Personagem de Macabéa, no cinema
Fechei a janela do quarto há pouco. Demorei-me a espiar o céu, tingido de um azul celeste. Em instantes, as estrelas começarão a pipocar nesse infinito sobre a minha cabeça...
Fechei também as 87 páginas do livro "A Hora da Estrela", de Clarice Lispector. Um insulto à escritora não ter virado as folhas deste romance até a tarde deste sábado, na qual me dei ao luxo de deitar na cama para devorar literatura. Interessante como a Clarice consegue contar uma história e ao mesmo tempo conversar comigo, de forma tão natural, espontânea. Consegui imaginar o desespero e agonia dela para terminar logo esse romance, que não a deixava. Ou como ela mesma disse, 'carregava sobre os ombros', a tal da Macabéa, personagem que conseguiu ser tão instigante, e silenciosa. É um bom livro. Se pudesse destacar uma frase, para retratar um pouco de mim mesma hoje, citaria aquela que se encontra no fim da página 40, escondida num parágrafo cheio de significado. "Que se há de fazer com a verdade de que todo mundo é um pouco triste e um pouco só".
Encontrei um pouco de mim em Macabéa. Vislumbrei sua solidão, inquietude, sonhos, esquisitices... Enfim, uma mulher em busca de si mesma.
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