sábado, 30 de agosto de 2008

Ad'oro Holambra

Fui cobrir, na última quarta-feira, a 27ª Expoflora de Holambra - o maior evento de plantas e flores da América Latina. Gostei do tema deste ano, "Flores, Tempo e Ecologia". Uma das intenções dos paisagistas é contar o tempo por meio das pétalas e, para isso, resgataram várias décadas para retratar o romantismo das flores em cada uma delas. Ficou espetacular! As centenas de espécies surpreendem. Uma, em especial, ganhou atenção: a ad'oro. É uma planta ameaçada de extinção e, portanto, pouco conhecida. Assim como eu, todos os outros jornalistas trouxeram para casa um vasinho de ad'oro. Essa planta começa a ser cultivada em Holambra e, quem sabe, não corra mais risco de sumir da natureza.

Friozinho

O dia acordou pálido hoje. Vento forte na janela. Cortina bailando um rock pesado. Derrubou até meus óculos de descanso que estavam sobre a cômoda do quarto. A luz do dia foi trazida pelo fotógrafo Sérgio Castro, na edição de hoje do Estadão, com uma bela imagem do fenômeno que atingiu o sol na última sexta-feira. Eu observei o círculo ontem ao redor do sol e fiquei impressionada. Porém, achei meio simples a afirmação do Climatempo de que o fenômeno meteorológico "nada mais era do que um indício de mudanças no tempo. Ou seja, da chegada de uma frente fria ou de chuva". Então por que isso não ocorre com mais freqüência? Quase toda semana temos mudanças bruscas no tempo... Bom, pelo menos a previsão acertou. Hoje tá um friozinho daqueles! (a foto que me referi está no link abaixo) http://www.portaljj.com.br/interna.asp?Int_IDSecao=1&Int_ID=57537

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

O (fervoroso) silêncio de uma dança

Senti a tua respiração ofegante Quanto me puxou junto ao peito E trilhou pelo salão compassadamente Tentei me concentrar nos passos Mas teus olhos inundaram minha mente Despindo-me numa coreografia sensual Nossos lábios estavam quase unidos Mas permanecemos coerentes Rodopiando a vida na velocidade de uma dança Deixamos o desejo apagar a chama do momento E simplesmente bailamos alheios ao universo Como se o suor nenhum significado tivesse
(Dança de salão: para mim, a melhor escolha deste ano!)

Minh'alma é música

Há dias em que a alma parece falar conosco A minha, tenho certeza, é feita de poesia De palavras e sentimentos Ainda hoje ela travou uma conversa comigo E me pediu para eclodir versos Como uma música emitindo diferentes notas É exatamente assim que vejo minha alma Uma música, longa, ininterrupta Acoplada de vários instrumentos Um som agudo me desperta O grave faz um alerta Sinto o pulsar de uma orquestra no coração Ah, quem dera fosse uma maestrina Para conduzir cada nota dessa música visceral Sem jamais ter de virar o disco ou parar a melodia

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Vírgula

Vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere.
Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.
Pode ser autoritária.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.
Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.
E vilões.
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.
Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.
A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.
Uma vírgula muda tudo.
Muito legal a Campanha dos 100 anos da ABI (Associação Brasileira de Imprensa).

domingo, 24 de agosto de 2008

Alguém para sentir saudade

"Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco; quer-se absorver a outra pessoa toda."
(Clarice Lispector)

