domingo, 26 de outubro de 2008

Um alerta sobre Alzheimer

"Meu pai sempre foi um homem ativo, trabalhou muito a vida inteira. E foi justamente no trabalho que as coisas começaram a fugir do controle. Ele tinha uma fábrica de carenagem e desenvolvia peças desenhadas por engenheiros. De uma hora para outra começou a errar as medidas e também os cálculos matemáticos simples. Na agência bancária, esquecia a senha toda semana e eu precisava desbloquear a conta. Começou a perder chaves com freqüência, documentos e papéis. O resultado era acusar alguém da família, que estaria escondendo o objeto perdido. As palavras também eram constantemente trocadas por outras que não faziam sentido numa frase, como ‘fui à padaria comprar sapo’. As desconfianças sobre o Alzheimer habitaram minha mente. Ele estava com 59 anos quando começou a apresentar os sintomas de esquecimento. Seria possível? Procuramos o psiquiatra da família, que pediu tomografia do cérebro e, mais tarde, ressonância magnética. Os exames não constataram tumores ou quaisquer alterações. Levando-se em consideração os sintomas, o psiquiatra, juntamente com uma neurologista, fizeram o chamado ‘diagnóstico por exclusão’, revelando o Mal de Alzheimer. De imediato, os medicamentos para a doença foram sugeridos e, hoje, aos 63 anos, meu pai tem habilidade motora perfeita, faz caminhadas diariamente, mas tem dificuldades para pronunciar palavras e também compreendê-las. Não consegue mais fazer cálculos, perdeu os reflexos, não absorve o que lê e dificilmente sabe dizer que dia é hoje. A rotina da família mudou bastante desde o diagnóstico da doença. A fábrica do meu pai fechou, o carro teve de ser tirado dele - essa foi uma das etapas mais difíceis -, uma cuidadora foi contratada para evitar as fugas de casa, e os serviços bancários, que até então eram administrados por ele, foram assumidos pela família. Além das mudanças na rotina, a estrutura familiar também pareceu desmoronar. Minha mãe entrou numa séria crise de transtorno bipolar no ano passado, eu busquei apoio psicológico com terapias semanais, e minha irmã pensou em deixar o emprego para dedicar-se a cuidar do nosso herói. Ainda é difícil conformar-se com o quadro do Alzheimer, principalmente na idade dele. A cada dia Ismael parece mais confuso. Num dia acorda de bom humor e noutro, agressivo, triste ou mal humorado. Pergunta várias vezes a mesma coisa e tornou-se compulsivo por jogos de loteria. O único problema é acreditar que ganha o prêmio toda semana e vai cobrar as atendentes da lotérica. No momento, minha maior esperança é de que o novo medicamento anunciado para 2009 possa realmente estabilizar o Alzheimer para que ele fique mais tempo conosco, e fisicamente saudável como está hoje. O que mais conforta é perceber que meu pai não tem noção completa da doença. Para ele, está tudo bem, como se uma nuvem passasse pela sua cabeça num breve instante e provocasse falha no sistema. No momento seguinte, tudo volta ao normal e a nuvem se dissipa. Às vezes também procuro pensar dessa forma." Depoimento de Paula Mestrinel, publicado no Jornal de Jundiaí Regional no dia 19/10/08, em reportagem de Patrícia Baptista sobre o Mal de Alzheimer.

Vazio

"Preste atenção:
mesmo quando você enxergar um vazio,
pode ter gente dentro"
(Martha Medeiros)

Sorriso da natureza

Belíssima foto, infelizmente sem o crédito do fotógrafo.

