segunda-feira, 7 de junho de 2010

Se não houver portas...


dizia minha mãe na infância que eu tinha de ser bem educada, tinha de tratar bem as pessoas, tinha de ficar quietinha na igreja.
Ela dizia que eu tinha de ser uma boa filha, uma boa irmã para minha irmã.
Eu tinha de ser tanta coisa quando criança que cresci achando que tinha de ser um montão de coisa.
Hoje me perdi e já não sei o que tenho de ser para as pessoas acharem que sou alguma coisa. Aliás, elas não precisam achar porque eu tinha de ser, agora sou só eu, caminhando com as minhas próprias pernas. Sou uma pessoa que escreve o nome com apenas cinco letras. Simples assim. Sou quem eu quero ser, a qualquer hora do dia e da noite. Posso ser uma e ao mesmo tempo tantas - a que trabalha, dança, estuda, cansa, descansa, lê, ri, chora, fica triste, feliz, avança, tropeça, congela o tempo na parte que gosta.
Gosto de ser o grão de areia no meio da multidão que perambula pela orla do mundo. Gosto de ser a pequena peça que se encaixa numa engrenagem de vida que eu não sei como funciona. Mas funciona. Se não houver portas a abrir, eu desenho uma, ultrapasso-a na minha imaginação, crio o caminho, semeio flores, pinto um arco-íris e faço uma borboleta voar. Há sempre uma escolha ou várias. O que eu tenho de ser é humana. O que eu tenho de fazer é me vestir de mim mesma!

P.S.: Acabei de ler "Múltipla Escolha", da Lya Luft. O texto acima é inspirado no livro dela. Mas não se parece nada com a obra. 

Um comentário:

Simone Lins disse...

Oi Paula, vou passar sempre pra visitar seu blog, amei o texto!
Bj