sábado, 22 de dezembro de 2012

Primeiras vezes

Hoje é dia 22, um dia depois do "anunciado" fim do mundo, que não aconteceu. Mais um sol brilhou e a rotina deu o ar da graça. De algo que vai acabar, só visualizo o ano. 2012 foi um período de "primeiras vezes". Foi um ano de amadurecimento, de erros e aprendizados. Conheci gente nova, gente bem interessante, disposta a amar e que sem querer magoei. Conheci gente mais interessante, disposta até a casar, e que sem querer me magoou profundamente. Difícil não rememorar a "Quadrilha", de Drummond. [João amava Teresa, que amava Raimundo, que amava Maria, que amava Joaquim, que amava Lili, que não amava ninguém...]

Não foram finais felizes, mas foram finais e começos que me ensinaram. Pela primeira vez eu disse sim a um pedido que poderia mudar minha vida. Pela primeira vez, fui corajosa e disse coisas que jamais tinha dito. E também pela primeira vez, disse o que outra pessoa queria ouvir, não o que eu realmente sentia, para simplesmente não magoá-la. A gente descobre depois de um certo tempo que a pressa é a sua pior inimiga. É com o tempo que se conhece alguém e enxerga que o sentimento é verdadeiro, ou não. E quando não é, pulo fora, não faço ninguém de "muletas" pra caminhar. Minhas pernas andam sozinhas há muito tempo. E tenho orgulho disso.

Foi um ano em que abri os olhos pra muita coisa. Foi um ano de novidades, de promoção no trabalho, e de distância de pessoas e coisas que não me fazem bem. Em alguns momentos, a fraqueza me venceu, admito. Liguei o piloto automático e explodi por dentro, mas instantes depois recobrei a consciência. Chega de enganar o coração. A gente não gosta de alguém pela beleza, pela cor dos olhos, pelo toque das mãos ou pelo corpo. A gente gosta de alguém que quer ficar do seu lado, nos momentos mais difíceis. Gosta de alguém que te levanta e te ensina a crescer. É quando a gente aprende que se não souber perder, nunca vai ganhar.

As pessoas que te fazem feliz são aquelas que estão com você todos os dias. São aquelas que se preocupam com você e sua família. Perguntam - mesmo por e-mail - como você está. Oferece ajuda, consolo, ou apenas palavras leves, que alimentam a esperança. A pessoa que eu menos esperava ligou no meu aniversário. E no mesmo dia, senti o beijo carinhoso de alguém que já se foi. Inexplicável, a vida, e também a morte.

Pela primeira vez entrei num shopping e senti que iria encontrar o ex - que eu não via há sei lá quantos anos. A presença dele me tocou tão forte, que ao me levantar da mesa da praça de alimentação, lá estava ele, sentando para almoçar. Inexplicável. Assim como é inexplicável, depois de tantos anos, passar por ele  indiferente, não sentir nada. Foram quase 4 anos e meio juntos e, de repente, você percebe que o passado não significou muita coisa. São descobertas libertadoras. O passado está realmente no lugar que deveria estar.

Pela primeira vez comprei um CD sem conhecer o grupo e tive a grata surpresa de adorar as músicas. Também li muitos livros e ganhei outros sete neste fim de ano. Comprei coisas por compulsão (não repita isso, Paula Fernanda!) e nunca me dei tantos presentes (tá, de vez em quando eu mereço).

Pela primeira vez assisti aos filmes "Casablanca" e "Tarde demais para esquecer". Deste último, inesquecível a frase: "ninguém deveria passar por um inverno, sem recordações calorosas". Em Casablanca, ainda ecoa a pergunta de Ingrid Bergman: "isso foi uma bala de canhão ou meu coração?". Segundo um amigo cinéfilo, já posso morrer feliz. Ainda falta colocar na bagagem cultural os clássicos "Dançando na Chuva" e "Em algum lugar do passado" - que eu vejo hoje, sem falta. Foi um dos presentes para mim mesma.

E pela primeira vez, nunca escrevi tão pouco no Esconderijo da Palavra. Não farei promessas de escrever mais. Aliás, nenhuma promessa para 2013. Pela primeira, segunda e terceira vez, tenho medo de não cumpri-las. É a primeira vez que sigo sem planos. Um dia de cada vez. É isso o que a vida tem me ensinado.   "Amanhã" não está na minha bagagem.

Desejo que "hoje" seja sempre o dia mais especial da sua vida. E que ele comece e termine infinitamente bem. Feliz Natal! Feliz 2013!


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