quinta-feira, 7 de maio de 2009

O encontro

Imagem: Google
Quatro pés dispostos, caminho livre. Manhã de outono. Elas nos cercam abraçando a rua. São gigantes e acolhedoras. Abrigam pássaros e outros visitantes. Anunciam sombra quando o sol inunda nossas cabeças pelas frestas dos galhos. Ilustram a paisagem com a cor verde e, vez ou outra, lançam folhas secas ao chão, como corpos silenciosos, fim de um ciclo. Meu pai imita o som dos animais e atrai os saguis, que atravessam a rua com a graça dos equilibristas em fios de eletricidade. Trazem energia para continuar a caminhada matinal e nos espiam atentos, como se fôssemos nós, os bichos. As pernas aceleram no asfalto e logo alcançam a terra, ainda úmida. E novamente elas abrem seus braços, mostram seus frutos ou flores. O ar puro invade nossas entranhas e estimula os passos, impelindo-os para longe, bem longe de todos os pensamentos. É possível ouvir o movimento dos animais no meio do mato, cada qual em seu esconderijo, e ligeiros à curiosidade humana. Nenhum Alzheimer sequestra meu pai nestes instantes. Apenas ela, a majestosa natureza.

Nenhum comentário: