domingo, 26 de abril de 2009

Ji + Joca + Jericoacoara

Redes ao mar, pescadoras de sonhos! Eu, Lu, Lorene e Dani (sereias encrencadas).
Vidinha mais ou menos, né?
Paisagem alinhada com a caipiroska. Foi sem querer! Era uma vez um índio chamado Ji e uma índia chamada Joca. Eram primos, se apaixonaram, mas não podiam se casar porque a família não permitia. Resolveram, então, fugir para outro povoado e serem felizes para "sempre" - essa palavra não deveria existir. Nada dura pra sempre. Enfim, eles tiveram filhos e assim foi se criando Jijoca de Jericoacoara. Esta é a verdadeira identidade da deslumbrante Jericoacoara. Imaginem um lugar longe. Agora vislumbrem um local dez vezes mais distante. E, desta vez, um pouquinho pra lá do fim do mundo: bem-vindo a Jijoca de Jericoacoara. De Fortaleza a Jeri foram sete horas a bordo de uma apertada Van, com doze pessoas - lotação máxima. Descemos no povoado de Jijoca - embora se chame Jijoca de Jericoacoara, eles separam as civilizações de Jijoca e Jeri -, embarcamos no pau-de-arara com umas 15 pessoas e partimos para a pousada. Entre pulos, saltos, balança pra cá e pra lá, areia, chuva, mar, mangue e vegetação, foram pouco mais de uma hora para chegar a Jericoacoara. [Jeri = jacaré e Coacoara = coarando ao sol. Idéia resumida: Jacaré ao sol] São apenas cinco ruas, sem pavimentação, sem iluminação pública e muito menos saneamento básico. Não há hospital, mas sim um posto de saúde onde o médico atende uma ou duas vezes por semana. Neguinho, motorista de bug, 43 anos, conta que só foi ao médico uma vez na vida e nunca visitou o dentista. Todos os dentes ainda estão lá, firmes e fortes. Caixa eletrônico? Banco? Imagine! Não há muita coisa em Jeri. Porém, tudo o que há, basta. Fiquei instalada na rua do Forró. As outras vias são as da Igreja, da Padaria e esqueci o nome das outras duas. A padaria abre às 2h da manhã e fecha às 5h30, oferecendo guloseimas que ficaram só na imaginação, pois não tive coragem de levantar às 2h para ir lá. As 'baladas' também começam às 2h da matina, mas quase não havia turistas em Jeri devido à baixa temporada, então pouca coisa funcionou. Quando fomos ao forró, havia ensaio local de quadrilha. Bem diferente daqui! Há competições de quadrilhas por lá - tradição no vilarejo. Bem, tudo o que restou foram as belezas naturais. Após andar as cinco ruas, você avista a uns cem metros a duna do pôr-do-sol. Existe um ritual na cidade em que as pessoas sobem a duna todos os dias, às 17h30, para ver o sol se pôr no mar. Um espetáculo, eu diria. Todos sentam no alto da duna e aguardam as cortinas solares se fecharem. O som do mar invade a arena e as pessoas permanecem em silêncio, imóveis, para observar o crepúsculo. A minha foto preferida (no post anterior) foi feita no caminho para esta duna. Os demais passeios são feitos apenas de bug, exceto o da Pedra Furada, aquele cartão-postal de Jeri que todos devem conhecer. Tatajuba é um outro povoado perto de Jeri - quer dizer, a mais de uma hora de bug - e é composta por dunas gigantes, lagoas de água doce, muita vegetação também. Então o bug pára e as lagoas convidam a um mergulho. Ora você atravessa de balsa para chegar a outras dunas ora passa com o bug dentro de um braço de mar. É uma aventura e muitas vezes pode acabar atolado o seu transporte! A beleza é indescritível. Difícil elencar as paisagens mais belas - tanto que produzi 300 imagens em pouquíssimos dias. Ah, ali em Jeri há apenas mil habitantes e outros mil invasores (guias locais, comerciantes, sapos, pererecas, entre outros). À noite, apenas as luzes das casas iluminam as ruas. Foi lá que eu e minha parceira de viagem (a Luciana) conhecemos Lorene e Danielle, as meninas do Rio de Janeiro que viajavam a trabalho. Êta trabalho chato! O passeio se tornou mais legal a partir de então, porque só tínhamos encontrado casais em viagem de lua-de-mel. Ninguém merece, né? Ficar observando a felicidade e o romantismo alheios, quando se está solteira, e num paraíso, é muuuuito e eternamente chato. Uma das atrações em Tatajuba é a duna encantada. Dizem, por lá, que há um barco enterrado na duna e que, à noite, alguns o vêem iluminado. Nativos como dona Elmira - uma senhora de 70 anos, dona de uma barraca de coco no caminho para este passeio, conta a história da duna sem ser interrompida. Fala sem respirar, palavra atrás de palavra - e muitas delas a gente não encontra no dicionário. Mas, enfim, ela relatou histórias de assombrações na duna. Fomos até lá, mas ninguém viu vulto algum. Apenas cenários de tirar o fôlego. Fiquem com algumas imagens. Tem mais aqui também. Volto pra contar sobre a Pedra Furada, sobre a segunda impressão de Fortaleza, sobre as coisas que aprendi e desaprendi. Bom domingo!
Lagoa do Paraíso, em Jeri. O nome já diz tudo

Na balsa, percorrendo o trajeto até a Duna Encantada

Caminho surreal para Tatajuba

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