sábado, 10 de janeiro de 2009

Como, logo existo.

Às vezes acho que não sou desse planeta. [Aliás, gostei do jornal Planeta Arens, no qual repousei o olhar nos últimos dias]. Vê só como o ser humano ainda é retrógrado, vive nos tempos da pedra, essa coitada que não sai do lugar. Todos os dias, pelo menos duas, três ou quatro vezes, a gente precisa procurar comida pra comer. E alguns ainda caçam! Mas não é dessas pessoas que estou falando. Estou citando eu, você, minha mãe e quase todo mundo que utiliza a lei da sobrevivência: como, logo existo. Penso – no café da manhã, no almoço, no jantar -, logo estou satisfeito. Vivemos num mundo desenvolvido, cheio de ‘high tech’, de cientistas malucos (poucos, eu diria), de chefs altamente sofisticados e conhecedores dos sabores, de nutricionistas que criam suas próprias regras para as mesmas coisas que nunca emagrecem... E ninguém, ninguém mesmo, inventou, até hoje, uma pílula sabor lasanha, picanha, arroz, alface, feijoada, estrogonofe, chocolate, cereja... Já pensou se tivéssemos dezenas dessas pílulas na bolsa? Não precisaria sentar-me à mesa para comer, nem ficar pensando no que iria preparar para a próxima refeição. Teria o horário de almoço para fazer o que quisesse! É... Eu sei, sou estranha. Sei disso. Admito que não tenho prazer em comer, em saborear um prato apetitoso de comida, nem quando estou com muita fome. Nunca fui ligada às reuniões familiares ao redor de uma mesa e, geralmente, regadas a comida e bebida. Nesse aspecto sou mesmo diferente das outras pessoas, mas eu tenho de confessar que às vezes me estresso com uma mesa farta. Nada me apetece. É sempre mais do mesmo. Será este o motivo de nunca engordar? Sei lá, mas venho seguindo, embora contrariada, a lei da sobrevivência. Assim, existo. E aguardo o dia em que um cientista doidão facilite as coisas pra mim e para mais alguém neste planeta que deve se sentir um estrangeiro.

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