Mil pedaços

Composição: Renato Russo
Eu não me perdi,
E mesmo assim você me abandonou...
Você quis partir, e agora estou sozinho
Mas vou me acostumar..
com o silêncio em casa,
com um prato só na mesa.
Eu não me perdi,
O Sândalo perfuma o machado que o feriu
Adeus, adeus, adeus meu grande amor.
E tanto faz.. de tudo o que ficou,
Guardo um retrato teu,
e a saudade mais bonita.
Eu não me perdi,
e mesmo assim ninguém me perdoou..
Pobre coração - quando o teu estava comigo era tão bom.
Não sei por quê acontece assim e é sem querer
O que não era pra ser:
Vou fugir dessa dor.
Meu amor se quiseres voltar - volta não
Porque me quebraste em mil pedaços.

sábado, 18 de outubro de 2008

Tenho vergonha

Difícil acreditar no desfecho do seqüestro - o cárcere privado mais longo no Estado de SP - que resultou em duas garotas baleadas ontem. Difícil imaginar a dor das famílias. Difícil compreender a existência de um ser humano que atira sem piedade e, mais difícil ainda, justificar a ação da polícia: lenta, despreparada para uma negociação. Como podem permitir que uma jovem retorne ao cativeiro se não asseguram a vida dela? Que tipo de 'negociadores' temos hoje? A que ponto chega a loucura de um rapaz como Lindemberg, o assassino que permanece impune? Impune porque vai ficar alguns anos presos e, se sua ex-namorada sobreviver, o jovem sai da cadeia e a mata. Não acredito na Justiça brasileira. Não acredito ainda nessa tragédia. Difícil também é deglutir uma notícia dessas e ficar alheio aos 'monstros' que estamos criando. Falta uma educação rigorosa no País. Falta segurança!!!! Quem é que vai garanti-la? Às vezes dá vergonha de morar no Brasil.

domingo, 12 de outubro de 2008

Mulher tem dessas coisas

Vê só como é difícil e ao mesmo tempo tão bom ser mulher. Estava pensando nisso há pouco, pleno domingo, dedicado ao descanso, ao momento "nada de útil". Para o domingo não acabar nesse vazio, mais tarde a gente inventa alguma coisa, só pra sair de casa e não dizer no dia seguinte - aquela segunda-feira chata, porque fui lembrar disso? - que a gente não fez nada. Por outro lado, sair de casa, implica, para a mulher, em se arrumar, pintar as unhas, arrumar o cabelo, passar maquiagem, combinar o sapato, a bolsa e a roupa. Tudo isso leva pelo menos uma hora e meia, se o tempo estiver bom e o cabelo colaborar. Bem, com o passar dos anos, venho pensando duas vezes antes de sair casa. Como os anos passaram, a gente sente necessidade de não mostrar que eles realmente passaram na vida da gente. Ignora completamente a idade e bota na cabeça os eternos "18" anos, aquela fase boa em que você não tem barriga, gordurinhas localizadas ou pés de galinha. Mas quando se dá conta, os 30 e poucos anos voltam à cabeça e você dá graças a Deus pela maturidade que tem, pela responsabilidade e sabedoria que adquiriu nas últimas primaveras. É nesta fase que a gente se sente mulher de verdade, não tem mais (tantas) indecisões. A gente conquista segurança diante da vida, sabe o que quer e, claro, o que não quer. Os 'trastes', aquelas espécies que você já colecionou nos anos anteriores e que só fizeram você sofrer, não têm mais vez conosco. Agora a gente preza o lado bom do homem, o cavalheiro, o rapaz gentil mas ao mesmo tempo provido de um amor arrebatador. Aquele que promete te amar sempre, que a leva para jantar e a convida para um dia inteiro dedicado à cumplicidade. Esse homem existe? Sei lá, isso é uma crônica, imagino (e fantasio) muitas coisas... A gente sempre espera e geralmente nessa fase alcança coisas que nem sempre imaginava. É aquela dor de cabeça por causa do trabalho, afinal, você conquistou responsabilidade e, com ela, vêm os problemas a resolver. Seus pais já estão na terceira idade, então surge aquela dor aqui, outra acolá e sua rotina passa a ser freqüentar mais médicos. Os filhos também podem fazer parte de sua vida, mas eu me contento com dois gatos em casa. O computador é seu grande amigo, aliado, companheiro, confidente, colega de trabalho inseparável. Você adora mandar e-mails para suas amigas contando o fim de semana desastroso ou maravilhoso - vida de solteira é assim, tem seus altos e baixos. Mas a das casadas também não é muito diferente. Pelo que vejo por aí, ninguém vive 'às mil maravilhas'. Outra coisa que você nem imaginava quando tinha 18 anos é a quantidade de contas a pagar. Ah, essas sim trarão preocupação. Será preciso se controlar diante das vitrines do shopping, que parecem piscar como a luz de uma seta de carro: entre à direita, entre, entre. Muitas vezes você não se contém e acaba levando aquela blusa linda, que não precisava, e que não vai usar nunca. É... mulher tem dessas coisas! Mas esse nosso universo é fascinante. Ninguém é tão sensível quanto a gente. Temos o sexto sentido aflorando a todo momento e dizendo "isso não vai dar certo". E não dá mesmo! Quando minha chefe falou outro dia "não sei, não, mas acho que esse deputado vai furar com você", eu não dei importância. Eu tinha de entrevistá-lo até quarta-feira e ele prometeu (promessas de político...) que me responderia. Tenho mania de confiar nas pessoas, sempre. Já faz uns 20 dias e estou esperando até hoje o tal do deputado retornar. Se estivesse na semana da TPM, eu teria chorado de raiva pela irresponsabilidade do político. Mas a mulher depois dos 30 também tem dessas coisas: não chora por pouco, não faz drama, não se lamenta tanto. Acha uma coisa mais útil pra fazer e substitui a vontade de socar alguém. Somos o sexo frágil? Talvez, mas só quando nos convêm, porque geralmente somos dotadas de força incrível para lidar com situações diversas. "Amélia? Aquela que era mulher de verdade?". Ah, os tempos mudaram. Nós conseguimos ser muito mais do que esposa e dona de casa exemplar. É domingo, chega de pensar. Meu sexto sentido está me dizendo que você vai ter um grande dia! Pelo menos é o que desejo. Paula Mestrinel

