Não há nada melhor do que acordar e ver o sorriso do seu pai, feliz em te ver, como se ele não me visse há muito tempo, ou como se eu não morasse em casa. É quase como ser reconhecida todos os dias, como a filha distante, que causa felicidade ao chegar em casa.
Embora ele não saiba mais pronunciar frases, existe uma expressão que eu ensinei e ele não esqueceu. Então, ao me ver, pergunta: "bom bom bom bom?" _ uma maneira brincalhona de dizer: "Tudo bom?"
Antes do Alzheimer, dificilmente brotava em seu rosto esse sorriso despretensioso, sincero, reconfortante. Agora, sem preocupações para a cabeça, o sorriso está sempre lá, de ponta a ponta. Pode não entender a piada, mas ri. Pode ganhar um presente de Dia dos Pais e não gostar, mas ri. Pode achar um papel na rua, desses que oferecem dedetização, e ficar mais feliz do que ao receber um presente.
Agora, ele é assim. Feliz por pouco. Feliz por nada. Feliz, talvez, por não ter noção de que está doente. Mas com um sorriso deste, quem é que diz que ele realmente não está bem? Ele ainda é o melhor pai do mundo, meu exemplo de vida, uma vida que pode ser feliz, mesmo nos momentos mais difíceis. Dizer "te amo" é pouco, meu pai. Você é tudo pra mim. Tudo o que eu nem sei escrever em palavras, em frases. Afinal, quem precisa de frases quando tudo o que se tem está no coração?
5 comentários:
Lindo!
Ô Paulinha, tô chorando! Você me emocionou. Aliás, não posso falar em pai que me emociono mesmo. Eu ainda tenho o meu pai, um pouco distante, é verdade, mas tenho. Ele não tem Alzheimer não e também nunca me deu um sorriso desses. Um beijo querida, para o seu pai também. Ah, você se parece com ele, viu!
Oi, Ciça! Obrigada pelo carinho. Falar do meu pai sempre me emociona também. Beijos
Saudades deste sorriso, cada vez mais raro... mas mesmo se ele perder o dele, vamos manter o nosso :) amo você Fer! Val
Muito lindo, Paulinha!
Não sabia que vc mantinha este blog!
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