Parado no semáforo
O senhor maltrapilho, faminto
Trazia uma caixa de balas nas mãos
No rosto, marcas do tempo injusto
Da vida dura e desgraçada
Da falta de oportunidade
Seu caminhar era lento, cansado
O corpo sentia esgotamento
A face resistia aos raios do sol
Era a expressão de um velho brasileiro
Na rua da amargura, sem qualquer direção
Alto, magro, ossos saltados
Olhou-me nos olhos
Não teve coragem de oferecer uma bala
Sentou na calçada e ali repousaram seus quase 70 anos
No bolso, uns trocados
Na alma, tristeza profunda
Desesperança
A luz verde iluminou a escuridão
Todos seguiram seu destino
Mas ali ficou parada uma vida
Nenhum comentário:
Postar um comentário