domingo, 1 de junho de 2014

Nietzsche e Anne Frank

“Todo mundo tem dentro de si um fragmento de boas notícias. A boa notícia é que você não sabe quão extraordinário você pode ser! O quanto você pode amar! O que você pode executar! E qual é o seu potencial!”  [Anne Frank]

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Há filmes que são digeridos facilmente. Você assiste e passa por eles indiferente. Outros, você assiste e precisa de um tempo para refletir, para trazer para dentro a história deles em você.

"Quando Nietzsche Chorou" e "O diário de Anne Frank" são completamente diferentes. Mas só no enredo. Se você analisar, os dois falam do ser humano, das suas dificuldades de relacionamento, do confinamento dentro de nós mesmos. Triste olhar para dentro e não gostar da pessoa que vê. Mas é bom mergulhar dentro de si e ver do que se é capaz, enxergar como é possível desencavar vontades e desejos em meio aos cacos da alma.

Nietzsche é clichê em seu enredo, embora seja um excelente filme sobre o que se quer da vida e o que não quer carregar sobre os ombros. Sigmund Freud tenta explicar as dores de cabeça frequentes. Mas a história verídica de Anne Frank é bárbara. Uma menina de 13 anos, presa num sótão durante dois anos, enquanto o Holocausto se desencadeia paredes afora. As ideias maduras da garota atrevida fazem-nos pensar o quão curta a vida é, o quanto deixamos de realizar o que queremos.

Em seu diário, ela debruça ligeira seus pensamentos, pois sabe que os dias são uma contagem regressiva. Em uma tão breve vida, conheceu os conflitos familiares, as dúvidas do amor, as duras lições da guerra, o desaparecimento (e a morte) dos amigos. Então, nos deixa seu diário, com uma riqueza surpreendente de maturidade. É um olhar sobre a vida de cada um!

Ela só tinha 15 anos quando foi morta na guerra da Alemanha. Era 1945. Eu não tinha nascido ainda e ela já sabia tanta coisa, em tão pouco tempo... Que bom ter deixado seus escritos.


sábado, 24 de maio de 2014

O segredo dos seus olhos

_ Preciso falar com você.
_ Vai ser complicado.
_ Eu não me importo.
(sorriso irresistível) _ Fecha a porta.

Este diálogo valeu o filme, a história de amor num filme que não é de amor, mas que retrata a leitura de um olhar. O Segredo dos Seus Olhos, recomendo!


Acho que sempre é tempo de dizer o que não foi dito...

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Because I'm Happy



Essa música marcou o mês de abril, que se foi tão rapidamente, escorrendo pelos dedos como água. Ela tocava em todos os lugares no Canadá, enquanto estive morando na casa de filipinos, por um período adorável. Nas baladas, era uma festa! Ao som dela dancei juntinho, me diverti, gargalhei com amigos, assistimos a uma apresentação de dança no gelo. É exatamente assim que ela me deixa... Happy!!! Quando começa, parece que liga um botãozinho e o corpo automaticamente se movimenta. É daquelas canções para guardar no arquivo da mente e disparar lembranças eternas.

Da mesma forma, Vancouver. Ô cidade boa e linda para morar. Cara, admito. Mas sensacional em todos os aspectos. Repleta de montanhas, parques para todos os lados, árvores (cherry blossoms, minhas preferidas), gente bonita e simpática, frio na medida certa, dias com sol, outros com chuva para andar com alguém embaixo do guarda-chuva, praia, tulipas, ursos (felizmente não topei com nenhum na rua), neve no pico das montanhas, pontes imensas sobre o rio Fraser, prédios que riscam o céu com seus reflexos prateados, esportes radicais... Difícil não gostar de algo tão diversificado, uma cidade que abre os braços para pessoas do mundo inteiro.

Amei o intercâmbio cultural, principalmente. Passaria meses estudando, se minha condição financeira permitisse. Transporte público funciona bem e não falta. Tem de tudo na cidade, até cinema que exala o cheiro das imagens ou que faz nevar (amazing!). Não há ócio. Ninguém fica parado devido à quantidade de opções de entretenimento e lazer. Os parques são imensos e a partir deles a gente se deslumbra com uma visão incrível, a pé ou de bike.

Apenas a parte gastronômica deixa a desejar. Comer algo salgado é uma missão quase impossível. Tem um Starbucks em cada esquina, e uma rede americana, chamada Tim Hourtons, também. Porém, em nenhum lugar você encontra uma opção salgada para saborear. Só doce. Meu corpo não aguentava mais tanto açúcar no sangue... Até encontrarmos um restaurante brasileiro!

Quando você viaja sozinha tem de enfrentar mais desafios do que se estivesse acompanhada. Pelo menos é assim que eu vejo. Quando alguém sentava no ônibus comigo e começava um papo de aranha pro meu lado, apenas eu tinha que me desfazer da teia, certo? Cheguei a descer um ponto antes de casa, quando um rapaz canadense começou a me assediar. Ia recorrer a quem? Ao motorista mal humorado que não me ensinou a validar o tíquete do ônibus e me mandou sentar?

Pois é... de todos os amigos que fiz durante a viagem, nenhum morava perto da minha casa, localizada a mais de 20km do centro. Então eu me aventurava sozinha. Um dia desci do trem no meio do caminho e fui passear no shopping. Na volta, entrei "de alegre" no trem errado e parei no fim do mundo. Ou melhor, na porta dos fundos do Canadá. Que desespero! Mas era um lugar tão lindo, que aproveitei para alcançar as montanhas cobertas de neve, apenas com o olhar. Pedi ajuda a uma senhora e consegui voltar sã e salva pra casa.

