domingo, 8 de fevereiro de 2009

Peripécias sobre 4 patas

Estão falando de mim, é? Hoje estou bem mais gordinha...

No primeiro dia de 2008 ela estacionou as quatro patas no portão de casa. Sem combustível, ali ficou. Tinha cara de cachorro de rua, carente, muito carinhosa. Fazia festa quando via alguém chegando. Os vizinhos, e também nós, começamos a alimentá-la. Logo estava para dentro do portão. Portanto, ela escolheu a casa e a família. A Babalu é Mestrinel desde então. No início, os dois gatos não gostaram muito da nova 'irmã', mas acabaram se acostumando às trapalhadas da garota.

Said e Sophia: o jeito foi aceitar mais quatro patas

Juramos que não teríamos outro cão em casa, após a Paquita ter ficado 18 anos conosco. Estava trabalhando quando ela morreu. A imagem dela na minha memória é de uma cachorrinha feliz, apaixonada pelo meu pai. A Babalu, por coincidência ou não, é a cara da Paquita. O mesmo humor, a mesma teimosia, focinho idêntico. Mas este primeiro ano com a Babalu já ultrapassa as peripécias da Paquita durante 18 anos. Pra começar, nos primeiros meses ela fugiu de casa e voltou prenha. A barriga foi crescendo, crescendo e logo explodiram nove filhotes. A família aumentou assustadoramente. Assustadora também era a ideia do que fazer com tantos cachorros!

Café da manhã dos filhotes
À medida que cresciam os oito filhotes - um morreu porque foi rejeitado por ela - caíamos em estado de graça. Aos poucos, e com aperto no coração, conseguimos com que todos fossem adotados e tivessem um novo lar. Então, a família voltou ao tamanho normal: três pessoas, dois gatos e um cachorro. Para precaver um novo acidente, castramos a Babalu, que nunca deixou de escapar para a rua quando podia - até o dia em que fugiu pela última vez (espero que seja).

Saudade desses gorduchinhos...
Eu estava saindo do banho, atrasada como sempre para ir ao trabalho, quando escutei uma freada brusca de carro na rua e, em seguida, os berros da Babalu. "Foi atropelada", pensei. Numa atitude solidária do mundo animal, todos os cachorros dos vizinhos começaram a latir, como se quisessem socorrê-la. O desespero tomou conta de mim, sozinha em casa. Não achava a chave para abrir a porta e ela gritava cada vez mais, estendida no asfalto. Numa tentativa desesperada (de dor, claro), ela tentou me morder quando fui tirá-la do chão. Não conseguia levantar. Eu continuava sozinha, pois nem o imbecil que a atropelou parou para socorrer. Embrulhei o corpinho torto dela numa toalha, pus dentro do carro e fui imediatamente à clínica veterinária.
Resultado: a Babalu acabava de fraturar a bacia e o fêmur. Chorei. O que fazer com uma cachorra - não gosto da palavra cadela, embora fosse a mais adequada - com a bacia quebrada? Nada. Não há o que fazer, segundo o veterinário, além de repouso. Nem o fêmur foi imobilizado. Ficou dois dias internada e voltou para casa, péssima. Eu preferia que todas as loucuras dela voltassem a vê-la naquela situação. Ficou 40 dias deitada. A teimosia escapuliu-se. Eu diria até que ela entrou em depressão.
Antes do acidente, eu pensava em inscrevê-la naquelas competições de corrida de cães (agility). O talento dela é incrível. Faz-me lembrar os carneirinhos pulando a cerca nos sonhos, só que em alta velocidade e com vários obstáculos. Fiquei triste quando imaginei que ela não voltaria a correr tão cedo, ou se voltaria.
O acidente foi em outubro passado. Minha irmã estava na África e me ligou justamente na hora que eu voltava do veterinário, inconformada, arrasada, chorando. Ver a Babalu - a cachorra mais 'capeta' que já tive - com o corpo estatelado no chão acabara comigo. Ficaria boa?
8 de fevereiro de 2009. Ninguém diz que a Babalu quebrou a bacia e o fêmur, a não ser por um detalhe: o rebolado engraçado. A mais nova Mestrinel voltou a correr feito louca e faz cinco minutos de demonstração das suas habilidades toda vez que chego em casa. É muito divertido! Preciso achar o botão 'desliga' desse animal. Voltou a pular, subir o degrau do jardim e irritar os gatos com seus momentos insanos. A lição que tirou de tudo isso foi evitar sair às ruas. É estranho (quer dizer, é ótimo), mas ela aprendeu que quando o portão eletrônico abre, ela tem de controlar seus impulsos. De vez em quando chega 'na cara do gol' e volta atrás. Talvez se lembre de um corpo estendido no chão ou não suporta ouvir, agora, os nossos berros:
Baaabaaallluuuuuuu!!!!
Eis a figura, também conhecida como Babaluca

3 comentários:

Gustavo disse...

Simplesmente ótimooooooooo o relato sobre a Babaluca Mestrinel rsrs. Grande cachorra essa... Parabéns pela mascote!

Beijos

PS: pra vc e pra ela, é claro!

Anônimo disse...

Pra você ver como um cãozinho, ou melhor, uma cãozinha (rsrsrs) pode se tornar mais da família do que alguém que é mais próximo.

Beijos

Jana

Garota no Divã disse...

Que coisa mais lindaaaaaa
adorei