentos, assim como os gestos. Tirou sem pressa da carteira alguns trocados e pagou para a moça do caixa. O almoço fora para a barriga e o dinheiro, para a moça do caixa. [Repare na moça do caixa: cabelo preso por uma touca, pele morena, olhos negros. Dedos ágeis nas teclas do micro. Aliás, no restaurante mais antigo da cidade, o micro é novidade. Onde será que está a outra moça do caixa? Aquela que sempre estava lá com olhos verdes, dentes muito grandes e maquiagem carregada?]
Bom, deixa a moça do caixa para lá. A velhinha agradeceu e disse que iria tomar um café. Dirigiu-se até o próximo balcão - o de doces e salgados - e abriu novamente a carteira para pagar o almoço (que há menos de 15 segundos havia pago). Lá vai a moça do balcão perguntar para a moça do caixa se aquela senhora havia esquecido de pagar a refeição.
_ Ela pagou. É meio esquecida _ disse a moça do caixa para a moça do balcão.
Então a senhora de cabelos brancos pediu um suco de abacaxi. No mesmo instante, ouvi a moça do caixa dizendo que ela queria um café e não um suco.
Perdi a fome. A velhinha devia ter alguma demência, como Alzheimer, por exemplo, e estava sozinha no restaurante. Começou o embate das duas moças: a do caixa e a do balcão. Preparavam um suco ou um café? Deixaram a velhinha de lado e foram atender outras pessoas que aguardavam ansiosas, como eu, o fim daquele episódio.
Decidi não esperar, já que a senhora dos cabelos de neve esperava, pacientemente, encostada no balcão, como se a vida passasse lentamente sobre seus olhos. Não expressava nenhuma preocupação, nenhuma impaciência, nada. Ficou ali. Uma alma debruçada sobre o mármore do restaurante. Talvez já tivesse esquecido o que queria.
Passei por ela, como um vidro transparente. E foi assim que me senti, transparente. Não fiz nada para salvá-la. Ela estava em outro mundo. Talvez melhor que o meu, cheio de omissão e covardia.