quarta-feira, 23 de julho de 2008

Lua

Seja dia ou noite
Atrás de uma nuvem
Do céu cinzento
Ou pintado de azul
Lá está ela
Redonda
Romântica
Círculo de amor
Às vezes um traço apenas
Como um largo sorriso
Iluminado
Por estrelas cintilantes
Estabelecemos uma conexão
Com a lua desde o primeiro beijo
E sempre que a vislumbro
É a sua imagem que encontro
Encantadora
Acendendo desejos
Como chamas de fogos de artifício
Num céu de brigadeiro
Paula Mestrinel

Wherever You Will Go

Composição: Alex Band e Aaron Kamin
So lately, been wondering
Who will be there to take my place
When I'm gone you'll need love to light the shadows on your face
If a great wave shall fall and fall upon us all
Then between the sand and stone, could you make it on your own
***
Ultimamente, tenho pensado
Quem estará lá para ocupar meu lugar
Quando eu for, você vai precisar de amor
Para iluminar as sombras em seu rosto
Se uma grande onda caísse
E caísse sobre todos nós
Então entre a areia e a pedra
Você poderia fazer isto do seu modo
(trecho de Wherever You Will Go, do grupo The Calling. Amooo!)

Palavras

Como numa explosão atômica
As palavras pipocam em minha mente
Embaralham meus pensamentos
E se transformam no seu nome
Por mais confusão que me causem
As palavras não me deixam
Formam frases, orientam
E me trazem você, sempre você
Fragmentadas em dose senil
Elas são conduzidas feito moléculas
De ar comprimido, pronto a eclodir
Letra a letra, sílaba a sílaba
E novamente completam as benditas palavras
Bailando feito uma dança descompassada
Que segue uma única direção: a sua
Vou
Onde o
Coração
Ensina
Paula Mestrinel

Inventolândia

Catarina acordou às 6h30 com o barulho do seu relógio exótico. Nos pés, colocou o chinelo vassoura e caminhou por toda a casa, varrendo a poeira. Quando chegou ao quintal, pôs na cabeça o boné com teto-solar e os óculos retrovisores. Nesse instante viu o cachorro Kevin latindo insistentemente para uma borboleta. Não pensou duas vezes: buscou a coleira para cão, acoplada com um dispositivo que aciona música no ouvido do animal, fazendo-o relaxar. Durante dez minutos, Catarina ajeitou-se numa cadeira para repousar as cansadas pernas e aproveitar os primeiros raios de sol, enquanto fazia suas orações com o terço eletrônico. Logo em seguida, a cadeira se transformou numa tábua de passar roupas, na qual a mulher ficou horas a fio arrumando os trajes da família.
Preocupada com a filha pequena, Laura, dirigiu-se até o berço e colocou em sua boca a chupeta termômetro para medir a temperatura do bebê. Daqui a dois anos, a dona de casa pretende desenrolar o teclado de borracha, guardado na gaveta, para a primogênita aprender a tocar o instrumento e alegrar a casa.
Embora os personagens acima sejam fictícios, esta não é uma história para ser vislumbrada apenas em 2030. Os objetos inusitados existem e fazem parte da Inventolândia - Museu das Invenções, instalado no bairro Perdizes, em São Paulo. São mais de 500 itens em exposição, mostrando criações de brasileiros ou estrangeiros. Mas nada de Santos Dumont, Thomas Edison ou Marconi. Os protótipos mostrados no museu são obras de pessoas comuns - muitas vezes anônimas na sociedade.
(Por que não misturar jornalismo e literatura? Veja matéria completa de Paula Mestrinel no link abaixo)

terça-feira, 8 de julho de 2008

Amai-vos

Amai-vos um ao outro,
mas não façais do amor um grilhão.
Que haja, antes, um mar ondulante
entre as praias de vossa alma.
Enchei a taça um do outro,
mas não bebais da mesma taça.
Dai do vosso pão um ao outro,
mas não comais do mesmo pedaço.
Cantai e dançai juntos,
e sede alegres,
mas deixai cada um de vós estar sozinho.
Assim como as cordas da lira
são separadas e, no entanto,
vibram na mesma harmonia.
Dai vosso coração,
mas não o confieis à guarda um do outro.
Pois somente a mão da Vida
pode conter vosso coração.
E vivei juntos,
mas não vos aconchegueis demasiadamente.
Pois as colunas do templo
erguem-se separadamente.
E o carvalho e o cipreste
não crescem à sombra um do outro.
(Gibran Kahlil Gibran)

Canção do Vento

O vento varria as folhas,
O vento varria os frutos,
O vento varria as flores...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De frutos, de flores, de folhas.
O vento varria as luzes,
O vento varria as músicas,
O vento varria os aromas...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De aromas, de estrelas, de cânticos.
O vento varria os sonhos
E varria as amizades...
O vento varria as mulheres...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De afetos e de mulheres
O vento varria os meses
E varria os teus sorrisos...
O vento varria tudo!
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De tudo.
(Manuel Bandeira)