A vegetação rasteirinha, às margens da trilha, acorda lentamente com a nebulosidade. O ar gelado na manhã de inverno deixa a atmosfera densa, úmida. Difícil respirar nessas condições, inclusive pelo fato de estar a 1.100 metros acima do nível do mar. Gotículas minúsculas despencam das folhas das árvores - algumas com fitas coloridas para marcar a pesquisa de estudiosos. No pedaço da mata atlântica que serpenteia a cidade, uma orquestra de aves inicia os primeiros acordes de uma segunda-feira preguiçosa. Alguns pássaros ensaiam um solo de violino. Outros, como o pica-pau, parecem batucar.
No meio do verde que se esparrama pela paisagem, uma flor pink desponta, atrai olhares e também abelhas. Logo à frente está ela, comprida, fina, frágil, sempre mirando o céu. Suas folhas são grandes e o caule agrega vários nós. Basta balançar a Embaúba [foto] para os seres minúsculos mostrarem sua ira. De dentro da planta saem várias formigas pequeninas, as chamadas Aztecas. É preciso ter boa visão para enxergá-las no pico da Embaúba. A interação entre plantas e animais [no caso, insetos] me embevece.
Elas continuam enfurecidas ao balangar da planta, imbuídas pela missão de protegê-la de outros insetos - ou, quem sabe, do ser humano. De tão pequenas, parecem inofensivas. Porém, a picada das Aztecas pode ser até mais dolorida que a da espécie lava-pés. Em troca de proteção, a Embaúba expele uma secreção doce como mel, alimentando as agressivas formiguinhas, que se abrigam dentro dos nós do caule.
A simbiose se estende a outros infinitos organismos na Serra do Japi, com seus seres miúdos ou até invisíveis aos olhos, como é o caso dos ácaros predadores que se refugiam nas domácias [pequenas cavidades] das folhas. Há muito mais vida na floresta do que se possa imaginar. Um singelo "safari" por uma de suas trilhas também pode render mais conhecimento do que se espera.
Nessa expedição, o mais triste é voltar para casa e ver tudo pronto: casa, cama, tevê, rádio, computador, fogão, comida. Nenhuma simbiose entre homem e natureza, mas sim interação com objetos. Não é preciso pensar ou entender a vida. Ela parece automática, tecnológica demais.
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Em tempo: Estive na Serra do Japi esta semana. É sempre um prazer respirar o ar da nossa mata, analisar sua vida em vários picos, sua beleza indecente e sua sonoridade. Distante e ao mesmo tempo tão perto da civilização, é um lugar cheio de surpresas e diferente a cada dia. Esse post fica como uma curiosidade das minhas próprias descobertas.
2 comentários:
Ola, Paula!
Menina que legal que vc gostou do bloguito, e eu gostei da sua visita, obrigada. Apareça sempre!
Quanto a ajuda, quando precisar, já conhece meus contatos, é só me acionar, se estiver ao meu alcance, será um enorme prazer.
... esta Serrinha tem muitas estórias à desvendar!
Ecobeijos e sucesso sempre.
Tá demorando pra atualizar, hein.... :(
Beijos
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