Ando acostumada a trabalhar num ambiente tão agitado e conturbado que o silêncio me assombrou naquela madrugada. Pela primeira vez, minha mente estava vagando por uma vida com o volume desligado. Dormi de novo. Às 7h30, o celular despertou quebrando o silêncio. Ah, a realidade de volta!
Essa semana, peguei "Mamma Mia" pra assistir. Não tinha som no meu DVD. Tá, que ótimo! Um musical sem som. Aquela madrugada silenciosa devia mesmo significar alguma coisa. Depois de quase quebrar o aparelho tentando ouvir algum som que fosse, me conformei e assisti até o fim, só de raiva. Foi até engraçado ver Meryl Streep e Pierce Brosnan cantando e gesticulando, sem som. Acabei me divertindo e passando raiva ao mesmo tempo, mas gostei do filme. E agora entendo o que me disse certa vez o grande maestro João Carlos Martins numa entrevista. Ele me pediu para ver algum filme sem música e prestar atenção se me vinha alguma emoção. É... nenhuma!
Grande João. Sou fã deste homem, um guerreiro, e também o artista mais humilde que já entrevistei. Vê-lo tocar piano e reger uma orquestra em Jundiaí foi uma emoção indescritível. Ele é feito de som, tem notas musicais correndo em sua veia.
João Carlos Martins, 70 anos, maestro brasileiro. Site oficial, aqui.
2 comentários:
lindo texto! é como diz o outro, "a pior coisa no silêncio é ouvir os próprios pensamentos". será que o som escraviza? eu, se saio de casa sem os fones, me sinto meio surdo. em casa, dificilmente a coisa toda fica em silêncio [até porque meu estômago vive roncando de fome]. a coisa anda tão estranha que até pra ler a gente precisa de som... medo!
Obrigada, Felipe!
Seu estômago roncando foi ótimo... Moro num bairro muito silencioso e isso às vezes me incomoda - quando eu deveria adorar, sei lá. Interessante vc falar do fone de ouvido, porque eu coloco o meu no trabalho, quando o dia está "fox" demais, e isso me ajuda a escrever. Parece que destrava a mente.
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