quinta-feira, 9 de julho de 2009

A vida é o ponteiro do tempo

Jundiaí entrecortada ao fundo pela Serra do Japi e
invadida pelo progresso em teu seio Ele descansava no banco da praça seus 85 anos. Repousava o olhar no céu de brigadeiro, enquanto eu questionava algo sem importância. Os olhos atrás de grossas lentes vislumbravam um pequenino avião, ao longe, riscando o azul sobre nossas cabeças. As palavras silenciaram para que ele observasse a aeronave, com suas asas de águia, voando mansinho pela cidade. Ele, fardado, tenente da Força Expedicionária Brasileira, apontava o céu com o dedo mutilado - lembrança da 2º Guerra Mundial, na Itália. No pescoço, o senhor de rosto amassado pelas rugas trazia um pingente de crucifixo dourado. Exibido com orgulho, feito um troféu, o objeto completará 60 anos quando agosto chegar. "Foi lembrança de um sobrevivente que encontrei numa igreja bombardeada na Itália", explicou Antônio, enquanto tentava manter linha reta com os militares do exército neste 9 de Julho. Em mim, seu Antônio causou uma revolução: a de olhar para a vida que acontece agora.

2 comentários:

Vitória disse...

Amiga, vc tá postando tão pouquinho ultimamente :(
Beijos

Unknown disse...

Ando sem inspiração, Vic. E meu amigo Gilson disse que eu escrevo muito aqui... rs Também disse que o blog tem muita alternância de sentimentos. Tem mesmo! Quem é que tá sempre 100%?

Vou ver se escrevo mais! Bjs