terça-feira, 7 de setembro de 2010

Like baby, baby, baby, nooo

Um pincel cinza tingiu o céu na segunda-feira. Acordei cedo e queria fazer alguma coisa fora da cidade. Sem companhia, peguei o trem rumo a São Paulo. Acho fascinante esse transporte público, que poderia receber mais investimentos do governo. Por dia, quantas milhares de pessoas usam o modal ferroviário? Um sem número de gente. Observar a paisagem atravessar a janela é impagável. Serpentear as cidades sobre os trilhos também é encantador.

Em Francisco Morato, um garotinho que aguardava o trem quebrou o encantamento. O moleque começou a cantar Justin Bieber: "Baby, baby, baby, ohhh, like baby, baby, baby, nooo". No, no, no!!! Minha mente estava tranquila até então. Acordara cantando Whitney Houston [I have nothing, nothing, nothing... If I don't have you] e, de repente, me peguei cantando a música cretina do Justin Bieber até chegar em São Paulo. É impressionante como alguns refrões grudam que nem chiclete no cérebro.

Daí, quando não se tem com quem conversar, comecei a lembrar do quadro do Pânico na TV, no qual Marília Gabriherpes entrevista Justin Biba, Beto Barbosa e Mariah Carey. Imperdível.  Parecia uma boba rindo sozinha no trem. Mas pelo menos esqueci do refrão de "Baby". 

Voltei a cantar em silêncio Whitney Houston. Morri de inveja das pessoas ao lado, todas com fone de ouvido. Por que eu não levei o meu? Mania de achar que vou ser assaltada... Mania besta, por sinal. Na noite anterior eu tinha feito uma seleção das músicas mais lindas da Whitney e mandei pra minha irmã. Na segunda-feira cinza, quando acordei, liguei para convidá-la para passear em São Paulo. E sabe o que ela respondeu?

_ Estou ouvindo Britney Houston, vou ficar na cama hoje.
_ Hã???

Quanta diferença faz trocar um WH por um B...

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