terça-feira, 11 de agosto de 2009

Pandemias

Olá, "monstro de escuridão e rutilância"! É sempre assim que um amigo querido me cumprimenta quase todos os dias - e se não fosse querido fico imaginando como é que ele me chamaria. Pois hoje eu encasquestei. De onde ele tira isso? Eis a resposta: Augusto dos Anjos. É uma parte do poema "Psicologia de um vencido", que transcreverei quando acabar este post. Mas que coisa mais romântica! Cumprimentar-me com um trecho de um poema... Nem todo dia a gente tem essa honra! Estou de volta após um tempo em Paris, como a Adelaide Cristina relatou a vocês na última semana. Foi bom enquanto durou. Tudo é lindo! Tudo maravilhoso, mas acordei para a vida quando uma amiga que eu não via há algum tempo faleceu na semana passada, de gripe suína. Fiquei arrasada! Éramos muito amigas no magistério e guardo diversas fotografias nossas juntas. Começo a ficar assustada com esse vírus cretino. Me vejo na obrigação, portanto, de compartilhar tudo o que aprendi essa semana, numa entrevista com o biomédico que ficou famoso num programa de tevê aos domingos à noite. Ele é fantástico! Não queria dizer o nome do programa, mas fica aí nas "entrelinhas". Já o biomédico, que também não vou citar o nome, costumava atacar bactérias. Também fica aí nas "entrelinhas". Enfim, vocês sabiam que uma gota de saliva contém 2 bilhões de bactérias? E que a pele contém 3 bilhões? Assoprar a velinha de aniversário ou a colher com comida quente ficam, obrigatoriamente, proibidos, certo? Deixar de lavar as mãos nem se fala!!! Higiene é a palavra do momento. Gente, o uso do álcool gel não substitui a lavagem das mãos, tá? E se as mãos não estiverem limpas, não adianta passar o álcool a cada 1 minuto. Se mesmo assim você for teimoso e passar a cada 60 segundos, saiba que a sua pele será danificada pelo produto, causando frestas por onde entrarão as famintas bactérias. Aí melou tudo! Além disso, pra evitar pegar qualquer espécie de gripe neste inverno, a resistência do organismo deve estar lá em cima. Nada de comer uma folhinha de alface no almoço e outra no jantar. Alimentação saudável [com mais de duas folhas de alface, pelo amor de Deus!] é fundamental para não deixar a resistência cair. É isso! Quero amigos com saúde e por muuuuito tempo ao meu lado. Agora fiquem com o poema do Augusto dos Anjos que, nas entrelinhas, está citando a minha pessoa. Parece até que o poeta já estava prevendo uma pandemia... Psicologia de um vencido Eu, filho do carbono e do amoníaco, Monstro de escuridão e rutilância, Sofro, desde a epigênesis da infância, A influência má dos signos do zodíaco. Profundíssimamente hipocondríaco, Este ambiente me causa repugnância... Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia Que se escapa da boca de um cardíaco. Já o verme — este operário das ruínas — Que o sangue podre das carnificinas Come, e à vida em geral declara guerra, Anda a espreitar meus olhos para roê-los, E há-de deixar-me apenas os cabelos, Na frialdade inorgânica da terra!

3 comentários:

Jana disse...

Valeu pelas dicas...
Bjs

Unknown disse...

Oi, Jana! Na verdade, não contei nem metade de tudo o que aprendi. Mas as coisas mais importantes eu repassei.
Beijinho

Gustavo disse...

Muito bom! Augusto dos Anjos. E eu que pensei que só eu tinha esse gosto poético!

Beijo Paulinha