quarta-feira, 28 de abril de 2010

Elas sempre souberam

Qual de nós foi buscar o que já viu partir, quis gritar, mas segurou a voz, quis chorar, mas conseguiu sorrir? Quem eu sou pra querer entender o amor? (Jorge Vercillo)

Ninguém tira da gente uma imagem, uma emoção, uma viagem. Se os olhos dela fotografassem, eles teriam clicado a imagem do rapaz de olhos da cor do mar, cabelos castanhos e pele muito clara sentado na mesa do café da manhã. Um cenário mágico. Um personagem de livros de contos de fadas. Apenas uma palavra trocaram: "Hi". E vários olhares. Depois, "Bye, bye". Podia ser o homem da vida dela, sentado naquela mesa, em frente ao mar azul. Podia... Era como um Deus grego [ou americano] servindo-se do café da manhã, saboreando os minutos do dia que teria pela frente, da saúde que transbordava em si. 

Quantas vezes as pessoas perdem uma oportunidade e nunca esquecem o que deixaram passar. O homem dos sonhos ficou pra trás. E pior, sentado. Mas a mulher que respondeu aquele "Hi" anda vivendo intensamente, sem colecionar arrependimentos, nem culpa. Na linguagem popular, dá com a cara no poste, mas levanta, se recupera! E chega à conclusão de que é melhor se decepcionar e arriscar, do que ficar no lugar sem fazer nada. Aprende. Aprende e aprende. E mais uma vez aprende.

Agora mesmo, ele, outro homem que não chega aos pés do Deus grego, está lá no lado obscuro do mundo virtual, no msn. Ela, invisível. Como sempre. Os dedos querem traí-la e perguntar como ele está. Mas ela sabe que se ele quisesse, ele ligaria, a pegaria em casa, passariam a noite juntos. Não, ela não teclará. É mulher forte, sensata, tem limites [quase sempre]. Ele? Não vale a pena, embora tenha qualidades. O detalhe importante: não gosta dela. É só um passatempo. Ele e ela.

Depois dos 30, ou um pouco antes disso, elas crescem. Sabem o que querem e principalmente o que não querem. Às vezes duvidam da própria sorte. Lamentam, ficam inseguras. Mas é passageiro. No fundo, as mulheres sempre souberam com antecedência os momentos em que iriam sofrer, chorar ou debruçar sobre o horizonte da janela pra rir da vida, rir de felicidade. Ah, sempre souberam! E, felizmente, arriscam rir ou derramar lágrimas.É o fio da vida correndo pelas veias. É um oceano de gente tentando encontrar terra, tentando colocar os pés no chão. Deus grego não existe, muito menos mulher perfeita.

Exemplo de casal que [infelizmente] não nasceu um para o outro, Paula e Daniel
Brotas, 20/04/2010.   Foto: Dawis Villar

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Top Blog 2010


Mais uma vez fomos indicados. Obrigada meu pequeno grupo de leitores!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

A mentira

A história começa assim: Lúcia, 14 anos, é a filha mais nova de dr. Maciel e de dona Ana, pais de outras três  mulheres, casadas. A menor, pura, é adorada. Desperta ciúme entre as irmãs e seus pais a glorificam. Um belo dia, a menina-criança-quase-mulher desmaia. Vai ao médico. "Vai ter neném!", diz o especialista. Lúcia não tinha namorado nem amor por ninguém. Começa a suspeita de que alguém, dentro de casa, seria o pai da criança. As irmãs desconfiam dos maridos. A família apodrece. As irmãs, segundo dr. Maciel, são umas cretinas. Lúcia não sabe quem é o pai. Mas é perdoada, poupada. Até dona Ana revelar que Lúcia não é filha de dr. Maciel, mas as cretinas, sim. Está formada a algazarra de Nelson Rodrigues na obra "A Mentira", que acabei de ler. Excelente! Boa dica pra quem quiser se divertir. Dá pra ler num suspiro as 136 páginas de surpresa, de entretenimento e tragédia também. Afinal, Nelson Rodrigues é trágico até quando faz rir. Ou faz rir para ser trágico? Bom, o lance é descobrir qual é a mentira, muito bem contada pelo escritor. 

"Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou e sempre fui um anjo pornográfico" [Nelson Rodrigues]

Nelson Rodrigues (1912-1980)

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Nietzche chorou e Scarlet amou

"A vida jamais deveria ser modificada ou esmagada devido à promessa de outro tipo de vida futura. O imortal é esta vida, este momento" [Friedrich Nietzche]

Quando ele chorou, a cortina do mundo se abriu e, obviamente, a visão foi descortinada. Essa é a minha singela leitura do filme "Quando Nietzche chorou", baseado no livro de Irvin D. Yalom. Quando eu decidi [após ouvir dois conselhos], minhas dúvidas se dissolveram num pote de mel. A entrega é melhor que a dúvida. Sem dúvida. Sem culpa. E só quem me aconselhou saberá quão louca foi a minha decisão.

Adorei o filme, a fotografia, a trilha sonora, o desespero, o amor, a fisolofia. Friedrich Nitzche, Sigmund Freud, Breuer... Três homens em busca de respostas. Três corações masculinos tentando entender o universo que nos traz sombras. Eu, neste momento, interpreto a mulher em busca da poesia do cinema. Apenas.

Se Nietzche chorou pelo mesmo motivo que um dia todos choram, Scarlet O'Hara, em "E o Vento Levou" [produção que eu ainda não tinha visto até essas férias], lutou pela vida até o fim. Amou, se entregou, embora tenha direcionado o amor à pessoa errada na maior parte do tempo. Mas amou. Também chorou, sofreu e não se sabe até agora se recuperou o verdadeiro amor. Sinceramente, Scarlet me irritou nas profundezas da alma. Não enxerguei poesia nela. Mas sim, na produção espetacular. Um pouco extensa demais para meu gosto. Pouco mais de quatro horas de sofrimento...

Mas hei de reconhecer que Scarlet O'Hara foi o símbolo de luta feminina numa época em que a mullher não tinha voz. Talvez seu erro tenha sido amar demais. Estranho dizer isso. Mas ela amou exageradamente. E mais estranho: não perdeu o foco. Seguiu persistente. Se valeu a pena? Aí precisaríamos recorrer a Freud para uma reflexão equilibrada.

Ainda ouço uma das minhas almas sussurrando lá dentro do meu abismo a trilha sonora de "E o vento levou"... E a nostalgia de 1939, quando foi lançada a produção, me envolvendo por inteira. Meus pais nem tinham nascido. Não havia nem projeto nem semente de vida para esta blogueira. Taí, nasceu na década de 70 e adentrou a blogosfera com o virar do milênio. Ah, meus pais não imaginavam uma vida dessa pra mim... Uma diversão que eu, sinceramente, aprecio sem moderação. Nunca pensei um dia dizer "quando crescer quero ser blogueira". Mas confesso: gosto disso porque deixo escapar minha loucura. Minha falta de sentido. Sem me importar com o que os outros vão dizer. Vão pensar. Deixo apenas o ar evadir por aqui... Sem nenhuma poluição.

domingo, 18 de abril de 2010

Borboletas na barriga

Um dia quero acordar nos teus braços
Me sentindo uma rainha sem coroa
Sem vestido costurado com fios de ouro
Quero repousar o olhar num raio de luz
E sentir que aquele é o grande dia da minha vida
Um dia vou acordar ao teu lado
Sentir que é o meu anjo, minha proteção
Vou dizer baixinho ao ar:
Nunca estive tão feliz!
Neste dia vou saber que a felicidade existe
Que há alguém que me completa
Que preenche o vazio e dá asas
Às borboletas na barriga
Vou flutuar com elas pelo infinito
E gritar aos quatro cantos
Que o presente é o maior presente

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Indicação musical


"Vejo flores no deserto / Homens buscando o certo / Labirintos, fontes do pecado / Mapas que me levam ao passado / Reações impensadas / Mentes alienadas / Sentimentos presos sem saída / Momentos de eternas despedidas"

*****

Andei ouvindo Banda Vega hoje. E gostei. Já tinha ouvido falar, mas não conhecia o trabalho. Fiquei surpresa ao conhecer duas músicas do grupo. Recomendo "Vejo flores no deserto", mais  "Incondicionalmente" (voz e piano, linda!) e "Vozes de uma dor". La dolce voz de Claudia Gomez encanta. Dica musical para o fim de semana que, mais uma vez, chegou.

Beijos com notas musicais...


quarta-feira, 14 de abril de 2010

Cats - O Musical



Que belezinha! É por isso que eu gosto desses bichanos...

O mundo tá mudado ou eu parei no tempo


Eu estava lembrando esses dias das baboseiras que as mães diziam pra gente quando éramos crianças. Aquelas coisas do tipo "não pode comer e ir em frente ao espelho porque vira o rosto", "nem pensar em fazer uma refeição e ir tomar banho", "chinelos virados dão azar ou significam que a mãe vai morrer"... E por aí afora. Alguém lembra mais? Minha memória também está de férias...