Padroeira do Brasil, eis seu dia.

"Nossa Senhora, me dê a mão
Cuida do meu coração,
Da minha vida,
Do meu destino,
Do meu caminho,
Cuida de mim"

Cacos de mim

Cansei da poesia, essa ingrata
Que nem sempre vem para a minha vida
É só balela!
Às vezes sinto que piso em pedras
Ando em caminhos tortuosos
Adormeço em noites frias
Acordo em pedaços
Deito o olhar sobre a escuridão
Dos dias sombrios
Vago pelas estradas sem fim
À procura de ilusão
Você nunca aparece
Para me despertar do pesadelo
Que é viver sem sua imagem
Sem a sua doce presença
A poesia?
Não passa de uma brincadeira
Da vida para tirar de mim
O lirismo, a beleza das palavras
A luz de um dia que poderia ser feliz.

Vou te achar

Parece uma foto 'nada a ver', mas eu explico: é o meu pé. Representa que
não vou descansar um só minuto até encontrar você
Há dias em que me pego pensando em tudo o que aconteceu e, após ler o livro "Quando chega a hora", da Zíbia Gasparetto, chego à conclusão de que, de alguma forma, tinha mesmo que acontecer. Por que? É o que me pergunto, sem encontrar respostas. Talvez já tivéssemos alguma ligação antepassada e, por isso, você tinha de passar pelo meu caminho nessa vida. Mas não precisava ser de uma forma tão intensa, como se um ciclone varresse minha alma e me deixasse à margem de um oceano de tristeza. Amadureci depois dessa leitura. Compreendi algumas coisas e percebi que talvez tenha me aproximado da pessoa errada. Havia duas opções: eu escolhi a menos interessante, a mais audaciosa, a que menos tinha a ver comigo. Agora corro atrás do que deixei escapar e cada vez mais tenho a certeza de que não cometerei o mesmo erro duas vezes. Você está tão próximo, e ao mesmo tempo tão longe. Sofro em silêncio, amo silenciosamente, mas queria gritar para todo mundo o quanto te quero. Minha alma explode de alegria quando penso em conquistar você e fico torcendo pelo dia em que nos encontraremos de novo. Não vou deixar que escape dessa vez, nem desviar meu foco, como fiz e me arrependo. Tenho certeza: era com você que deveria estar desde aquele dia que foi um divisor de águas para mim. Afinal, você é quem tocou meu coração.

