Uma coisa inédita aconteceu no domingo. Eu não queria mais que ele acabasse. Dava tudo para a segunda-feira não chegar, até passar a noite num lugar pouco comum. Ah, se eu tivesse poder sobre os ponteiros do relógio... Queria ter parado no tempo naquele domingo. Tá, tudo bem. Sem chuva. Fiquei desesperada para ver gente, encontrar as amigas, ver um filme no cinema, comer na Pizza Hut... Enfim, sair de casa. Mas depois que tudo isso acabou, não restava muito do tempo naquele dia. Foi então que, ao chegar no carro, no estacionamento do shopping, eu desejei e pedi que o carro quebrasse. Bom, alguém lá em cima existe ou minhas palavras tiveram grande poder naquela hora. O carro quebrou! E essa foi a coisa inédita.
A ocasião virou uma festa dentro do carro - e às vezes até fora dele, quando Rihanna cantava "Umbrella" no rádio. Minhas duas amigas saíram pra dançar, mas lembraram que havia câmeras no estacionamento. Então, enquanto o mecânico do seguro não vinha, a gente pensou em tudo o que pudesse acontecer se as palavras tivessem poder de novo: desejamos que aparecesse um mecânico lindo [ou três!] e que a Luciana fizesse um desfile das lingeries - que ela acabara de comprar no shopping - para o tal homem que estava para chegar. Mas todos os sonhos malucos foram interrompidos por uma motoca nervosa que se aproximara do carro. Lá vinha o homem, todo de roupa emborrachada por causa da chuva. Tirou o capacete e... Expectativas frustradas das meninas. Palavras sem poder... Tudo voltou ao normal. E o domingo acabou depois da meia-noite - pelo menos conseguimos prolongá-lo.
Outro dia eu estava no consultório médico e peguei uma velha revista Superinteressante pra ler. Lá falava do poder que a bíblia [leia-se milhões de palavras minúsculas...] exerce sobre as pessoas, ou melhor, sobre a humanidade. Na verdade, a reportagem citava a possibilidade do livro sagrado nunca ter sido escrito. Ou seja, quantas coisas deixariam de ter empecilhos: pesquisas com células-troncos, clonagem, Natal, festas, feriados, um líder... Achei superinteressante, embora estranho. Hoje, na missa do meio-dia, na Catedral [sim, eu fui no horário do meu almoço!], o padre falava sobre as palavras, sobre o cuidar da gente e dos outros. Saí de lá pensando na quantidade de palavras inúteis que a gente desperdiça, quando poucas coisas deveriam ser ditas, se saíssem apenas do coração.
É desse bichinho pulsante que controla a nossa vida que saem as melhores coisas. É de lá também que vem o silêncio ou a alegria, a vibração ou a tristeza. Basta escolher as palavras certas para trancafiar no peito e desejar que se tenha um bom dia, todos os dias. As palavras? Elas têm poder, sim. Mas se nascerem do coração. É por isso que nunca mais vou pedir uma coisa tão imbecil como a que pedi no domingo. Amanhã é dia de ir à oficina mecânica e ver se ainda existe um catalisador no meu carro...
Amor. Risada. Diversão. Carinho. Felicidade. Inteligência. Fortuna. Afeição. Saúde. Viagens. Sol. Alegria. Amizade. Trabalho. Sabedoria. Paixão. Dança. Fé. Otimismo. Satisfação. Prazer. Livros. Cinema. Teatro. Poesia. Música. Amigos. Vida. Esperança. Eternidade.
2 comentários:
As vezes parece que vivemos num seriado... Tipo, Friends...
Fazemos cada coisa, né amiga?! hauhauhaua
Beijos
Nem me fale, amiga!!!
Férias de 2010... Não vejo a hora!!! Beijos
Postar um comentário