Sempre gostei de "fazer" a mala. A gente enche a bagagem de roupas, mas muito mais de expectativas. E quando vê, não cabe mais nada, nem um fio de cabelo passando pelo zíper. Bem que caberia! Pensa naquele vestido lindo que dobrou e colocou embaixo de tudo, imagina a ocasião em que irá usá-lo, os olhares que vai receber. Também pensa naquela saia que não coube e que terá de ficar no guarda-roupa.
Tenho prática e habilidade em dobrar tudo de forma organizada. Coloco música para relaxar e não esquecer nada. Olho a previsão do tempo e tenho noção de quantas blusas de frio ou calor devo inserir no pacote de viagem, nas tão almejadas férias.
É... viajar é tudo de bom. Embrulhar a esperança de que tudo vai dar certo é melhor ainda! A ideia de ficar em alto mar por vários dias não me agrada muito, mas, assim como a mala, me dobro em mil pedaços e me deixo levar ao balanço das ondas.
Ao final do dia, metade da mala permanece sem uso. A expectativa é muito maior e precisaríamos multiplicar as noites para usar tudo o que está apertadinho ali dentro. Uma explosão de coisas se passa pela cabeça, como se todos os sonhos estivessem armazenados num cantinho da mala. É como dobrar a vida em várias partes, adormecer um lado das coisas, deixar outros à mostra, tirar a roupa de todos os dias e vestir uma nova pele. É despentear, descabelar, amassar e desamassar. É se entregar!
É voltar para casa dias depois e desfazer tudo o que estava ali dentro, agora nem tão organizado. É um simples desabrochar... E renascer.
(Uma dica de música pra fazer ou desfazer a mala: "Stay with me", de Sam Smith,
principalmente se estiver apaixonada)

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