sábado, 4 de outubro de 2008

Quero uma primeira vez outra vez

O que mais você quer?
Por Martha Medeiros
(Prezada autora, peço licença para publicar sua crônica, mas é que eu gostei demais!)
Era uma festa familiar, destas que reúnem tios, primos, avós e alguns agregados ocasionais que ninguém conhece direito. Jogada no sofá, uma garota não estava lá muito sociável, a cara era de enterro. Quieta, olhava para a parede como se ali fosse encontrar a resposta para a pergunta que certamente martelava em sua cabeça: o que estou fazendo aqui?
De soslaio, flagrei a mãe dela também observando a cena, inconsolável, ao mesmo tempo em que comentava com uma tia. "Olha pra essa menina. Sempre com esta cara. Nunca está feliz. Tem emprego, marido, filho. O que ela pode querer mais?"
Nada é tão comum quanto resumirmos a vida de outra pessoa e achar que ela não pode querer mais. Fulana é linda, jovem e tem um corpaço, o que mais ela quer? Sicrana ganha rios de dinheiro, é valorizada no trabalho e vive viajando, o que é que lhe falta? Imaginei a garota acusando o golpe e confessando: sim, quero mais.
Quero não ter nenhuma condescendência com o tédio, não ser forçada a aceitá-lo na minha rotina como um inquilino inevitável. A cada manhã, exijo ao menos a expectativa de uma surpresa, quer ela aconteça ou não. Expectativa, por si só, já é um entusiasmo.
Quero que o fato de ter uma vida prática e sensata não me roube o direito ao desatino. Que eu nunca aceite a idéia de que a maturidade exige um certo conformismo. Que eu não tenha medo nem vergonha de ainda desejar.
Quero uma primeira vez outra vez. Um primeiro beijo em alguém que ainda não conheço, uma primeira caminhada por uma nova cidade, uma primeira estréia em algo que nunca fiz, quero seguir desfazendo as virgindades que ainda carrego, quero ter sensações inéditas até o fim dos meus dias.
Quero ventilação, não morrer um pouquinho a cada dia sufocada em obrigações e em exigências de ser a melhor mãe do mundo, a melhor esposa do mundo, a melhor qualquer coisa. Gostaria de me reconciliar com meus defeitos e fraquezas, arejar minha biografia, deixar que vazem algumas idéias minhas que não são muito abençoáveis. Queria não me sentir tão responsável sobre o que acontece ao meu redor. Compreender e aceitar que não tenho controle nenhum sobre as emoções dos outros, sobre suas escolhas, sobre as coisas que dão errado e também sobre as que dão certo. Me permitir ser um pouco insignificante. E na minha insignificância, poder acordar um dia mais tarde sem dar explicação, conversar com estranhos, me divertir fazendo coisas que nunca imaginei, deixar de ser tão misteriosa pra mim mesma, me conectar com as minhas outras possibilidades de existir.
O que eu quero mais? Me escutar e obedecer o meu lado mais transgressor, menos comportadinho, menos refém de reuniões familiares, marido, filhos, bolos de aniversário e despertadores na segunda-feira de manhã. E também quero mais tempo livre. E mais abraços. Pois é, ninguém está satisfeito. Ainda bem.
*Esta crônica faz parte do livro "Doidas e Santas", de Martha Medeiros.