I do it for you

Estava aqui ouvindo a doce voz de Bryan Adams em "I do it for you" e, ao mesmo tempo, pensando no que escrever. As palavras não estão fluindo, embora eu pense num monte de coisas, contrariando a frase de John Lennon abaixo. Aliás, eu só a coloquei no blog, embora seja uma das frases mais conhecidas da face da Terra, porque eu mesma preciso lembrar de viver agora.
Sabe, ontem estava conversando com minha irmã sobre idade, sobre o vôo do tempo, a velocidade da vida. Cheguei à conclusão de que não me importo com a minha idade (31). Na verdade, gosto muito dela. Acredito que o tempo me fez bem. Me tornou verdadeira, madura, mulher. Tenho uma amiga que já passou dos 40 mas não se conforma de jeito nenhum. Uma nova ruga que aparece é motivo para choro. E lá está ela todo mês fazendo peeling e trocando de pele feito um lagarto. Usa roupas iguais às de adolescentes e comporta-se como tal. Adoro essa amiga e isso não é uma crítica às atitudes ou trejeitos dela. Cada qual vive a vida como bem entende, certo?
Eu fiquei mais séria após os 30. Senti vontade de me arrumar melhor, de passar uma maquiagem discreta no rosto, de ser mais feminina, talvez sensual. Também me tornei mais seletiva. Não faço coisas que não quero só para agradar alguém. Não saio com quem não quero, só para passar o tempo. Afinal, se o tempo está mesmo passando, então é melhor aproveitar da forma que se acha mais agradável. Estar só nem sempre é estar infeliz. Mas, enquanto vejo os dias passarem, conto com o destino para um dia encontrar você!

Viver o hoje

"A vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro"
(John Lennon)

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Mulheres de 30

A LINGUIÇA Por Arnaldo Jabor À medida que envelheço e convivo com outras, valorizo mais ainda as mulheres que estão acima dos 30. Elas não se importam com o que você pensa, mas se dispõem de coração se você tiver a intenção de conversar. Se ela não quer assistir ao jogo de futebol na tv, não fica à sua volta resmungando, pirraçando... Vai fazer alguma coisa que queira fazer... E geralmente é alguma coisa bem mais interessante. Ela se conhece o suficiente para saber quem é, o que e quem quer. Elas definitivamente não ficam com quem não confiam. Mulheres se tornam psicanalistas quando envelhecem. Você nunca precisa confessar seus pecados... Elas sempre sabem... Ficam lindas quando usam batom vermelho. O mesmo não acontece com mulheres mais jovens... Por que será, hein?? Mulheres mais velhas são diretas e honestas. Elas te dirão na cara se você for um idiota, caso esteja agindo como um! Você nunca precisa se preocupar onde se encaixa na vida dela. Basta agir como homem e o resto deixe que ela faça... Sim, nós admiramos as mulheres com mais de 30 anos! Infelizmente isto não é recíproco, pois prá cada mulher com mais de 30 anos, estonteante, bonita, bem apanhada, sexy e resolvida, há um homem com mais de 30, careca, pançudo em bermudões amarelos, bancando o bobo para uma garota de 19 anos... Senhoras, eu peço desculpas por eles: não sabem o que fazem! Para todos os homens que dizem: 'Porque comprar a vaca, se você pode beber o leite de graça?', aqui está a novidade para vocês: Hoje em dia 80% das mulheres são contra o casamento e sabem por quê? Porque ' as mulheres perceberam que não vale a pena comprar um porco inteiro só para ter uma lingüiça!' (Gostei desse texto. O autor parece realmente entender o universo das mulheres de 30)

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Entardecer

Enquanto voltava para casa, depois do trabalho, lentamente o dia virou noite. Durante o trajeto, observei a luz perder sua cor, seu brilho, para dar lugar à sombra da escuridão. Exatamente nesse instante me veio a sensação de dever cumprido, mais um dia terminara. E esse não foi qualquer dia. Foi um dos mais estressantes que já vivi. Cheguei a pensar em simplesmente evaporar. Notícia triste sobre a doença do meu pai; rotina irritante e cada vez mais árdua no trabalho; estudo de línguas inacabado. Um turbilhão de coisas habitou minha mente nesta terça-feira de agosto, que eu desejo esquecer. Ainda pensando no entardecer que vislumbrei passo a passo, fico a imaginar como seria se um fenômeno destes acontecesse conosco todos os dias, apagando paulatinamente tudo o que passou. Na verdade, isso ocorre. Dormimos sob a luz da lua, enquanto do outro lado do planeta alguém avista o nascer do sol. Amanhã, todos renascemos para mais um dia, até que um dia tudo isso acabe.

