sábado, 29 de novembro de 2008

Nada e tudo

Triste perceber que não significou nada Nada, para mim, era tudo Pra você, qualquer coisa.
Ter e não ter eram a mesma soma
Resultava em zero à esquerda
Fiquei com raiva da sua indiferença
Do seu olhar desviado
Quiçá envergonhado
Tive aflitação ao observá-lo distante
Eu também estava com vergonha
Mas apenas de mim.
Você está sozinho, assim como eu
Com a minha solidão que me preenche
Me faz buscar a mim mesma.
A diferença é que a solidão veste o seu rosto
Decifra a sua expressão
Grita em seu interior melancólico
Superei a perda
E descobri que não perdi nada
Daquele 'tudo' que só fantasiei.
Na verdade, o que você tem?
Um olhar que não é seu
Palavras prontas, infames
Sorriso falso, tristeza.
Estou feliz por não estar ao seu lado
E ser cúmplice de tudo isso,
De uma vida banal e sem graça.

Same Mistake

O mesmo erro
Vi o mundo revirando em meus lençóis
E, mais uma vez, não consigo dormir
Saio porta fora e subo a rua,
Olho as estrelas sob os meus pés
Relembro coisas certas que eu transformei em erradas
E aqui vou eu
Olá, olá! Não há lugar onde eu não possa ir.
Minha mente está confusa mas meu coração está acabado.
Consegue ver?
Perdi o rastro que me guiou, então assim continuo.
Assim, enviei alguns homens à luta,
e um voltou morto à noite,
dizendo que vira meu inimigo.
Disse que parecia comigo.
Então tomei as mágoas e aqui vou eu.
Não estou pedindo uma segunda chance,
Estou gritando com toda a força da minha voz
Me dê razão, mas não me dê escolha,
Porque eu cometerei o mesmo erro outra vez,
E talvez um dia nós nos encontremos
E talvez possamos conversar e não apenas falar
Não acredite nas promessas porque
Não há promessas que eu cumpra,
E minha culpa me inquieta
Assim aqui vou eu
Uh, uh, uh, uh, uh, uh
Tradução da música Same Mistake, de James Blunt

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Vida louca. Vida breve.

Fui trabalhar bem humorada e disposta hoje - coisa rara ultimamente. Ando estressada com o jornalismo, com tudo. Abri o jornal logo pela manhã e a manchete dizia que um aposentado havia estuprado uma senhora de 89 anos. Sim, isso mesmo, 89 anos, quase 90. Fim do mundo? Não, não. A notícia é nessa pequena Jundiaí, que já foi considerada pacata um dia. Momentos depois cheguei à redação do jornal e tive de repercutir a mesma notícia, falando com juiz, delegado, investigador... Enfim, passei o dia atrás da história e descobri mais vítimas, também da terceira idade.
Caramba, só agora, depois de todo o sufoco do jornalismo, consigo deglutir com dificuldade o que aconteceu e fico pasma como a gente acha tudo "normal" diante de tanta notícia ruim. Mas meu Deus, uma mulher de 89 anos??? Estuprada por um homem de 60??? O ser humano tá ficando louco e vem sendo acometido por uma doença que não tem nome. Temo que essa loucura se torne epidemia se não cuidarmos disso tudo com urgência. A Justiça tem de ser feita por aqui mesmo. Não adianta morrer para esperar a tal Justiça Divina. Podia ser minha avó a mulher estuprada, ou a sua. Já pensou nisso?

Onde estarei?

Tem hora que queria deixar de escrever
Abandonar as letras, as palavras
Mas elas não me deixam
Povoam minha mente um milhão de vezes
Minuto após minuto
Difícil parar de pensar por um momento
Descansar o cérebro...
Será que alguém já conseguiu tal façanha?
Só por um instante eu queria ficar neutra
Encontrar meu verdadeiro eu
Me observar de fora
E analisar esta mulher que agora mesmo
Está pensando, escrevendo...
Preciso encontrar minha sombra
Perdida há algum tempo, em algum lugar
Quero acertar os ponteiros do relógio vital
E marcar encontro com algo que faça sentido.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

