sábado, 26 de outubro de 2013

Pai nosso, que estais no céu...

Um pedaço do meu sorriso morreu ontem. Era o mesmo sorriso que o dele. O mesmo nariz grande. As mesmas pernas finas que eu carrego, ainda fracas. Meu pai falava pouco, mas dizia tanto em seu silêncio...  Dias atrás teve um pesadelo. Levantou de sobressalto da cama, murmurando algo incompreensivo, uma expressão de medo e dor. Acalmou quando me viu ao pé da cama e acariciou meu rosto, meu cabelo. Não sei se ele sabia que eu era a filha, mas eu sentia que, mesmo no casulo do Alzheimer, me amava. Confiava no meu olhar.

Ah, meu pai, você era tão querido por tanta gente. Ontem mesmo, quantos abraços a gente recebeu no seu lugar, enquanto você descansava na sala Ipê Amarelo. Eu ainda tinha esperança, até perto das cinco da tarde, que você iria abrir os olhos e sorrir. Quanto egoísmo querer você por perto, quando você já estava com uma presença divina.

Eu chorei, sim, pai. Fui fraca, fiquei no chão enquanto seu corpo era levado. Mas tantas palavras amigas preencheram meu vazio, amenizaram minha dor... Quantas amigas já passaram por essa mesma angústia de perder um pai e hoje estão aí, fortes e sorrindo, carregando apenas as boas lembranças. As lágrimas secam, o amor fica enraizado aqui dentro. Daqui a pouco é primavera de novo, um sorriso vai brotar cada vez que seu rosto passar por mim.

Só tenho que te agradecer, meu anjo, por ter me ensinado todos esses anos. Deus foi bom demais por permitir nosso encontro durante todo este tempo. Foi você que me ensinou a amar, pai. E esse amor é tão imenso que vaza o peito. Vou lembrar do meu menino todo dia. Meu lindo que me ensinou a amar de duas maneiras, como pai e filho, se é que isso é possível. Meu anjo, olha pela gente! Suas meninas vão erguer a cabeça e espiar atrás das nuvens. Não é à toa que o sol brilhou forte hoje.

Fica bem, meu pai. Me perdoa por alguma coisa. Te amo, te amo, te amo, te amo...



quinta-feira, 17 de outubro de 2013

A minha casa

O varal lá de casa



Na minha casa o varal não é só de roupas
As pessoas não são só de lágrimas
A poesia preenche as rachaduras da parede
A alegria cimenta os tijolos
A dor é envernizada. 

Minha casa tem flores e tem espinhos
Tem alternâncias que escorrem do telhado
Entopem a calha de vida, brotam silêncio e diálogos.

No fim do dia, floresce um jardim de céu escuro sonolento
Semeado com estrelas que nem sempre brilham
Mas iluminam atrás das nuvens as asas dos anjos.

Minha casa tem magias que só a alguns seres enfeitiçam
A base da construção é edificada por amor
E as telhas são de vidro blindado

O quintal é habitado por pétalas e borboletas
O sol forra o chão, as folhas voam
A vida se delineia conforme as curvas do vento
Que ora é brisa ora tempestade ou garoa prateada. 


sábado, 5 de outubro de 2013

Looking for paradise

Alejandro Sanz & Alicia Keys


Sem mais...