quarta-feira, 24 de março de 2010

Canção das mulheres

By Lya Luft

Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.
Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.
Que o outro aceite que me preocupe com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.
Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.
Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.
Que se eu estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doenta, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.
Que o outro sinta quando me dói a ideia da perda, ou ouse ficar comigo um pouco, em lugar de voltar logo à sua vida.
Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo "Olha que estou tendo muita paciência com você!"
Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada, diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.
Que se eventualmente perco a paciência, perca graça e a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.
Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.
Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher. 

2 comentários:

Jana disse...

Adorei o texto!

Adorei a foto!!!

Bjs

KASSAI NEWS disse...

Gostei muito deste seu texto Paulinha !

um beijo,
Caio Kassai