quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

A passagem da tristeza

Último dia do ano. Mais um ano! Parece que nem vi seus dias passando, suas horas correndo velozes. Como dizia Cazuza, o tempo não pára. Aliás, quem foi que inventou o tempo, hein? Acordei triste hoje. Fui trabalhar com uma certa nostalgia na alma...
Seria muito egoísmo de minha parte pedir que o tempo parasse? Quando a pessoa que a gente mais ama tem Alzheimer, desejaria que este tempo ingrato não existisse. Às vezes penso que seria bom ver os ponteiros do relógio parados, só para não continuar vendo a doença progredir a cada dia. É muito difícil observar que nos últimos meses ele mergulha mais no universo estranho e confuso dele. Qualquer simples frase já não tem sentido (quando ele consegue pronunciá-las).
Estava adiando para escrever sobre isso. Afinal, falo muito pouco sobre o Alzheimer com outras pessoas. Escrever é meu melhor desabafo e não incomodo ninguém. Parece que vou esvaziando o coração e depositando palavras nesse meu cantinho externo que (eu acho) poucos têm acesso.
No dia do meu aniversário, em novembro, postei apenas as coisas boas que aconteceram. Resolvi que não iria citar o episódio que envolvia meu pai. Fomos jantar numa pizzaria e, na volta, ele não reconheceu a nossa casa. Não queria descer do carro. Foi a primeira vez que deixou de reconhecer uma coisa tão sua. Percebi que seus olhos estavam totalmente perdidos, correndo de um lado para outro, tentando localizar algo que o fizesse lembrar do cenário que ele mesmo construiu. Também não lembrou que era meu aniversário e nem se importou em me dar presente - coisa que ele nunca fez antes. Sempre pedia para minha mãe comprar algo para mim.
Daqui a 13 dias ele completa 64 anos. Meu Deus, é tão jovem ainda! Como pode piorar desse jeito em tão pouco tempo? Já tentei compreender, busquei motivos, razões, causas científicas... Nada me conforta ou ampara. Às vezes me digo conformada, mas vejo que ainda não superei. Essa doença é cruel demais! Tira a pessoa aos poucos da gente; faz com que ela vá desaparecendo dentro de si mesma, feito um eclipse atingindo paulatinamente o cérebro. Ele já não entende nada do que dizemos. Não absorve uma palavra. Seus ouvidos são como vento forte, levando para longe tudo o que foi aprendido.
Tento disfarçar a tristeza para minha mãe não desmoronar de vez, mas acho que também tenho direito de, pelo menos neste último dia do ano, derrubar lágrimas, transbordar o choro, lavar a alma. Estou com o coração em pedaços e minha fragilidade nem está me incomodando. Preciso de solidão hoje. Quero ficar com a minha dor e apenas chorar.
Que 2009 traga força e saúde à minha família! É só o que peço. E que a tristeza passe veloz neste Ano Novo, como sempre foram as horas...

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Pés no chão e cabeça voando...

Jundiaí, 29 de dezembro. 7 horas da manhã. Quando o despertador do meu celular tocou, fiquei feliz por saber que veria o mar mais um dia. Abri os olhos e vi a estante de livros em meu quarto. Estava em casa. E não era pesadelo. Angra ficou para trás e eu precisava levantar da cama para voltar ao trabalho. Aghhhrrr! Ninguém merece. Pior foi acordar às 7h, desfazer a mala, e lembrar que minha chefe havia mudado meu horário na semana passada. Portanto, hoje, eu entrava às 15h. Voltei a dormir. Sonhei com mais uns pedacinhos de Angra...
Praia Vermelha
Praia da Vila Histórica de Mambucaba, com chuva, mas alguma cor havia...

