"Até onde posso vou deixando o melhor de mim.
Se alguém não viu, foi porque não me sentiu com o coração"
[Clarice Lispector]
Os exercícios de raciocínio lógico, para mim, não têm lógica. Eles até teriam, talvez, se eu tivesse mais tempo para pensar sobre eles. Mas analise a situação: você está com a prova na mão, cansada dos exercícios de interpretação de texto, gramática e, de repente, aparece o enunciado de um exercício que só tem números numa sequência maluca, sem nexo. Daí, a pergunta: qual é o próximo número da sequência? Pô, eu vou saber?! Pra mim realmente não tem lógica. Hoje eu estava persistente. Não desisti! Fiquei travando uma luta com os neurônios e acho que até acertei algumas "lógicas" - até então sem lógica.
Quem presta concurso público sabe o quanto é chata essa vida. Desgastante, eu diria. Mas vai que... Nunca se sabe! Uma hora dá certo. Fiquei pensando na prova de hoje se tudo aquilo servia para alguma coisa [60 questões gigantescas de múltipla escolha e mais três discursivas, que eu pouco imaginava as respostas]. Por exemplo: mesóclise, ênclise, próclise, denotação, conotação, advérbios, conjunções, interjeições, paronímias, sinonímias, homônimos perfeitos... Onde a gente usa isso? Escrevendo um texto jornalístico?
Olha, por que os concursos não avaliam nossa experiência de vida? Já pensou uma prova que avaliasse o seu coração? Quanta felicidade, decepção ou tristeza já teve? Quantas vezes chorou, sorriu, calou, ouviu...? Quando foi que você se saiu bem em determinada situação? Quando se deu mal? O que aprendeu até hoje? O que não faria de novo? O que faria novamente? Quais pessoas elegeria para passar o resto da vida no seu coração? Quais não entrariam nele? Qual é o seu objetivo? Puxa... Tão mais fácil justificar essas questões... Isso, pra mim, é raciocínio lógico.
Não me interessa saber que X é Y, nem todo Y é Z e nenhum Z é X [uma das questões pra afirmar o que seria correto]. É.. Clarice, até onde pude, deixei o melhor de mim. Mas ninguém quis sentir o meu coração.




