“Todo mundo tem dentro de si um fragmento de boas notícias. A boa notícia é que você não sabe quão extraordinário você pode ser! O quanto você pode amar! O que você pode executar! E qual é o seu potencial!” [Anne Frank]
***
Há filmes que são digeridos facilmente. Você assiste e passa por eles indiferente. Outros, você assiste e precisa de um tempo para refletir, para trazer para dentro a história deles em você.
"Quando Nietzsche Chorou" e "O diário de Anne Frank" são completamente diferentes. Mas só no enredo. Se você analisar, os dois falam do ser humano, das suas dificuldades de relacionamento, do confinamento dentro de nós mesmos. Triste olhar para dentro e não gostar da pessoa que vê. Mas é bom mergulhar dentro de si e ver do que se é capaz, enxergar como é possível desencavar vontades e desejos em meio aos cacos da alma.
Nietzsche é clichê em seu enredo, embora seja um excelente filme sobre o que se quer da vida e o que não quer carregar sobre os ombros. Sigmund Freud tenta explicar as dores de cabeça frequentes. Mas a história verídica de Anne Frank é bárbara. Uma menina de 13 anos, presa num sótão durante dois anos, enquanto o Holocausto se desencadeia paredes afora. As ideias maduras da garota atrevida fazem-nos pensar o quão curta a vida é, o quanto deixamos de realizar o que queremos.
Em seu diário, ela debruça ligeira seus pensamentos, pois sabe que os dias são uma contagem regressiva. Em uma tão breve vida, conheceu os conflitos familiares, as dúvidas do amor, as duras lições da guerra, o desaparecimento (e a morte) dos amigos. Então, nos deixa seu diário, com uma riqueza surpreendente de maturidade. É um olhar sobre a vida de cada um!
Ela só tinha 15 anos quando foi morta na guerra da Alemanha. Era 1945. Eu não tinha nascido ainda e ela já sabia tanta coisa, em tão pouco tempo... Que bom ter deixado seus escritos.