Pois, veja bem. Como seriam as mães de hoje em dia? Recomendam aos filhos que não comam e em seguida fiquem em frente ao computador? Pedem para as crianças não passarem debaixo de uma escada (outra coisa que considero baboseira)? Não deixam o filho viajar sozinho num avião??? Gente, no último dia 8, um garoto de no máximo 5 anos viajou sozinho de Cancun à Cidade do México (2 horas de voo). Eu disse sozinho.

Como pode uma coisa dessas? Será que no Brasil crianças tão pequenas viajam sozinhas também? Achei um absurdo. Colocaram el niño sentadinho com seu bicho de pelúcia na poltrona conosco e logo o garoto despencou no colo da minha amiga. Dormiu o tempo inteiro. Ao chegar no aeroporto, lá estava a mãe do Arthur. Não tinha mais de 25 anos. Provavelmente o pai mora em Cancun e ela na Cidade do México. Mesmo assim, alguém deixaria seu filho sob os cuidados de comissários de bordo??? Eu, que nem gosto muito de criança, não permitiria.

Hoje tá tudo mudado mesmo. As pessoas [e eu também] cantam bad romance, como se quisessem um pra si; se oferecem como se fossem mercadorias... Engraçada a visão que as pessoas têm das brasileiras no México. Um californiano se ofereceu na cara dura pra dormir comigo e com minha amiga. Embora ele falasse mais inglês do que espanhol, nós entendemos direitinho o que ele queria, em menos de cinco minutos de conversa, ou blá-blá-blá. "No necessitan de chico???" Se ele tivesse sido o único a se oferecer, tudo bem. Mas o assédio às brasileiras é meio exagerado.

Onde esse mundo vai parar? Onde o Brasil foi se meter? [um verbo um tanto quanto sensual... Troca isso, blogueira!] Onde o Brasil arrumou essa imagem?

P.S.: Hoje é niver da minha mamãe, que sempre dizia aquelas baboseiras para as duas filhas. E não me esqueci pra ter cuidado com a mulher dos pacotes [lenda jundiaense], a loira do banheiro, o homem do saco, o bicho papão... Enfim, sobrevivi pra contar tudo isso. Feliz aniversário, flor do dia!

domingo, 11 de abril de 2010

Dali não ousou. De cá, ousei comprar uma mala grande

"Ao te refletir, um espelho em si vira quadro ou vira arte. Salvador Dali não ousou imaginar-te". A brisa vem beijar o corpo dourado, a areia atravessa ligeira as pernas, o mar se despeja em azul. Não, Jorge Vercillo, Salvador Dali não ousou imaginar a beleza de Cancún. Talvez tenha lhe escapado este pedaço do paraíso. Mas eu, que estive em solo mexicano, frente à moldura do oceano, digo às profundezas de teu túmulo que é um dos lugares mais esplêndidos do planeta. Leve, como ar. Mar, como o céu. Horizonte, como uma de tuas telas surrealistas. Teria feito a escultura das gaivotas, quiçá do pelicano, que desliza as asas sobre o mar do Caribe. Não terias dificuldade para expressar-se, caro espanhol, que deixaste a vida em 1989, aos 84 anos. Que desperdício não ter repousado teu talento em cenários mexicanos! Não ousaste imaginar como as brasileiras são admiradas na América Central. A beleza ímpar delas teria lhe inspirado a pintar a silhueta feminina no México. A persistência da memória não seria tua obra mais conhecida, embora ela lembre o tempo morto, deitado, relaxado, com ponteiros estáticos. É assim também o tempo em Cancún. Um pit stop de uma semana seria suficiente para revigorá-lo e levá-lo para junto dos pincéis, one more time. Terias de ter um estoque de azul em seu ateliê. Um espelho de sua obra viraria quadro, viraria arte. Ah, quem dera tivesse ousado imaginar!

A persistência da memória, de Salvador Dali

Cancún, by myself    [Mais fotos, aqui]

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Chegando...


Difícil voltar para casa depois de encarar o mar do Caribe...
Difícil escrever depois de uma semana longe de tudo...
Difícil falar espanhol, inglês e português ao mesmo tempo... 
Difícil esquecer um lugar tão lindo, tão espetacular!
Estou de volta, mas ainda não por inteira.