Acordei com vontade de dizer bom dia para as letras. Quem se acostuma a escrever todos os dias sente falta das palavras. E como eu falo pouco, a escrita, pra mim, é grande aliada. Diria que é quase uma terapia. Adoro a fina chuva, como esta que me acordou pela manhã. Olhar a água escorrendo pela vidraça é o que há de mais romântico no mundo. Ver a vida escorregando pelo vidro... Toda vez que essa cena me chama a atenção fico estática. Deixo o momento me absorver e renovo minhas energias. Lembro de ter visto os pingos deslizarem pelas janelas do Masp, quando estive lá, e parei tudo o que estava fazendo para observar os fragmentos da vida lá fora, correndo vagarosamente numa avenida agitada. Belo contraste!
Já ouvi dizer que a chuva é a lágrima de Deus, dos céus... Por isso deve ser um momento abençoado para mim. Um fim de tarde com garoa é ainda mais lindo, pois sinaliza a poesia que antecede a escuridão, pincelando o dia com sombras d'água.
As palavras sentem vontade de nascer quando a chuva fina encontra o meu ser. Talvez sejam como sol e lua. Difícil escrever na chuva e talvez por isso elas nunca se cruzem. Mas enquanto a palavra é criada dentro de casa, os pingos anunciam total liberdade de expressão.
Bem-vinda chuva! E obrigada por todas as vezes que me acordou de mansinho, me trazendo novas palavras...
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