
Sonho à noite. Pesadelo de dia. Ando sonhando coisas (bem) estranhas ultimamente. Hoje, por exemplo, despencou um ônibus do céu na rua de casa e, mais ou menos como um personagem de "Transformers" (vai vendo...), se recompôs e levou consigo - para o alto de novo - uma vizinha que não vejo há anos. Em outro momento do sonho, um cachorro me disse que não via a hora de voltar para Londres. Acordei com essas imagens na cabeça e nada fazia sentido, claro. Pelo menos naquela hora. Então, conforme as horas foram passando, o dia se estendendo, meu mundo caiu (lembrei do ônibus). Sabe quando você confia inteiramente numa pessoa, ou pelo menos a envolve num cantinho especial do coração, e de repente descobre que ela é
mais uma entre tantas outras? A queda foi grande. A decepção, maior ainda. Fiquei péssima. Tive taaanta raiva de mim. Mas agradeci a alguém lá em cima por me mostrar um caminho, que agora eu sei, será distante dessa pessoa. Se tem uma coisa que não perdoo é traição. Nem foi comigo. Mas mesmo assim é imperdoável. Imperdoável! Agora entendo o mal-estar, a tristeza, o silêncio. Nada justifica. Continua sendo imperdoável.
Começo a achar que as maluquices do sonho fazem sentido. Algo despencando... Uma transformação como se houvesse uma máscara... Alguém sendo levado embora...
Ah, Paula, às vezes acho que você tá ficando louca mesmo. Até associações de sonho? Bom, sei lá, dizem por aí que os sonhos têm significados. Mas tem de saber interpretá-los, certo? Com certeza não é minha especialidade. O que eu diria sobre um cachorro querendo voltar para Londres? Olha que ao cachorro eu até daria nome.
Mais um entre tantos outros.
Essa é a semana do tango. Não há regras de tantos passos para trás ou tantos para frente. Tem de ficar atenta aos comandos do parceiro. A regra é encará-lo. Ou como diria meu professor, 'ter sensualidade no olhar, como se fosse comer o parceiro'. Gostei. Pratiquei. Dei risada de mim mesma. Se não deixar o corpo quase cair enquanto caminha para cima da outra pessoa, o tango não está correto. Leveza, elegância e sensualidade. Três ingredientes que fazem dessa dança uma gostosa mistura de entretenimento.
Censura. Andei pensando se publicava ou não o primeiro texto lá em cima. Às vezes fico me censurando e, quando faço isso, escolho uma música e boto no blog. Geralmente ela exemplifica o que estou sentindo. Num dos blogs que acompanho, li outro dia "poemas como desculpas para declarações" [Lipe Fonseca]. É quase isso o que acontece aqui, sempre que aparece uma música ou um poema. Minha própria alma censura a si mesma. Parece absurdo, não? Decidido. O texto vai ficar bem lá onde está. E ponto final. (bem que eu gostaria de falar mais...) Melhor parir um poema agora.
"Espinhos, vidros rotos, enfermidades, pranto
assediam dia e noite o mel dos felizes
e não serve a torre, nem a viagem nem a muros:
a desventura atravessa a paz dos adormecidos (...)"
Pablo Neruda
2 comentários:
Tango... uhnnn.... adoroooo.
Não ligava muito até conhecê-lo de perto, na Argentina.
Há poucas escolas que ensinam essa dança né? principalmente em Jundiaí.
Bjs
Jana
Hei! eu fui citado num post?! posso colocar no meu currículo? posso mostrar para meus pais (acredite, eles ficam orgulho até se eu fizer um cinzeiro de argila)? que lindo. às vezes eu me pareço fácil de se fazer feliz: basta me citarem num blog que abro um sorriso (mas em outras eu sou bem difícil de rir, admito).
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