Natal sem ceia

Um degradê mágico misturando água, areia, cores.
Olha eu aí!
Diário de bordo. 6h15 da manhã, 24 de dezembro de 2008. Acabei de desembarcar a mala na pousada de Angra, sob um céu indescritivelmente vermelho. A imensidão sobre minha cabeça era pincelada pelos primeiros raios de sol, que zarpavam pelas frestas das nuvens e se lançavam ao mar. Dava pra ver uma fileira de golfinhos na água, deslizando sem pressa pela ilha, como se estivessem brincando de costurar a água. Já dizia a música, beautiful day!
Respirando. Longe de casa, do trabalho, do estresse. À primeira vista, apenas coqueiros, mar, um barquinho solitário, a serra, as ilhas... São 365 ilhas em Angra. O sol aparecera em instantes, fazendo um convite ao passeio. O transporte? Uma escuna. E lá foi ela, mar adentro, cheia de pessoas e olhares atentos ao verde das águas. O termômetro marcava 36 graus. Perfect day, eu diria. Passei o dia em alto mar, descendo e subindo pela escada da escuna, molhando e secando o corpo, penteando e despenteando o cabelo, escondendo e torrando ao sol. Impossível fugir dele!
Fim de tarde. 'O barquinho vai, a tardinha cai'. Estou de volta à pousada e minha amiga lembra da ceia de Natal. Bate o desespero. Tudo fechado. Nada comestível nas malas. Estávamos a 40 quilômetros do centro de Angra - equivalente à distância entre Jundiaí e Campinas. Por volta das 20h começa a peregrinação, em busca de um prato de comida. Fomos a todos os lugares possíveis. Até mesmo na casa de uma senhora que prepara marmitex e mora ao lado da pousada. Não. Ela não quis vender nenhuma 'quentinha' na noite de Natal. Esgotadas, nos rendemos às bolachas recheadas do frigobar e brindamos (saúde!) com coca-cola.
No ônibus. Pela primeira vez este ano andei de ônibus. Aliás, há quanto tempo eu não andava no transporte público!? Sei lá. Fazia um bom tempo. Lá em Angra posso dizer que andei mais que nos últimos anos e conheci transportes diferentes, com tarifas também diferentes: R$ 2,10, R$ 2,85, R$ 3,95... Mas, enfim, na véspera de Natal eu estava dentro de um desses 'circulares' e fiquei pasma com a quantidade de gente que subia no ônibus sem dinheiro para pagar a passagem. O cobrador fazia descer. Puxa vida. Era noite de Natal! Essas pessoas deviam estar indo para alguma ceia, sem dinheiro e, agora, sem transporte. Pensei nelas enquanto comia algumas bolachas recheadas. E nem reclamei da minha ceia!
O verde das águas...
Os primeiros raios de luz
Faltou luz, mas era dia... 6h15

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Vento no litoral

( Fiz essa foto na Ilha Bela / Revéillon 2007-2008)
Legião Urbana Composição: Renato Russo
De tarde quero descansar Chegar até a praia e ver Se o vento ainda esta forte E vai ser bom subir nas pedras Sei que faço isso pra esquecer Eu deixo a onda me acertar E o vento vai levando Tudo embora... Agora está tão longe Ver a linha do horizonte me distrai Dos nossos planos é que tenho mais saudade Quando olhávamos juntos Na mesma direção Aonde está você agora Além de aqui dentro de mim... Agimos certo sem querer Foi só o tempo que errou Vai ser difícil sem você Porque você esta comigo O tempo todo E quando vejo o mar Existe algo que diz Que a vida continua E se entregar é uma bobagem... Já que você não está aqui O que posso fazer É cuidar de mim Quero ser feliz ao menos, Lembra que o plano Era ficarmos bem... Eieieieiei! Olha só o que eu achei Cavalos-marinhos... Sei que faço isso Pra esquecer Eu deixo a onda me acertar E o vento vai levando Tudo embora...

domingo, 21 de dezembro de 2008

Sticky & Sweet Tour

Foto tirada minutos antes do show, iniciado com Candy Shop.
Pronto. Agora tenho no currículo um grande show. Quando as luzes do Estádio do Morumbi se apagaram e o palco lançou seus refletores coloridos sobre o céu de São Paulo, Madonna brilhava como uma estrela e o público delirava. Foi de arrepiar! Mais que isso, foi sensacional, como descreveu minha amiga Vitória, que dançou o tempo todo. Nem sou tão fã de Madonna, mas sonhava assistir um mega-espetáculo. Fiquei mais do que satisfeita. A energia da popstar é contagiante, assim como o som, mesclando canções novas e velhas. "Sticky & Sweet Tour" trouxe roupagem diferenciada às músicas de Madonna, transitando por ritmos diferentes e coreografias impressionantes. O próprio palco já era um show. Tivemos de comprar binóculo para não perdermos um só minuto. Enfim, faltam-me adjetivos para descrever o show. Valeu cada centavo, cada instante, cada música. Foi demais!!! Só não entendo por que, até hoje, nunca me interessei em ver um espetáculo desses de perto. Life is a mistery...