Doidas e Santas

Sorte grande foi a que tive hoje ao cair sobre minhas mãos o mais recente lançamento de Martha Medeiros, "Doidas e Santas". Geniais as cem crônicas reunidas na publicação! Dá vontade de ler duas, três vezes, percorrer os olhos de novo em cada texto e absorver o que há de melhor nessa escritora - uma das jovens mulheres que fazem da escrita uma obra de arte.
O nome do livro ela explica: "Toda mulher é doida. Impossível não ser. A gente nasce com um dispositivo interno que nos informa desde cedo que, sem amor, a vida não vale a pena ser vivida, e dá-lhe usar nosso poder de sedução para encontrar 'the big one', aquele que será inteligente, másculo, se importará com nossos sentimentos e não nos deixará na mão jamais... Uma tarefa que dá para ocupar uma vida, não é mesmo? Eu só conheço mulher louca. Pense em qualquer uma que você conhece e me diga se ela não tem ao menos três dessas qualificações: exagerada, dramática, verborrágica, maníaca, fantasiosa, apaixonada, delirante. Pois então. Também é louca. E fascinante. Nossa insanidade tem nome: chama-se Vontade de Viver até a Última Gota. Só as cansadas é que se recusam a levantar da cadeira para ver quem está chamando lá fora. E santa, fica combinado, não existe. Uma mulher que só reze, que tenha desistido dos prazeres da inquietude, que não deseja mais nada? Você vai concordar comigo: só sendo louca de pedra."
O tema amor não é único no livro. Ela explora desde a morte - em um dos textos mais descontraídos que já vi sobre o assunto - até mesmo as mãos entrelaçadas no cinema, a casa da vovó ou mesmo o silêncio, que ela define como 'a verdadeira arma letal das relações humanas'. Uma excelente dica de leitura, principalmente para quem quer sair da rotina e deliciar-se com palavras leves, poesia e lirismo.
Para quem não a conhece: Martha Medeiros é colunista dos jornais O Globo e Zero Hora, e autora de vários livros.

A hora da estrela

Personagem de Macabéa, no cinema
Fechei a janela do quarto há pouco. Demorei-me a espiar o céu, tingido de um azul celeste. Em instantes, as estrelas começarão a pipocar nesse infinito sobre a minha cabeça...
Fechei também as 87 páginas do livro "A Hora da Estrela", de Clarice Lispector. Um insulto à escritora não ter virado as folhas deste romance até a tarde deste sábado, na qual me dei ao luxo de deitar na cama para devorar literatura. Interessante como a Clarice consegue contar uma história e ao mesmo tempo conversar comigo, de forma tão natural, espontânea. Consegui imaginar o desespero e agonia dela para terminar logo esse romance, que não a deixava. Ou como ela mesma disse, 'carregava sobre os ombros', a tal da Macabéa, personagem que conseguiu ser tão instigante, e silenciosa. É um bom livro. Se pudesse destacar uma frase, para retratar um pouco de mim mesma hoje, citaria aquela que se encontra no fim da página 40, escondida num parágrafo cheio de significado. "Que se há de fazer com a verdade de que todo mundo é um pouco triste e um pouco só".
Encontrei um pouco de mim em Macabéa. Vislumbrei sua solidão, inquietude, sonhos, esquisitices... Enfim, uma mulher em busca de si mesma.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Entendo Clarice

"Sou como você me vê,
posso ser leve como uma brisa,
ou forte como uma ventania,
depende de quando,
e como você me vê passar."
[Clarice Lispector]

Semana ruim

Doeu prender o dedo na porta do carro essa semana. Doeu pra caramba! Pra ajudar, uma conjuntivite e mais uma infecção me acometeram. Mas nada se compara à dor que sinto no coração. Preferia não ter conhecido você. Não quero culpá-lo. Apenas me sinto uma idiota por ter confiado tanto no 'personagem' que encenou para mim, fazendo-me sentir uma rainha. Às vezes chego a pensar que os homens são mesmo de Vênus e as mulheres, de Marte. Achar uma pessoa para amar é como ganhar na loteria. Nessas idas e vindas, perco cada vez mais a confiança nas pessoas, me decepciono. Não é possível colecionar tantas desilusões! A besteira está feita. Tá difícil não me arrepender do que fiz. Mas eu sempre me arrependi das coisas que deixei de fazer e, então, quando tentei ser diferente, o resultado foi catastrófico. Li em algum lugar hoje que 'a vida é feita de luta e não de repouso'. É... Vamos à luta, com a cabeça erguida, e o coração partido.