domingo, 26 de janeiro de 2014

Minhas duas internas

Minha amiga Roberta Borges me apresentou a Madeleine Peyroux, uma cantora nascida na Georgia, e cuja cuja música me levou a um passeio de bike sob o Arco do Triunfo, em Paris. Sozinha. Engraçado como minhas "alucinações" me tornam solitária também. Não consigo projetar alguém ao meu lado. Só a sensação de andar de bike com o vento cortando o rosto já me faz feliz.

Além da música, uma frase me deu o empurrão que faltava para decidir se deixo o medo tomar conta de mim ou se me lanço de vez em mais uma aventura. "O homem não consegue descobrir novos oceanos, se não tiver coragem de perder de vista a costa." [Andre Gide]

Tão eu! Adoro perder de vista a paisagem, deixar para trás, pelo menos uma vez ao ano, meu porto seguro, e embarcar numa nova empreitada. Férias se aproximam! Planos borbulham. Mas o medo me atrapalha. Pensar demais me complica. Eis o xis da questão.

Se lança ao mar, Paula! Já estou num estágio de loucura que me dou conselho e quase aceito. Ou melhor, aceito. Não sei o que é pior. Corre atrás do sonho, Paula! A vida é breve. "A vida é só o meio entre o nascimento e a morte", já dizia Martha Medeiros, que tem me acompanhado nas últimas noites com seus textos de "A graça da coisa".

Ter frio na barriga, desafios para enfrentar e discussões internas acaloradas só apimentam a relação entre mim e mim. Sabe aquela história de que há duas pessoas dentro da gente? Então, a primeira que me habita é a mais certa da cabeça, aquela que vive no conforto da rotina e também a que mais tem medo. A outra é a mais 'cool', aquela que se entrega sem pensar, que vai adiante, com medo ou sem ele. Sou uma mistura das duas hóspedes em mim. E o atrito entre elas é perturbador, algumas vezes.

Vai, Paula! Anda logo que o ano está só começando. Sai do lugar, mulher!!!
E eu vou. Ah, essas duas me matam... Vou soprar do meu ombro a que menos me incentivar.



"Don't wait too long"
Música de Madeleine Peyroux, feita sob medida para mim


2 comentários:

lipe fonseca disse...

posso te dar um conselho? Don't wait too long! uma vez eu abandonei tudo e fui, mas percebi que precisava abandonar apenas para voltar, refazer velhas escolhas... enfim, dito assim parece tudo muito misterioso, mas é algo simples que hoje me dá muita certeza de ser feliz apesar dos pesares... já assistiu "Na natureza selvagem"? acho que é mais ou menos aquilo. ou quase.

Unknown disse...

Felipe, queridão!!!
EU VOU!!!!!!!!!!! Mas como você, pretendo voltar... Bjo, obrigada pela visita.