sábado, 16 de agosto de 2008

Um velho brasileiro

Parado no semáforo
O senhor maltrapilho, faminto
Trazia uma caixa de balas nas mãos
No rosto, marcas do tempo injusto
Da vida dura e desgraçada
Da falta de oportunidade
Seu caminhar era lento, cansado
O corpo sentia esgotamento
A face resistia aos raios do sol
Era a expressão de um velho brasileiro
Na rua da amargura, sem qualquer direção
Alto, magro, ossos saltados
Olhou-me nos olhos
Não teve coragem de oferecer uma bala
Sentou na calçada e ali repousaram seus quase 70 anos
No bolso, uns trocados
Na alma, tristeza profunda
Desesperança
A luz verde iluminou a escuridão
Todos seguiram seu destino
Mas ali ficou parada uma vida

Alguma coisa aconteceu

Na última sexta-feira, feriado religioso em Jundiaí, aconteceu alguma coisa aqui dentro. Tenho minha espiritualidade, independente de religiões. Sou católica, mas não vou à missa. Porém, no feriado da padroeira, enquanto trabalhava pelo jornal, assisti toda a celebração na Catedral, lotada. Como jornalista tem de achar um canto para ficar, e geralmente é o pior local, fiquei de costas para o altar e de frente para a multidão que se estendia dentro e fora da igreja. Vislumbrar a expressão de cada olhar, de cada rosto, me inspirou de uma forma inexplicável. A fé das pessoas parecia transbordar e, vez ou outra, deslizava pela face uma lágrima cheia de devoção, de agradecimento. Fiquei a imaginar o que estariam pedindo todas aquelas pessoas, os seminaristas, as irmãs da congregação, as crianças, os jovens, os idosos... Tanta gente acordou cedo para acompanhar a procissão! Enfim, percebi que alguma coisa mudou mesmo, embora eu não tenha feito nenhum pedido à padroeira. Talvez ela tenha ouvido meu coração, necessitado de paz. É assim que me sinto hoje, em paz.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Miséria do meu ser

A miséria do meu ser,
Do ser que tenho a viver,
Tornou-se uma coisa vista.
Sou nesta vida um qualquer
Que roda fora da pista.
Ninguém conhece quem sou
Nem eu mesmo me conheço
E, se me conheço, esqueço,
Porque não vivo onde estou.
Rodo, e o meu rodar apresso.
É uma carreira invisível,
Salvo onde caio e sou visto,
Porque cair é sensível
Pelo ruído imprevisto...
Sou assim. Mas isto é crível?
Fernando Pessoa

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Em órbita

Teu silêncio me enlouquece
Me transforma numa noite desvairada Sem qualquer constelação Tua distância provoca fendas Me conduz a outras galáxias Me deixa em órbita Até quando, meu Deus? Até quando?

Ouvir e reproduzir

"Procuro estar presente no meu papel de confidente curioso, tentando descobrir, esclarecer e afinal descrever com palavras (as minhas) o que as pessoas representam e o que pensam."
Gay Talese, ícone do jornalismo literário

Emaranhado de amor

Queria alojar você no meu pensamento
E eternizar a tua imagem nos meus poros
Só para exalar o teu cheiro e degustar
Cada pedacinho do teu ser
Queria organizar na memória
Teu olhar, teu toque, teus gestos,
Teu sorriso, teu lábio
E abrir esse arquivo quando a saudade apertar
Queria repousar meu amor no seu colo
Deitar-me entre seus braços
E entrelaçar-me no seu corpo
Ah, como eu queria!

sábado, 2 de agosto de 2008

Necessidade: solidão

O coração sangra. A alma está despedaçada. Sinto um cansaço que envolve todo o corpo e derruba qualquer sinal de ânimo. Quero estar só. Apenas só. Me deixe viver como quiser, me deixe encontrar alegria, me deixe. Estou perdida, procurando minha essência, minha alma, minha identidade. Nessa busca preciso de solidão. É uma necessidade. É a maneira que encontro para refletir minha imagem num foco de luz de um dia cinzento.

Perdida

Andando sem sair do lugar
Olho o horizonte e nada enxergo
A solidão é minha companheira
Nessa estrada longilínea, sem fim
Dias e noites tristes
Felicidade calculada para instantes
Paula Mestrinel