quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Clássico & Clássicos

Perdeu uma grande noite quem não foi ver Chitãozinho & Xororó em parceria com a Filarmônica Bachiana, sob regência do maestro João Carlos Martins. Um show como eu nunca tinha visto antes. De graça. No Parque da Cidade. Em Jundiaí. Promoção da Telefônica Sonidos (de parabéns!).

Música clássica com música sertaneja. Imaginou? Pois saiba que foi uma ótima combinação e a dupla cantou apenas sucessos antigos, como "Fio de Cabelo", "Evidências" e por aí afora... Foi um show tranquilo, sem empurra-empurra, e abrilhantado pelos instrumentistas da filarmônica e também pela simpatia do maestro João Carlos. Também não faltaram os violeiros.

Nota dez! E aqui fica um restinho de Fio de Cabelo...

Quando a gente ama
Qualquer coisa serve para relembrar
Um vestido velho da mulher amada
Tem muito valor

Aquele restinho do perfume dela que ficou no frasco
Sobre a penteadeira
Mostrando que o quarto
Já foi o cenário de um grande amor

E hoje o que encontrei me deixou mais triste
Um pedacinho dela que existe
Um fio de cabelo no meu paletóóó...

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Molly, a terrível

Pouco mais de dois meses de vida e deu um salto. Pulou da sacada, no segundo andar, para o chão. Estatelou as patas e seu mirrado corpinho. Latiu como nunca. Despertou a solidariedade dos cachorros da vizinhança. Molly, a mais nova filhote de vira-lata da minha irmã, se jogou da sacada ontem à noite. Achei que era o pior dia da minha vida [por tantas coisas acontecendo e me abatendo], mas era o pior dia da Molly. A coitada quebrou uma das patas, em dois lugares.

Dá dó de ver a carinha dela. Lembra da pobre da Macabéa [dois posts abaixo]? Pois é. Molly está tal qual Macabéa. Uma pata enfaixada, olhar de dor e famigerada. Tão pequena. Tão terrível. Hoje, subiu 224 vezes a escada de 15 andares. Com três patas. Não duvido que vai se jogar uma terceira vez da sacada. Sim, porque esta foi a segunda vez. Na primeira, saiu ilesa, sem nenhum arranhão. Pensou que era borboleta e voou três metros abaixo. Caiu e rolou. Foi a sorte da principiante. Agora Molly está experiente na queda e continua testando suas habilidades.

Pelo menos vai deixar em paz a Dolly, sua irmã mais velha, também vira-lata [sem preconceitos!]. Por uns dias a Dolly poderá tirar uma soneca tranquila, sem que a Molly morda a parte mole de sua boca. Ai, isso dói.

Aguardem a foto da menina que anda com três patas. Me parece que ela também vai ganhar um adorno na cabeça. Sabe aquele cone inventado pelos veterinários? Ela vai ficar bem pior que a Macabéa... Ô dó. Dois meses. Tanta história pra contar.

ô dó!

Fogo e Gasolina

Alguém especial me mandou a letra dessa música. Não conhecia a canção, mas fiquei curiosa pra saber o que sou, fogo ou gasolina? Seja o que for, aqueceu meu coraçãozinho solitário

P.S.: Música de Roberta Sá, com participação de Lenine

sábado, 16 de outubro de 2010

Pobre Macabéa

Macabéa me deixou penalizada. A pobre coitada foi atropelada. Mas antes do fim, ela teve um namorado, Olímpico, que sonhava ser açougueiro. Ficava excitado quando via alguém fatiando carne. Era o Ogro da Macabéa, um estúpido diante da inocência da pobre coitada.
_ Você é um cabelo na sopa. Não dá vontade de comer. _ dizia Olímpico para a pobrezinha que sequer foi beijada.
Digo pobre coitada, porque Clarice Lispector a descreve como ‘feia de dar dó’. Era pobre de espírito, de inteligência, de sensualidade, de palavras. Tudo o que aprendia vinha da voz de um locutor de rádio, que ela não sabia se dizia a verdade.
Mas um dia chega o momento em que Macabéa vira estrela. É rodeada de olhares, de um bocado de gente. Ela, que sempre passou despercebida em vida, havia sido notada, na morte. Estatelada no chão.

 
P.S: Macabéa é a personagem do livro "A hora da estrela", de Clarice Lispector. Dispensa apresentações.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Eu tenho medo do Google

Acho que o Google é a coisa mais fascinante que já inventaram. Por isso, dá medo! Ele sabe tudo: onde você mora, o que procura, seus gostos pessoais... Além disso, oferece de bandeja uma porção de informações sobre você [para qualquer zé mané que digite o seu nome completo na busca]. Também adivinha o final da frase que você começou; te dá dados com mapas, fotos...

