segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Quem vai pagar pra continuar a viver?


Confesso, estava com saudade de mandar palavras pra essas bandas de cá. Ei-las aqui, então. E vamos distribuí-las por todos os lados. Sem muito sentido, sem grande importância, sem nenhuma obrigação. Mas palavras hão de visitar este blog nesta noite triste de segunda-feira.

Ontem fui ver vovó, a dona Benedita, que casou com seu Elias, e pariu 11 filhos. Um deles, minha mãe, que ficou sentadinha no sofá da vovó, de mãos dadas com aquela que a criou. Chovia lá fora, na rua Araucária, e dois cachorros de rua se revezavam ao passar em frente ao portão. Molhados, os coitados. Cara de fome, barriga vazia. Partiram meu coração. Cresceu muito o Ipê III, bairro onde a vovó Benedita mora há décadas, lá em Mogi Guaçu. Cresceu muito minha saudade, pois não ia pra lá desde abril. Aos 90, vovó parece melhor que muita gente. Tem saúde de sobra e palavras transbordando pela boca. Como fala!!! Tá sempre cheia de história.

Engraçado como os mais velhos falam de doença, trocam remédios, receitas, cremes, pomadas... Prescrevem coisas e até dão o diagnóstico pra qualquer sintoma. Acho curioso esse costume ou tradição "dos antigos" [que expressão horrorosa, Paula!]. Coceira é sempre alergia, falta de ar é asma, dor na barriga nem sempre é prisão de ventre (ou de vento, como dizem os mais velhos como vovó). Sei lá, talvez eles é que saibam das coisas. Só me irrito um pouco ao ouvir sobre os milagres da igreja (de crenças diferentes), as curas sem explicação, o Senhor que tudo pode e tudo faz. Por isso, muita gente senta e espera. Confia que Ele virá. E espera, espera... Claro que eu acredito em Deus, mas não atribuo a Ele todas as coisas que acontecem conosco, sejam elas boas ou ruins. Acho que temos grande contribuição para fazer o mundo avançar ou desandar. Um dia ser excelente ou péssimo.

Hoje, por exemplo, voltamos à estaca zero num evento que reúne representantes do mundo todo e vem gastando milhões para recebê-los em Copenhague. Assunto de interesse de todos: as mudanças climáticas. Pois bem, as discussões pararam porque não se chegou a um consenso de quem vai pagar a conta para preservar a vida no Planeta Terra. Ou melhor, quem é que vai pagar para que o Planeta não morra em alguns anos? E quem é que pôs as mãos no bolso até agora? Ninguém. Ninguém quer saber de uma dívida que é de todos. Se ninguém paga, ninguém age. Estaca zero. O que mesmo que eles estão fazendo em Copenhague? Passeando...

Acho que é mais fácil uma criança de 4 anos começar a guardar seu dinheirinho para quando tiver que pagar uma fortuna pela água ou pelo ar que respira, num futuro não muito distante, do que um político milionário botar a mão no bolso. Há vida inteligente fora de Copenhague! Minha vovó, aos 90, tem mais cabeça que muito político por aí.

Eu disse que a segunda-feira estava triste... Triste de aguentar!

3 comentários:

Gustavo disse...

acrescente outra notícia que, apesar de boa, é triste!
Voltei para o Bom Dia! E minha cabeça começou a girar novamente!

beijos

Unknown disse...

Que boa notícia, Gu! Posso publicar na minha página de "Boas Notícias" no jornal???
Parabéns, Gu. Vamos nos ver pelas pautas da vida... Beijos

Gustavo disse...

Lógico que pode e vamos!

bjos