domingo, 4 de dezembro de 2011

A brisa passou

13 de abril de 2011 - Ushuaia, Patagônia argentina, sua linda!
[Foto: Paula Mestrinel]


Doce e amargo novembro se foi. Desde muito tempo, foi o novembro mais frio [pra mim, em todos os sentidos]. Não terei lembranças deste novembro, apenas se esvaiu, deu espaço para novos dias, cedeu a vez para o próximo mês. Virou sua página. Por mais que eu deseje muitos novembros em minha vida ainda, nenhum deles será igual ao outro, mas espero que os próximos sejam brilhantes e iluminados. Como sempre deve ser a primavera. Ô tempo doido!

O cenário desta imagem acima, pincelando uma gelada manhã de abril deste ano na Cordilheira dos Andes, jamais será o mesmo. Posso voltar para Ushuaia um dia, mas tenho certeza que nunca mais farei esta foto, com estas cores ou com esta composição que tão boas lembranças me trazem. O ar denso, o nariz vermelho, as luvas tentando esquentar as mãos... Um dia de aventuras pela frente.

É assim. O que passou, passa. Já teve seu tempo. A brisa que balança a cortina neste exato momento simplesmente se dispersou. A música tocou sua última nota. Outra se inicia. O rojão estourou no céu. O jogador errou a trave. A palavra grafou sua mensagem. O ponteiro do relógio girou. A flor, cansada, despencou.

É como me sinto alguns dias. Cansada. Murcha. À espera de outras primaveras.

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