Era manhã de primavera. Folhas tingidas de amarelo deslizavam dos galhos e dançavam em sintonia com a brisa que passava pela rua. Uma nova cor florescia entre as flores do jardim. A menina descansava o queixo sobre a palma da mão e olhava pela janela. O Natal se aproximava, mais uma vez. O fim de ano lhe cobria de nostalgia.
Trocou a mão que amparava o rosto. Repousou o corpo numa cadeira, ainda com vista para o horizonte. A visão atravessava a janela; a imaginação a teletransportava. Ela o via caminhando em sua direção, de mansinho, como as nuvens que se aprumavam pelo céu. Lembrou o último beijo. Sabia que era mesmo o último. Uma loucura. Um devaneio. Um amor impossível.
O verão começava a aquecer as lembranças. Ela ainda o desejava. Ele a atraía como presa fácil. Ao vislumbrar a distante linha do horizonte, agora com mais critério, percebeu a chegada de algumas nuvens carregadas. Era hora de dar um basta. Sabia que este amor traria tempestades, trovões, chuva de lágrimas.
Afugentou-o novamente num canto do coração e ali deixou seu amor aprisionado. Não sabia por quanto tempo, mas gostaria que fosse para sempre, ou até um abalo sísmico provocar tremores fragmentados em lembranças.
Retirou a mão do queixo. Ergueu a cabeça acima da janela e olhou para o mundo. Estava pronta para abrir a maior parte do seu coração e encontrar alguém que o preenchesse. Alguém que fizesse por merecer o melhor que ela tinha a oferecer.
A chuva despencou ligeira pela janela. A mulher levantou da cadeira; enxugou as lágrimas. Fechou uma porta. Abriu outras. O ventou entrou e arejou seus pensamentos. Varreu o passado. Bateu à porta o presente e o futuro. Mais um ano estava prestes a nascer.

2 comentários:
Espero que no final de 2011, a menina olhe para a janela com um montão de novas lembranças, lembranças maravilhosas de novos beijos, novos amores, novo ano, vida nova! Que este coração gigante esteja bem recheado, mas que ainda tenha um espacinho prá mim... bjão
Sua irmã predileta!
Irmã mais linda,
O espaço maior no meu coração já tem dono: é seu desde que nasci. Espero que a gente vislumbre juntas o decorrer de 2011, como uma paisagem linda. Só me conte como serão as paisagens do outro lado do mundo, quando você estiver fora.
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