Na última sexta-feira, feriado religioso em Jundiaí, aconteceu alguma coisa aqui dentro. Tenho minha espiritualidade, independente de religiões. Sou católica, mas não vou à missa. Porém, no feriado da padroeira, enquanto trabalhava pelo jornal, assisti toda a celebração na Catedral, lotada. Como jornalista tem de achar um canto para ficar, e geralmente é o pior local, fiquei de costas para o altar e de frente para a multidão que se estendia dentro e fora da igreja. Vislumbrar a expressão de cada olhar, de cada rosto, me inspirou de uma forma inexplicável. A fé das pessoas parecia transbordar e, vez ou outra, deslizava pela face uma lágrima cheia de devoção, de agradecimento. Fiquei a imaginar o que estariam pedindo todas aquelas pessoas, os seminaristas, as irmãs da congregação, as crianças, os jovens, os idosos... Tanta gente acordou cedo para acompanhar a procissão! Enfim, percebi que alguma coisa mudou mesmo, embora eu não tenha feito nenhum pedido à padroeira. Talvez ela tenha ouvido meu coração, necessitado de paz. É assim que me sinto hoje, em paz.
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