A experiência foi incrível porque das pequenas conquistas trouxe uma grande riqueza de conhecimento e realizações para a minha verdadeira casa. A maior lição é acreditar mais em mim e na minha capacidade. Deixei também uma riqueza por lá: amigos brasileiros e asiáticos que nunca mais esquecerei. Interessante como em pouco tempo a gente se conecta a amizades profundas. Nunca imaginei que minha melhor parceira em sala de aula fosse ser uma russa! É um bom começo para pensar em novas experiências fora do País.




     

sábado, 15 de março de 2014

Cansou de ser gato?

Sempre tive gatos. Desde pequena convivo com eles. E geralmente mais de um. Em dezembro passado, como a minha gata Sophia estava muito sozinha, e a família muito triste por conta de uma despedida, decidi pegar um filhote para animar a casa. Mas já passou pela minha cabeça um ligeiro arrependimento.

Amarelo. Nunca tive um gato amarelo. Foi isso o que pensei, quando vi o pobre coitado gastando seu estoque de miados, em volume absurdo, numa gaiola. Estava na avenida, com uma senhora que pretendia doá-lo junto com outros, não amarelos obviamente. Adotei!

Entre os nomes de famosos, como Tom, Brad e Robert, achamos que tinha cara de Tom Cruise. E então 'estreou' no mundo Tom Mestrinel, que logo ganhou vários apelidos dadas as suas travessuras. O 'melhor' deles é "Diabo Loiro". O resto é impublicável.

Acho que já dá pra ter uma noção da personalidade do meu gato amarelo, que neste momento está no chão, planejando um salto na minha estante de livros. Pronto, achou uma tomada para brincar. Se levar choque, confesso, vou achar graça. Já lavei as mãos, entreguei aos céus.

Se a Sophia pudesse falar, além de miar, diria: é insuportável!!! A família diz isso em coro.

Nunca antes na história da minha vida - só para plagiar nossa querida presidenta - tive um gato terrorista. São quase três meses em casa e quase tudo está destruído. Não sobrou um vaso de flor com terra. Cavou e fez túnel em todos eles. Quebrou louça, mordeu o rabo da minha cachorrinha, atracou os dentes no braço da minha mãe (inúmeras vezes), adotou um bicho de pelúcia com o qual briga e transporta pela casa o tempo todo.

O Tom certamente não é gato. Cansou e deixou disso. Encarnou um pitbull, talvez um urso polar e um leão-marinho. Controla a vida da minha gata e já decidiu que vai mandar no pedaço. Salta feito uma lebre. Ataca como um guepardo. Dança como um bailarino tentando fazer alongamento pelas paredes. Se contorce como se estivesse no pole dance ou no tecido acrobático.

Não é gato. Pensa que é pássaro. Voa pelas cortinas. Sobrevoa a mesa da sala, dá um rasante nas orelhas da Sophia, e também nas da minha irmã, pra alegria de todo mundo.

Há quanto tempo eu não tinha um filhote... Tão adorável!!! Quer dizer, tão encapetado!!! Tem dias em que chego a pensar que não há conserto para essa criatura. Só resta amá-lo... Quando está dormindo, claro.

Juro, minha pilha acabou. Acho que só um exorcista pra dar jeito nesse filhote de...sei lá o que.


Quem diria, hein mocinho? Andam falando mal de você...

domingo, 26 de janeiro de 2014

Minhas duas internas

Minha amiga Roberta Borges me apresentou a Madeleine Peyroux, uma cantora nascida na Georgia, e cuja cuja música me levou a um passeio de bike sob o Arco do Triunfo, em Paris. Sozinha. Engraçado como minhas "alucinações" me tornam solitária também. Não consigo projetar alguém ao meu lado. Só a sensação de andar de bike com o vento cortando o rosto já me faz feliz.

Além da música, uma frase me deu o empurrão que faltava para decidir se deixo o medo tomar conta de mim ou se me lanço de vez em mais uma aventura. "O homem não consegue descobrir novos oceanos, se não tiver coragem de perder de vista a costa." [Andre Gide]

Tão eu! Adoro perder de vista a paisagem, deixar para trás, pelo menos uma vez ao ano, meu porto seguro, e embarcar numa nova empreitada. Férias se aproximam! Planos borbulham. Mas o medo me atrapalha. Pensar demais me complica. Eis o xis da questão.

Se lança ao mar, Paula! Já estou num estágio de loucura que me dou conselho e quase aceito. Ou melhor, aceito. Não sei o que é pior. Corre atrás do sonho, Paula! A vida é breve. "A vida é só o meio entre o nascimento e a morte", já dizia Martha Medeiros, que tem me acompanhado nas últimas noites com seus textos de "A graça da coisa".

Ter frio na barriga, desafios para enfrentar e discussões internas acaloradas só apimentam a relação entre mim e mim. Sabe aquela história de que há duas pessoas dentro da gente? Então, a primeira que me habita é a mais certa da cabeça, aquela que vive no conforto da rotina e também a que mais tem medo. A outra é a mais 'cool', aquela que se entrega sem pensar, que vai adiante, com medo ou sem ele. Sou uma mistura das duas hóspedes em mim. E o atrito entre elas é perturbador, algumas vezes.

Vai, Paula! Anda logo que o ano está só começando. Sai do lugar, mulher!!!
E eu vou. Ah, essas duas me matam... Vou soprar do meu ombro a que menos me incentivar.



"Don't wait too long"
Música de Madeleine Peyroux, feita sob medida para mim