domingo, 22 de junho de 2008

Seja você

"...Respeite mesmo o que é ruim em você - respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse seu único meio de viver."
(Clarice Lispector)

sábado, 21 de junho de 2008

Canção para um grande amor

Composição: Isabella Taviani
Mas agora
Deixa o vento te seduzir
Deixa o novo sonho te invadir
E não volte nunca mais aqui pra me esperar
Agora vai
Lança teu destino em outro mar
Não recues nunca pra ancorar
Nunca pra duvidar
Deixa o sol queimar a tua pele
Deixa o céu forrar a tua cama
Deixa amanhecer tua chama, teus desejos
Mas agora vai
Porque há vida em outra dimensão
Porque há paz no outro coração
Por que com a gente não!
Por que com a gente não?
Agora vai
Buscar os novos horizontes
Pousar no colo de outros ombros
Saciar a sede do teu corpo louco
Deixa o sol queimar a tua pele
Deixa o céu forrar a tua cama
Deixa amanhecer tua chama, teus desejos
Vai pra sempre vai
Ser feliz é uma estrada sem fim
Tens a força que eu nunca atingi
Tens a dor mas ainda sei que tens a mim
Deixa o sol queimar a tua pele
Deixa o céu forrar a tua cama
Deixa amanhecer tua chama, teus desejos

Deustino

Eu sabia que um dia nos encontraríamos de novo
E você me envolveria num demorado abraço
Entrelaçando meu corpo e minha alma
Eu sabia que um dia você tocaria meus lábios com os seus
Me deixando sem reação e apenas cedendo às carícias
Sob uma noite de luar que se resvala sobre dois apaixonados
Eu sabia que olharia de novo para mim
E repousaria todo o carinho guardado nos últimos dias
Me fazendo sua por completo
Eu sabia que o destino poria você no meu caminho
Como se fosse uma pena lançada por Deus
Chegando de mansinho aos meus pés
O que eu não sabia é que esse encontro seria tão intenso
A ponto de marcarmos compromisso com a lua
E com outras noites mágicas povoadas de amor
Só pode mesmo ser coisa de Deus
Para colocar você na minha frente
E me mostrar que nada é impossível.
Paula Mestrinel

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Traduzir-se

Uma parte de mim é todo mundo
Outra parte é ninguém,
fundo sem fundo
Uma parte de mim é multidão Outra parte estranheza e solidão Uma parte de mim pesa, pondera Outra parte delira Uma parte de mim almoça e janta Outra parte se espanta Uma parte de mim é permanente Outra parte se sabe de repente Uma parte de mim é só vertigem Outra parte linguagem Traduzir uma parte na outra parte Que é uma questão de vida e morte Será arte ? (Ferreira Gullar)

Canção de outono

Perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.
De que serviu tecer flores
pelas areias do chão, se havia gente
dormindo sobre o próprio coração?
E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando àqueles
que não se levantarão...
Tu és a folha de outono voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...
(Cecília Meireles)

domingo, 8 de junho de 2008

A espera

Esperar é sentir um aperto no coração
Um cansaço sentimental que dilacera a mente
Angustia a alma e provoca enjôo nas vísceras
Esperar é transbordar a esperança falida
Exalar cheiro de solidão pelos poros
E absorver qualquer rastro de felicidade
Esperar é a insanidade mais enferma
É o sacrifício mais temido do ser humano
E a proposta menos louvável
Decidir esperar é parar diante de um precipício
E pensar em duas opções: abrir asas e voar
Ou saltar para assassinar a espera
Às vezes não é dada nenhuma alternativa
E a gente simplesmente espera
Que um dia o vazio seja preenchido
Paula Mestrinel

Preciosidade

É encontrar alguém que tenha objetivo
Que queira transcender os dias tristes
E esteja disposto a aceitar um amor infinito
Preciosidade é notar pessoas especiais
Identificando os pares da vida
Que muitas vezes passam por ela separados
É estar no meio da multidão
Olhar para todos os que enxergam o horizonte
E vislumbrar que o amor não está ali
Preciosidade é encontrar uma única pessoa
Que tenha poucas coisas essenciais
Mas o suficiente para encarar um grande amor
Paula Mestrinel

domingo, 1 de junho de 2008

Abraço mudo

O céu estava pálido e cobria a rua com uma atmosfera de nostalgia. Os carros percorriam a avenida e pareciam cobertos de uma espessa camada de gelo. Gélidos também estavam os motoristas, camuflados através dos vidros com película escura. Embora o vaivém de veículos fosse constante, me sentia sozinha. Os garotos saíam da escola e formavam fileiras na ladeira, como se fossem formiguinhas rumo ao lar. No caminho inverso, uma jovem sozinha, de mochila nas costas, andava sem preocupação, mantendo o olhar fixo numa só direção. Segui o olhar dessa menina de uns 14 ou 15 anos e avistei um garoto, também sozinho, que ia pelo mesmo caminho, ao encontro dela. Quando se aproximaram, entrelaçaram-se os braços num fraterno abraço, demorado, porém mudo. Nenhuma palavra foi pronunciada, nem 'oi' ou 'tchau'. Os corpos se distanciaram e cada um seguiu o seu caminho, até que a jovem olhou para trás, em busca do olhar do rapaz, que seguia de costas com nítida naturalidade. O carinho com o qual se envolveram naquele abraço chamou minha atenção. A expressão de ambos realmente não exigia palavras. O abraço exalava sentimentos, depositando no movimento pálido daquela rua um rastro de amor e carinho. Essa cena nunca saiu de minha cabeça. Me senti como a garota, em busca de algo mais. Aquele abraço, tenho certeza, não foi apenas um simples gesto de cumprimento. Ali certamente o destino escreveu um caso de amor, quiçá platônico ou incompleto. Talvez o destino tenha esquecido de redigir palavras naquele momento para formar um diálogo entre os jovens. Mas, talvez, a mudez tenha sido mais comunicativa do que nunca.
Paula Mestrinel