O Som do Coração

O assobio do vento, o chamado da sirene, a nota musical produzida por um prego, os passos apressados de pessoas caminhando no meio do caos, o coração vibrando mil vezes por minuto... Coisas simples, talvez banais, não passaram despercebidas no filme "O Som do Coração", um dos mais tocantes que me lembro de ter visto em toda a vida. Faz o coração realmente pulsar mais forte. A trama conta a história de um garoto chamado August Rush - aliás, este é o nome original do filme americano, dirigido por Kirsten Sheridan -, filho de um encontro casual entre Louis, um guitarrista de rock e Lyla, uma violoncelista clássica. Ele cresceu em um orfanato com a determinação de um dia encontrar seus pais, que viveram uma linda história de amor. Dono de um talento musical impressionante, o 'little boy' começa a se apresentar nas ruas de Nova York sob o olhar atento de dezenas de pessoas. É simplesmente surpreendente como a história, embora tenha um final previsto, ensine a tocar com o coração. Para quem gosta de música, é uma ótima indicação! A gente percebe que até mesmo o barulho das teclas, enquanto redigimos um texto como este, formam música. Mas só para quem está atento à vida!

Coisas boas de um aniversário

Acordei com 32 anos sábado, com uma dor de cabeça que eu não merecia. Não bastasse a dor, logo cedo dei mal jeito no pescoço e travei totalmente. Mas nada conseguiu abalar as coisas boas do meu particular ano novo. O primeiro presente chegou um dia antes. Veio de uma pessoa que pouco conheço, mas que sempre me surpreende. Era um CD com a gravação de um programa de rádio em minha homenagem. Pelo terceiro ano consecutivo o apresentador Odair Cantamessa, da Rádio Difusora, me presenteia desta doce forma. Numa mistura que congrega música, poesia e literatura, lá está a Paula, retratada em versos e prosa. Que belo presente! Nem sei se mereço tanto. Junto com o embrulho estava uma carta da escritora e poetisa Yole Antiqueira, querendo me ofertar as coisas mais lindas do universo: o brilho das estrelas, a claridade do luar, o calor do sol ardente e a suavidade do mar. E continuou a listar: a beleza da rosa, o cantar do pássaro, a alegria da criança... Fiquei emocionada.
Já nos primeiros minutos da minha nova idade, recebi um telefonema especial. A voz macia como pêssego me fez companhia durante uma hora e meia, ao telefone. Embora estivesse longe, foi como se ficasse ao meu lado nos primeiros 90 minutos do meu aniversário. Adorei!!! Presentaço na madrugada. Se você estiver lendo esta página, saiba que me fez muito feliz, querido.
Minha melhor amiga estava no Espírito Santo, mas me mandou uma mensagem à meia-noite. Que fofa! Não me senti só, embora ela tenha feito muita falta.
As pessoas se acostumaram ao Orkut, então, recebi poucos telefonemas e muitos recados na minha página da internet, onde guardei mensagens lindas, de amigos distantes e outros bem próximos. O tempo ainda me presenteou com uma leve chuva, garoa de fim de tarde. Imaginei gotas de um suave perfume molhando delicadamente a janela do meu quarto e inundando o ambiente com o aroma de lírio. Tenho certeza que você, que me fez companhia na madrugada, teria tido a mesma sensação se estivesse por aqui... Aliás, a foto acima é em sua homenagem.
O único “eu te amo” veio de uma pessoa que eu já esperava que dissesse, pois eu também a amo infinitamente: minha irmã. Particularmente, não gosto de aniversário, especialmente o meu. Da mesma forma que não aprecio Natal e Ano Novo. São datas que me entristecem e não sei explicar o motivo. Mas este ano quero enxergar apenas as coisas boas acontecendo.
Êpa, a minha amiga mais doida, a Rosa Maria, também disse que me ama nos 45 do segundo tempo. Estava quase me esquecendo... E meu pai, em silêncio, me abraçou fraternalmente. Disse muito nesse gesto. O meu maior desejo neste dia é que ele ainda passe muitos aniversários comigo.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Eu quero uma casa no campo...

Estive numa casa no campo essa semana.
Era do tamanho da paz.
Composição: Zé Rodrix e Tavito
Música: Elis Regina
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais
Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
Meu filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros
E nada mais

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Qualquer semelhança... é mera coincidência

O homem e a fera
Seres dilacerantes
Olhar misterioso
Instinto animal

Sem sentido

Ando sem inspiração
O vazio mora em minha mente
A liberdade me distrai
Busco espaço para você entrar
Mas não encontro você
Queria comandar o dia e a noite
Convidar as estrelas a passear pelo céu
Fazer da lua a luz dos instantes
Saudade é a medida do meu tempo
Esperança preenche meu interior
Persigo a felicidade
Busco algo que ainda não sei
Preciso dar sentido à vida
E alinhavar você dentro dela