"Ler sem pensar é como passear por belas paisagens com os olhos vendados. Tampouco devemos ler para esquecer-nos a nós e à nossa vida cotidiana, mas, ao contrário, para reassumirmos em nossas mãos firmes e da maneira mais consciente e madura a nossa própria existência. Devemos ir aos livros não como alunos tímidos que temessem aproximar-se de mestres frios e indiferentes; não como os ociosos que passam o tempo a beber. Mas sim como alpinistas a galgar alturas, como guerreiros que acorrem ao quartel para buscar armas"
[Hermann Hesse, um cara que já me convidou a ser alpinista]
Me sinto magra. Por dentro e por fora. Por dentro é pior. Por fora, sempre fui magricela. Já não me importo tanto. Mas ando cada vez menor, em vários sentidos. O físico reduz conforme os anos passam. Perco massa corporal. Perco meus jeans prediletos. Vejo que minha mãe tem razão.
"Pare de comprar calças e engorde, menina". Se fosse fácil assim... Fácil, pra mim, é emagrecer. Eu sei, vou na contramão de qualquer teoria.
Tento ler pra ficar maior, inchar o cérebro. Tento escrever pra me libertar. E emagreço, pois as palavras saem de dentro, cavam um vazio profundo. Nada me preenche nos últimos dias. Hermann Hesse, escritor alemão, autor de "O Lobo da Estepe" [meio doido, mas recomendo], talvez enxergue esta leitora de olhos vendados. Passeio por paisagens, mas não me fixo a elas. "I am lost", é o que mais digo na aula de inglês.
Clarice bem proseava, "posso ser leve como a brisa ou forte como uma ventania, depende de quando e como você me vê passar". Hoje me sinto mais leve que a brisa. Minha alma flutua. Tenho a certeza de que não sou como os outros me veem. Ninguém é. Outro dia li algo interessante. "O que os outros pensam de você?" O texto provava, por A + B, e até Z, que você nunca é exatamente o que os outros acham que você é. Assustador. Mas concordo.
Nem sempre acho que a minha gata, Sophia, é uma gata. Na maioria das vezes, parece que nasceu borboleta. Já meu gato, Said, que nasceu cor de rosa e depois ficou branco por inteiro, penso várias coisas sobre ele. Ainda não cheguei a uma definição. Acho que nem ele sabe que é um gato.
A conclusão mais coerente [?] que chego desse texto sem pé nem cabeça é que
ando tão fora do corpo, que às vezes não me encaixo. Preciso engordar. Em vários sentidos.