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Isso não é uma mensagem

Não é segredo. Já disse algumas vezes aqui no blog mesmo: não gosto de Natal. Estou até irritada com a porção de mensagens natalinas abarrotando minha caixa de mensagens. Gente que nem conheço me manda cartão de Natal pela internet! Uns mais criativos, outros sem qualquer imaginação e outros simplesmente tradicionais, repetitivos. Tá, tudo bem, não estou mal humorada. Só precisava desabafar. Pronto, acho mesmo um porre as mensagens de Natal. É isso.
Nessa época do ano é costume do brasileiro (aliás, de qualquer ser terreno) enviar uma mensagenzinha qualquer. Mas por e-mail? Ah, não tenho paciência. Desculpe, se me mandar uma dessas vou deletar, sem abrir. Tá, vou espiar, admito. Mas vou apagar depois. Esse é o destino das mensagens virtuais.
Hoje fui ao Correio e mandei quatro cartões de Natal. Na semana passada, dois. Puxa, quer coisa mais legal do que receber, em mãos, um pedaço de papel escrito por uma pessoa que durante alguns minutos se dedicou a escrever para você e teve o trabalho de postar no Correio? Pode ser uma prática obsoleta, mas eu ainda gosto e acho bastante intimista.
De qualquer modo, não fique esperando uma mensagem de Natal neste blog, ok? Aliás, no Natal estarei vendo o mar de Angra dos Reis, da janela de uma pousada, em frente ao oceano... Estou contando os dias!!! Me lembrarei, sim, do menino Jesus (hei, não sou cética!) e agradecerei por todas as mensagens que eu li e até as que eu não li. Só não fique mesmo aguardando algumas linhas neste sentido. O máximo que direi é 'bom fim de ano'. E para não ser tão chata, Feliz Natal!

O romance de Edward Cullen

Há exatos 20 minutos teve início, nas salas de cinema do Brasil, o filme "Crepúsculo". Para quem não leu o livro, da Stephenie Meyer, que já é considerada uma das cem pessoas mais influentes do mundo, o título pode não significar nada. Já para quem leu... Não aguentei esperar pela estréia, hoje, e fui à pré-estreia, ontem. Como diz minha amiga Bel Bueno, 'nenhum romance será mais o mesmo depois de Edward Cullen'. Tem razão! Devemos reconhecer: o filme já é a maior bilheteria do ano nos Estados Unidos e, o livro, o mais vendido no Brasil.
Edward Cullen é o vampiro bonzinho da história, de beleza estonteante e olhar envolvente (bota envolvente nisso!), que se apaixona por Bella, mera mortal, e vive um amor (im)possível. Os dois têm 17 anos - embora ele tenha nascido em 1908, sabe como são as histórias de vampiros - e, talvez por este fato, o cinema estava repleto de adolescentes, ansiosíssimas para ver o protagonista. Leia o livro e vai saber porquê. Bom, devo confessar que eu também estava eufórica, desde a hora que acordei ontem, pois sabia que veria o Edward à noite. Não era a única, claro. Minhas cinco amigas que sentaram ao meu lado no cinema tinham a mesma sensação. Um filme só para mulheres? Eu diria que em partes, pois retrata a história de um amor mágico, puro, incomparável, um amor de sonhos e desejos. Se você for um homem romântico, tenho certeza que irá gostar. Mas recomendo a leitura do livro, infinitamente melhor que o filme, com muito mais riqueza de detalhes. É simplesmente apaixonante e minha imaginação é muito melhor! A trilogia da, agora, bilionária Stephenie, ainda segue com "Lua Nova" e "Eclipse" - este, a ser lançado em 15 de janeiro. Já estou roendo os dedos!
É... voltei a ser uma adolescente, mas qual mulher não gostaria de ter ao seu lado um homem lindo, gentil, forte e... perigosamente perturbador, principalmente quando beija seu pescoço?

