quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Amor de estação (e ficção)

Tanta gente numa estação, tantos embarques,
tantas partidas... Tudo em sua hora.
As mãos entrelaçadas, o coração em pedaços. Ambos caminhavam pela estação ferroviária e sabiam que, em poucos minutos, teriam de dizer adeus. Naquele momento, seria "até breve" ou "até daqui a pouco". No fundo, sabiam que aquele instante significaria "até nunca mais". Fitavam-se carinhosamente, evitando olhar profundamente nos olhos para não deslizarem lágrimas. Um sorriso forçado disfarçava a tristeza estampada na alma. Sabiam que talvez não voltassem a se olhar novamente. O banco de madeira confortou o sentimento dos dois jovens que, agora, abraçaram-se como se fosse a primeira vez. Era a última. Os braços envolveram-se em silhuetas curvadas para o abismo, para o vazio que penetrava os corpos. Ela enxugava o rosto com as mãos trêmulas. Ele tentava acalmar a voz fraca que quase não saía. Palavras não queriam ser pronunciadas. Então o silêncio pairou sobre os trilhos quando a locomotiva se aproximou. Olharam-se mais uma vez e um beijo selou a despedida. Da janela, ele observou a dama ajeitando as malas sob o banco. Ela ajeitava também o coração antes de virar-se e olhá-lo através da vidraça, parado na estação, onde estacionava a sua tristeza. Acenou e ele vislumbrou o último gesto da mulher amada. Esperaria notícias, um dia. Mas ela partiu sem deixar rastros. O coração do homem inflou de amor e derramou-se nos braços de outra mulher, em uma estação mais florida, no início da primavera de um ano qualquer. Ele não quis mais saber de partidas. Ela... Continuou a vagar pelo trem da vida, em busca do amor verdadeiro.

Nenhum comentário: