terça-feira, 7 de julho de 2009

O chinês, o Jorge e a comunicação

Estava numa loja outro dia, dessas em que a gente encontra de tudo um pouco, e por muito pouco, quando um chinês se aproximou. Tinha metade do meu tamanho e desembestou a falar. Chinês. Comigo. Achei meio surreal ele vir praticar a língua dele com essa pessoa que tropeça no básico do inglês. Será que tenho cara de quem fala chinês? Bom, não dei muita bola, imaginei que estivesse falando com outra pessoa, já que a loja estava cheia. Mas o pequenino não desistiu. Foi para o fundo do estabelecimento e, em alguns instantes, voltou com uma sacola cheia de artigos para eu ver. E continuou falando chinês. Dei risada. Não era possível! O cara estava mesmo falando comigo. Eu disse que não queria a mercadoria e então ele entendeu o "não, obrigada". Respondeu qualquer coisa e foi falar com outras pessoas, no seu chinês incompreensível. Será que já passou pela cabeça dele que, se aprender português, as vendas podem aumentar?
Problema de comunicação também foi o que houve hoje de manhã, em casa. A empregada estava passando pano molhado no chão, quando meu pai apareceu e levou o balde de água pra garagem. Antes fosse só água. Ele disse que ia jogar [não falou onde] e ela pediu que não jogasse. Mas ele jogou. Em cima do meu carro. Era água com álcool. E lá foi a Paula de pijama correr pra lavar o carro. Não reclamei. Estava precisando fazer isso mesmo. Afinal, o carro estava cheio de cocô de pomba e meu pai só quis ajudar, certo? Certo.
De carro limpo, fomos para a consulta médica. Eu já sabia decor e salteado todas as perguntas que ela faria ao meu pai. "Que dia é hoje?", "Em que ano estamos?", "Como chama esta cidade?", "Em que lugar o senhor está agora?", "Como chama isso [uma caneta]?", Que horas são?", "Desenhe isso", "Repita aquilo"... Enfim, de umas 15 questões, apenas 4 pontos para ele, que coçava a perna, escorria feito água pela cadeira, apertava as mãos, olhava pra mim... O problema de comunicação e compreensão dele é muito maior do que qualquer pessoa possa imaginar. Mas graças a Deus ele tem sua família. E hoje não vou lamentar nada.
Comunicação é tudo o que sei fazer. É minha especialidade [se é que realmente tenho alguma], pelo menos no Brasil. É meu trabalho. Música é comunicação. Ela fala comigo, eu viajo com ela. Poesia é o que sai da alma em forma de palavras. Um texto, uma crônica, uma frase, um título, uma legenda... O olhar é comunicação. Olhem hoje para as coisas e percebam o que elas querem dizer. A lua, no início da semana, estava um espetáculo. Talvez poucas pessoas a tenham visto.
Quem vem se comunicar conosco hoje é Jorge Vercillo, com a música "Eu e a Vida".
"Vem me pedir além do que eu posso dar / É aí que o aprendizado está / Vem de onde não sonhei me presentear / Quando chega o fim da linha / e já não há aonde ir / Num passe de mágica /A vida nos traz sonhos pra seguir / Queima meus navios pr'eu me superar / as vezes pedindo, que ela vem nos dar o melhor de si / E quando vejo, a vida espera mais de mim, mais além, mais de mim / O eterno aprendizado é o próprio fim / Já nem sei se tem fim / De elástica, minha alma dá de si / Mais além, mais de mim / Cada ano a vida pede mais de mim, mais de nós, mais além"

3 comentários:

Gustavo disse...

Ah Paulinha, não acredito que você deixou o Xing Ling falando sozinho. O china é tão prestativo em atender e você esbanja o cara na maior? Pô, mancada sua!
Mas já que você tocou no assunto, vou contar a aventura que foi pra mim, certa vez, entrevistar uma das proprietárias de uma lojinha de artigos "importados" que, em outubro, já comercilizava artigos natalinos.
O Zé, fotógrafo do JC, me acompanhou na empreitada e quase se borrou de tanto rir quando eu perguntei pra chinesinha: "O que mais vende?"
A chinesa desatou a elencar os artigos por ordem decrescente de venda, no melhor estilo cebolinha: "ávole natal, bolinha, papaloel..."
Enquanto o Zé gargalhava e saía da loja pra tomar ar e secar as lágrimas, eu agradecia pela entrevista, louco pra dar o fora dali e poder rir um pouco também. Conselho meu pra quem passar por situação semelhante: ao final, não tente perguntar o nome da entrevistada. Prefira "uma proprietária de loja de artigos natalinos..."

Beijão Paulinha!

Unknown disse...

O Zé e você nessa empreitada, Gu??? Posso imaginar a dupla... Aliás, encontrei ele numa pauta hoje, logo cedo, feriado... Ninguém merece! [trabalhar no feriado, claro!] Bjs

Gustavo disse...

O Zé é um grande mestre na arte de imitar políticos... aprendi muito com ele. rsrrs

Beijão