quinta-feira, 1 de maio de 2014

Because I'm Happy



Essa música marcou o mês de abril, que se foi tão rapidamente, escorrendo pelos dedos como água. Ela tocava em todos os lugares no Canadá, enquanto estive morando na casa de filipinos, por um período adorável. Nas baladas, era uma festa! Ao som dela dancei juntinho, me diverti, gargalhei com amigos, assistimos a uma apresentação de dança no gelo. É exatamente assim que ela me deixa... Happy!!! Quando começa, parece que liga um botãozinho e o corpo automaticamente se movimenta. É daquelas canções para guardar no arquivo da mente e disparar lembranças eternas.

Da mesma forma, Vancouver. Ô cidade boa e linda para morar. Cara, admito. Mas sensacional em todos os aspectos. Repleta de montanhas, parques para todos os lados, árvores (cherry blossoms, minhas preferidas), gente bonita e simpática, frio na medida certa, dias com sol, outros com chuva para andar com alguém embaixo do guarda-chuva, praia, tulipas, ursos (felizmente não topei com nenhum na rua), neve no pico das montanhas, pontes imensas sobre o rio Fraser, prédios que riscam o céu com seus reflexos prateados, esportes radicais... Difícil não gostar de algo tão diversificado, uma cidade que abre os braços para pessoas do mundo inteiro.

Amei o intercâmbio cultural, principalmente. Passaria meses estudando, se minha condição financeira permitisse. Transporte público funciona bem e não falta. Tem de tudo na cidade, até cinema que exala o cheiro das imagens ou que faz nevar (amazing!). Não há ócio. Ninguém fica parado devido à quantidade de opções de entretenimento e lazer. Os parques são imensos e a partir deles a gente se deslumbra com uma visão incrível, a pé ou de bike.

Apenas a parte gastronômica deixa a desejar. Comer algo salgado é uma missão quase impossível. Tem um Starbucks em cada esquina, e uma rede americana, chamada Tim Hourtons, também. Porém, em nenhum lugar você encontra uma opção salgada para saborear. Só doce. Meu corpo não aguentava mais tanto açúcar no sangue... Até encontrarmos um restaurante brasileiro!

Quando você viaja sozinha tem de enfrentar mais desafios do que se estivesse acompanhada. Pelo menos é assim que eu vejo. Quando alguém sentava no ônibus comigo e começava um papo de aranha pro meu lado, apenas eu tinha que me desfazer da teia, certo? Cheguei a descer um ponto antes de casa, quando um rapaz canadense começou a me assediar. Ia recorrer a quem? Ao motorista mal humorado que não me ensinou a validar o tíquete do ônibus e me mandou sentar?

Pois é... de todos os amigos que fiz durante a viagem, nenhum morava perto da minha casa, localizada a mais de 20km do centro. Então eu me aventurava sozinha. Um dia desci do trem no meio do caminho e fui passear no shopping. Na volta, entrei "de alegre" no trem errado e parei no fim do mundo. Ou melhor, na porta dos fundos do Canadá. Que desespero! Mas era um lugar tão lindo, que aproveitei para alcançar as montanhas cobertas de neve, apenas com o olhar. Pedi ajuda a uma senhora e consegui voltar sã e salva pra casa.

A experiência foi incrível porque das pequenas conquistas trouxe uma grande riqueza de conhecimento e realizações para a minha verdadeira casa. A maior lição é acreditar mais em mim e na minha capacidade. Deixei também uma riqueza por lá: amigos brasileiros e asiáticos que nunca mais esquecerei. Interessante como em pouco tempo a gente se conecta a amizades profundas. Nunca imaginei que minha melhor parceira em sala de aula fosse ser uma russa! É um bom começo para pensar em novas experiências fora do País.




     

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