sábado, 7 de janeiro de 2012

Pedaços (valiosos) de papel


"Tenha coragem de seguir o que seu coração e sua intuição dizem. Eles já sabem o que você realmente deseja. Todo resto é secundário" [Steve Jobs]

Eu tenho mania de guardar cartões e cartas. Tenho uma grande quantidade, guardada a sete chaves. Mentira, não estão tão bem guardados, mas ninguém tem acesso. Gosto de exclusividade. Afinal, foram escritos pra uma única pessoa. A frase acima, por exemplo, veio em um cartão recente que recebi, de um músico que admiro profissionalmente.

O mais criativo chegou ano passado. Acompanhado de um mega vaso de flor, o envelope trazia um convite para ir a São Paulo. E não parou por aí. Havia  dois bilhetes da CPTM anexados ao cartão, pra "facilitar" a ida até a Capital, ao lado do autor desta façanha. Gostei, bem criativo. Mas não fui. E me reservo ao direito de não entrar em detalhes. 

Depois teve o postal-surpresa da Alemanha, de um amigo-relâmpago alemão; a oração em forma de carta que recebi no meu aniversário; e as antigas e inúmeras cartas que eu trocava com uma amiga na época da faculdade. Eram cartas que transportavam nossas paixões por rapazes que eu nem sei mais se existem. Tantos questionamentos fúteis! Tantos desejos e apreensões! Hoje nossas questões são outras, nem tão mais fúteis, talvez um pouco mais maduras. 

Uma coisa é fato: cartas e cartões estão cada vez mais escassos. Aos poucos foram substituídos por e-mails, por blogs. E é por isso que tenho a incansável mania de guardar os pedaços de papel que recebo. São tão íntimos pra mim! Dão a impressão de que chegam com o cheiro de quem os enviou, ou talvez sejam até um pedacinho da pessoa. Pela letra você sabe se o autor escreveu rápido ou teve tempo pra caprichar. Você vê dedicação. Percebe que a pessoa parece mesmo gostar de você, ou não. Pode acontecer também de você perceber isso. 

Eu adoro escrever em papel. E essa minha paixão vazou ano passado, quando fiz algo pra pessoa que mais amo no mundo. Um dia antes de ela embarcar pro exterior, pra morar três meses fora, entreguei 90 pedaços caprichados de papel, pra que ela pudesse ler um por dia, até voltar pra casa. Amei fazer os minicartões e minha irmã amou ter um pedaço de mim a cada dia, lá do outro lado do Atlântico. Atenuou nossa saudade.  

Também nos últimos dez anos [sim, estou festejando 10 anos de jornalismo!] recebi muitos cartões de leitores de minhas reportagens no JJ Regional. Hoje, revendo alguns, fiquei sentida por perceber que já não lembro mais de algumas pessoas que me escreveram. Que feio, Paula Fernanda! Mas tem um especial que eu gostaria de reproduzir aqui, pois há duas coisas importantes, que talvez eu tenha perdido com o tempo, e queria muito recuperá-las.

"Querida Paula,
Quando leio suas reportagens não sei o que você é mais: se jornalista ou poeta. Emprestando as palavras de Jane Austin, diria que é razão e sensibilidade" [21-05-2007, de uma leitora que me fez colecionar cartões]



3 comentários:

Vitoria disse...

Não sei porque fiquei tanto tempo sem visitar o Blog. Adooooro cada palavra!

Unknown disse...

Ai, quanta saudade eu senti de você!!!! Tanta coisa pra dizer... Vc fez muuuita falta, amiga.

Vic disse...

Vc tbém fez. E faz. Vamos nos ver logo. Please.