Este post vai sem foto por motivos óbvios...
Elas me assombram, causam verdadeiro pavor sempre que nos encontramos. Mesmo silenciosas, penduradas numa bela colcha de retalhos que só elas sabem produzir, me dão medo. Parecem suspensas no ar, com suas patas ligeiras caso algum bichinho desatento se enrosque naquela rede artesanal. Deve ser uma espécie de “aracnofobia” o que sinto. Toda vez que encontro uma daquelas que não depilam as pernas, fico uma semana inteira imaginando aranhas pela casa, debaixo do lençol, no box do banheiro... Mas a nossa convivência tem sido mais constante. Aprendi a respeitá-las. Porém, cada uma no seu espaço, por favor. Quando vou caminhar pela manhã com meu pai, numa estrada distante uns dois quilômetros de casa, me ponho a vigiá-las. Normalmente tenho um olho no meu pai e outro nelas, praticando bungee jumping entre os galhos das árvores, testando a qualidade da teia. Então eu estava a espioná-las nesta quinta-feira [vai que alguma decide saltar, suicidar-se... sei lá], quando um carro preto, em alta velocidade, ganhou minha atenção. Tinha insulfilm em todos os seis vidros e passou bem próximo de nós. Uma certa brisa tocou as aranhas, balançando suas redes com suavidade. Em poucos instantes, o veículo deu meia volta e parou ao nosso lado. Eu já não tinha mais pânico de aranhas. O pavor em relação ao bicho desapareceu, mas outra criatura me botava medo. Desceu o vidro e, antes que eu olhasse, logo questionou: “está passeando ou trabalhando?”. Então resolvi olhar, já que aquela voz me pareceu conhecida [um déjà vu momentâneo]. A criatura era o vice-prefeito dessa ‘pequena e pacata cidade de Miracema do Norte’. Trocamos algumas palavras devido ao encontro inusitado numa estrada de terra e o carro preto seguiu seu rumo, deslizando pelo asfalto, lá na frente. Depois disso, o medo das aranhas dissipou-se, revelou-se bem menor. E a moral da história, cada um que tire a sua.
Nenhum comentário:
Postar um comentário