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Casos e causos

Foto feita pela Cris Hautz, em pauta na Câmara Municipal.
(Bom lugar para um nariz de palhaço, não acha?).
Neste dia juro que não tropecei!
Interessante observar como grande parte das pessoas tem medo de jornalistas. Entre ontem e hoje entrevistei três prefeitos da Região e todos parecem recepcionar a imprensa com sete pedras nas mãos. Depois do 'bom dia' seco e objetivo do prefeiturável de hoje, a conversa fluiu bem, o bate-papo sobre as expectativas para 2009 transcorreu tranquilamente, até o momento em que o fotógrafo pediu para o chefe do Executivo ajeitar a bandeira do Brasil em sua sala. Meu Deus, como ele suava! E nem estava calor pela manhã... A situação foi engraçada. Sorri por dentro. A expressão dele era de quem suspira: 'que bom, já acabou a entrevista'.
Ontem, foi minha vez de interpretar a 'jornalista atrapalhada' - não consigo imaginar como alguém pode ter medo de mim. Enquanto caminhava em direção ao 'prefeito do dia' para cumprimentá-lo, levei um escorregão e quase fui amparada pelo próprio prefeito! Acho que desta vez ele sorriu por dentro. Porém, a cena mais cômica envolvendo prefeituráveis ocorreu na posse de 2005, quando um deles resolveu marcar coletiva. Pra variar, eu e o fotógrafo chegamos atrasados e, enquanto eu passava em frente à mesa do prefeito (a entrevista já tinha começado), levei um tropeção daqueles! Caí sobre as cadeiras da sala e simplesmente interrompi qualquer raciocínio do prefeito, que pediu para eu tomar cuidado (não sei se comigo ou com as cadeiras...) Após voltar à minha cor natural, sentei-me quietinha ao lado do fotógrafo e, em alguns instantes, uma pilha da máquina fotográfica explodiu (nem me pergunte como!). Novamente a coletiva era interrompida e eu me segurei para não ter uma daquelas deliciosas crises de riso. Foi um dia pra ficar na história. Me lembro de voltar para o jornal, já dentro do carro, com dor de estômago, de tantas gargalhadas.
Sem contar o dia em que fui escalada para ir ao cemitério de Campo Limpo Paulista porque um defunto havia caído do caixão enquanto era enterrado... E não é que o morto estava pelado? Bom, não vamos brincar com o sofrimento alheio. Segure o riso, por favor. Mas eu juro que isso aconteceu!!! O 'causo' foi publicado no Jornal de Jundiaí há alguns anos. Interessante mesmo foi tentar ouvir a empresa que fabricou a urna quebrada e adquirida pela família do morto. O homem esbravejava exatamente assim, do outro lado da linha: "venha subir em cima dos meus caixões para ver se eles quebram!".
Peraí, eu peso só 55 quilos. Não precisava tanto, né? Mas eu quase morri de dar risada. E o dono da funerária quase me matou de verdade.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Mudança de DNA. Temporária?

Felicidade, um estado de espírito que deveria durar para sempre. Estava pensando sobre isso hoje mesmo, quando terminei de ler "Crespúsculo" - acelerei a leitura para ver a estréia do filme na próxima semana, no Brasil. Assim como a mocinha da história, Isabella Swan, sou mal humorada com certa freqüência (só mesmo meus amigos não acham!). Mas peraí, eu também tenho direito, certo? Era isso o que minha terapeuta dizia, quando eu achava que estava errada por ficar com raiva de alguém ou alguma coisa. Parece que a ouço dizendo... Ultimamente tenho andado tão feliz que até me estranho. Mergulhei nas últimas semanas em leitura e dança. Difícil dizer qual paixão vem primeiro. Devorei "A Cabana", "Gula - O Clube dos Anjos" (do Veríssimo), "Crepúsculo" e outros títulos que estão me deixando compulsiva. Já está na mira "A menina que roubava livros" e em breve vou começar a virar suas páginas.
Como disse outro dia, nunca gostei de fim de ano. Mas este, excepcionalmente, me embeveceu. Programei coisas legais para fazer até o Natal e, com certeza, isso decifra o meu espírito.
O que tem a ver a dança com tudo isso? Ah, foi a melhor escolha deste ano e tem sido a responsável por animar minhas semanas. Nos últimos dias, uma dose excessiva de passos explodiu emoções em cada pedacinho meu. Se pudesse, largava tudo para dançar no ritmo de uma música que nunca teria fim... A vida é curta demais para ser levada a sério!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Um beijo roubado

"Demorei um ano para voltar ao mesmo lugar e atravessar aquela rua. Mas valeu a pena, pois tudo depende de quem está te esperando do outro lado". O fim é só o começo. E por que será que a gente tem de esperar até o fim? Essa foi a mensagem que absorvi no filme "Um beijo roubado", que acabo de ver, por indicação de duas amigas. Já tinha lido sobre ele, sobre o excesso de cenas em câmera lenta, sobre a participação de Norah Jones, sobre a trilha sonora (belíssima!)... Enfim, é bacana, mostra sentimento, desmistifica o universo (tão similar) de cada um. Mas acho que fui com 'muita sede ao pote' e esperava mais. Talvez estivesse menos sensível hoje, ou simplesmente faltaram chaves para abrir meu coração. Não, acho que não foi isso. Não me identifiquei com a história das chaves no filme porque, na verdade, as portas de minha alma estão destrancadas. Ultimamente estão tão feliz que nem sei explicar! Num outro dia, 'Um beijo roubado' teria me feito chorar. Hoje, não.