Eu a amo, isto é fato. Amo a meu modo. Um jeito diferente de amar, mas amo. Nunca, na vida, escrevi sobre ela e sei que a magoo por isso. Sei também que a filha preferida não sou eu, mas de uns tempos pra cá temos sido cúmplices em muitas coisas. Talvez a doença do meu pai tenha nos aproximado. Nos uniu para uma mesma causa, já que sempre caminhamos para lados opostos. Há tempos não brigamos mais. Se nos desentendemos, entramos logo em acordo. Você sempre foi aquela mãezona que tenta ajudar, mas acaba irritando. Às vezes sou muito mal agradecida, mas reconheço o seu amor aqui dentro de mim. Desculpe te abandonar hoje, no seu dia. Você preferiu ir para a casa da sua mãe, e eu preferi ficar na sua casa. Mas prometo recompensá-la à noite, com um jantar à luz de velas. Será uma aventura: eu, na cozinha [até que saem boas coisas quando estou disposta!]. Estou arquitetando a ocasião e quero que seja tudo muito especial, como um dia de rainha. Ai, meu Deus, tomara que dê tudo certo! Ela merece como nunca esta singela surpresa. E eu também preciso dizer que a amo, sempre amei, desde o dia em que me pôs neste mundão.
Em tempo: nunca escrevi sobre minha mãe porque é a pessoa mais difícil de descrever e temo que não seja a perfeita descrição do que ela representa para mim. É um grande desafio, um enigma, mas um dia vou encará-lo.
Um comentário:
você cozinha?! que inveja. este é um dos muitos dons que eu não tenho, não posso ter e me aprendi a me virar sem... e sobre as mães, elas são os seres mais completos do mundo, um pouco incompreendidas pela psicanálise, e muito menos valorizadas do que merecem. e sobre taiana: sim, ela estagiou no JJ... eu também, um dia, quase trabalhei lá, mas esta é uma outra história...
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