Ai, meu Deus, as fotos são um capítulo à parte. Experimente digitar o seu nome no Google e dar uma busca em imagens. É desesperador! Que invasão de privacidade!!! Dá vontade de deletar todos os meus perfis na internet. Meu álbum do flickr, com trocentas imagens, aparece nesse google-robô-ladrão. Com que direito ele pode espalhar minhas coisas desse jeito?

O preço de uma viagem até Ouro Preto não sabe me informar, né? O telefone novo da rodoviária de Jundiaí também não, né? E quando eu vou ter uma folga do trabalho??? Mas descobrir uma matéria que fiz há dois anos - uma das mais inusitadas - sobre o rapaz que faz necropsias no IML, isso sim ele acha facinho.  Se der curiosidade, transferiram "Quando a morte faz parte da vida"  para um site que nunca vi na vida. Só furtaram meu texto e puseram em outro local.

Agora, o mais fascinante de tudo, é o Google lembrar sempre de você. Se um dia você se sentiu ou se sente esquecido por alguém, saiba que o Google nunca vai te esquecer. Ô inferno!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Eat, Pray, Love

Eu mudaria o título do longa para "Comer, Meditar, Amar". Ops, comecei a conversa no meio, pensando rápido demais. Mas, ó, que filme lindo "Comer, Rezar, Amar". A gente se emociona, se identifica com os medos e crises dos relacionamentos e dos não-relacionamentos. É, porque aqueles que querem ficar sozinhos como Julia Roberts, também têm suas crises. E como tem!

O filme passa várias mensagens, tem frases lindas e paisagens fantásticas. Julia Roberts, a Liz, termina um casamento de oito anos no qual não encontrava sua identidade e decide viajar. Depois de um turbilhão de sentimentos, claro. Então vai primeiro à Itália (comer!), depois à bagunçada Índia (meditar!) e, por último, chega a Bali (amar!). Nas duas últimas paradas ela consegue o equilíbrio que tanto desejou para sua vida.

Um detalhe à parte é a trilha sonora. Grande parte envolvida por... Bossa nova! A música "Samba da Bênção" (sabe aquela? "é melhor ser alegre que ser triste, alegria é a melhor coisa que existe", escrita por Vinicius e parcerias) da intérprete Bebel Gilberto, costura a história de amor vivida por Julia e o galã espanhol Javier Bardem, que interpreta um brasileiro em Bali. Tem também João Gilberto com "Wave" e "S Wonderful", além de Pearl Jam com "Better Days".

Enfim, é um filme pra se deliciar, se sentir livre, e sair do cinema com fome (de comida, meditação e amor). Além de viagens, claro. Uma das frases, "believe in love again", traduz boa parte do enredo. Mas tem também a palavra "attraversiamo" [em italiano, 'vamos atravessar']. É isso! Que ainda possamos atravessar muitos obstáculos. Como diz o guru do filme, perder o equilíbrio faz parte de uma vida equilibrada.


Itália

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Na seção da consciência...

Toda eleição é a mesma coisa. Você vai até a mesma escola, no mesmo bairro, na mesma zona (eleitoral), na mesma seção e encontra as mesmas pessoas. Aquela menina que era sua vizinha tá mais gorda, a loira irmã da minha amiga teve filho(s), aquele bonitão que eu paquerava continua bonitão, mas o resto casou, claro, casou. E alguns "enfeiaram".

A conversa é a mesma. Nossa, que fila. Por que será que na outra seção não tem ninguém? Será que vai demorar? A senhora que é idosa pode passar na frente. É um absurdo não ter acesso para pessoas com deficiência. Como pode alguém demorar tanto assim para votar? Não trouxe a cola? E aí, vai votar no Tiririca? Essa fila é para a seção 223? Ah, vou voltar mais tarde. Nossa, quanto santinho no chão.

A mesária, que também estudou comigo, não acha o meu nome na lista. Mas eu estava lá de corpo e alma, de corpo presente, de alma... Sei lá onde estava minha alma. Só sei que eu votei, escutei a campainha da urna eletrônica [trrriiiimmmm] e estava feita a minha parte. Pena que outras partes optaram pelo "pior que tá não fica". Ah, fica!!! E isso nós vamos ver quando 2011 chegar.

Senta e espera. Segundo turno vem aí e não acho que vá mudar as perspectivas para o próximo ano.

sábado, 2 de outubro de 2010

Deliciosos delírios de Clarice

Uma imagem dos meus gatos, tão confusa e significativa quanto Clarice



"Já que se há de escrever, que pelo menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas"


"Quando se ama não é preciso entender o que se passa lá fora, pois tudo passa a acontecer dentro de nós"

"Não se preocupe em entender. Viver ultrapassa todo entendimento"


"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada"

"É uma infâmia nascer para morrer não se sabe quando nem onde"

"Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, depende de quando e como você me vê passar"

"Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca"

"Faça com que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sinta como se estivesse plena de tudo"

"Escuta: eu te deixo ser, deixa-me ser então"

"Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito"

"Minhas desequilibradas palavras são o luxo do meu silêncio"


[ * Clarice Lispector * ]