sábado, 17 de janeiro de 2009

Preto no branco

Recebi essa semana uma revista. Já conhecia a edição e pedi ao editor que me enviasse uma, pois há tempos não via. Conversando com um amigo, que também recebeu, perguntei sua opinião sobre o novo formato da publicação. E lá veio a análise deste meu amigo, muito bem humorada por sinal, via e-mail. Então ele lançou um desafio: "aguardo agora os seus comentários". Ora, não sou boa nisso, mas me senti na obrigação de fazê-lo, já que ele leu a revista inteirinha para tecer comentários.
Se é pra ser sincera, vamos lá! Quando abri o envelope em meu nome e retirei a revista, achei que fosse um manual de geladeira ou de fogão. Juro mesmo. Capa branca, apenas com o nome da revista na cor preta e os contornos de uma cadeira na parte inferior. Nada mais. Manual de montagem de cadeira? Bom, dei de cara com o editorial e lá no meio encontro "a respeito de vários seguimentos, tais como cultura e educação". Será que a reforma ortográfica mudou segmento para seguimento? Duvido.
A seguir, 40 páginas se abrem em preto-e-branco (gosto deste recurso, quando bem utilizado), com textos técnicos. Os assuntos são interessantes, mas dos nove artigos, consegui concluir dois - um deles é do editor, que eu conheço e aprecio seu trabalho. Tentei chegar ao fim de todos eles, mas não aguentei.
A revista mudou muito. Os textos dos jornalistas - não puxando sardinha para o meu lado - são os melhores. Pelo menos fluem. Já os outros, de mestre nisso, doutor naquilo, técnico daquilo... Estão específicos demais, para um público pequeno demais, imagino. Gosto de cinema e quase todos os artigos dissertam sobre a sétima arte. Mas nunca vi abordar um assunto de forma tão técnica e desinteressante.
Caro amigo Roberto, sua análise foi muito melhor e mais aprofundada. Eu não consegui ler tudo. Acredito que nossas impressões refletiram também em outras pessoas - de um grau elevado de impaciência - que receberam a mesma revista em meu ambiente de trabalho. Em poucos minutos ela foi para o lixo. Fiquei perplexa quando vi aquilo.
Bem, tenho de admitir: gostava mais da revista velha, com fotos coloridas, artigos do cotidiano retratados de forma poética e carregados de sensibilidade, além dos ensaios fotográficos sobre uma temática qualquer. E, claro, sem parecer um manual de geladeira, com assuntos extremamente frios.

Nenhum comentário: