quarta-feira, 23 de julho de 2008

Inventolândia

Catarina acordou às 6h30 com o barulho do seu relógio exótico. Nos pés, colocou o chinelo vassoura e caminhou por toda a casa, varrendo a poeira. Quando chegou ao quintal, pôs na cabeça o boné com teto-solar e os óculos retrovisores. Nesse instante viu o cachorro Kevin latindo insistentemente para uma borboleta. Não pensou duas vezes: buscou a coleira para cão, acoplada com um dispositivo que aciona música no ouvido do animal, fazendo-o relaxar. Durante dez minutos, Catarina ajeitou-se numa cadeira para repousar as cansadas pernas e aproveitar os primeiros raios de sol, enquanto fazia suas orações com o terço eletrônico. Logo em seguida, a cadeira se transformou numa tábua de passar roupas, na qual a mulher ficou horas a fio arrumando os trajes da família.
Preocupada com a filha pequena, Laura, dirigiu-se até o berço e colocou em sua boca a chupeta termômetro para medir a temperatura do bebê. Daqui a dois anos, a dona de casa pretende desenrolar o teclado de borracha, guardado na gaveta, para a primogênita aprender a tocar o instrumento e alegrar a casa.
Embora os personagens acima sejam fictícios, esta não é uma história para ser vislumbrada apenas em 2030. Os objetos inusitados existem e fazem parte da Inventolândia - Museu das Invenções, instalado no bairro Perdizes, em São Paulo. São mais de 500 itens em exposição, mostrando criações de brasileiros ou estrangeiros. Mas nada de Santos Dumont, Thomas Edison ou Marconi. Os protótipos mostrados no museu são obras de pessoas comuns - muitas vezes anônimas na sociedade.
(Por que não misturar jornalismo e literatura? Veja matéria completa de Paula Mestrinel no link abaixo)

Um comentário:

Ƭ. disse...

Parabéns pelo senso jornalístico.

Pelo bom gosto no trabalho com as palavras.

Muito prazer.