domingo, 24 de junho de 2012

Voz nova no pedaço

Conheci Lana Del Rey há pouco tempo. Meu amigo Santiago me apresentou pra essa voz, que ainda não é a voz do meu travesseiro, mas é muito agradável aos ouvidos. "Blue Jeans", "Video Games" e "Born To Die" são as minhas preferidas. Difícil eleger a que mais gosto. Fica a dica pra ouvir Lana, essa moça de 26 anos, norte-americana, que está estreando nos palcos. Em janeiro deste ano lançou seu primeiro disco, "Born To Die".

Só uma curiosidade. O nome dela é Elizabeth Woolridge Grant. Já o nome artístico é uma combinação de Lana Turner com o carro Ford Del Rey [meu pai teve um!]. E chega de blá-blá-blá. Deixa Lana cantar.


 Born To Die


Video Games

Em busca de um chifre



A louca de sempre me ligou durante o trabalho. E veio com uma pergunta indiscreta:
_ Amiga, vou falar rapidinho pra não te atrapalhar. Você ainda tem aquele chifre?
_ Hã? Qual deles? (risos)
_ Ah, os atuais eu não sei... Mas aquele que você usou numa festa à fantasia. Tem?
_ Nossa, você desenterrou essa fantasia... Nem sei se ainda tenho.
_ E você acha que eu ia esquecer que você se vestiu de diabinha?
_ É... acho que não. Foi divertido. Talvez eu tenha só o tridente.
_ Mas eu tô precisando de um chifre.
_ Tá, vou procurar. Depois te falo.
_ E o apê, como vai?
_ Já comprei quatro panelas. Faltam os móveis.
_ Que bom, morrer de fome, nem pensar, né?
_ Procura o chifre pra mim?
_ Procuro. [eu procurando chifre, nunca passei por uma situação dessas...]

_ Rosa, tudo bem?
_ Não achei o chifre. Só o tridente. Serve?
_ Não. 
_ Pra que raios você precisa de um chifre, mulher? 
_ É pra um teatro dos meus alunos na escola.  
_ E você, enquanto professora, tá incentivando a usar chifre?
_ É...
_ Jesus!

domingo, 10 de junho de 2012

A vida é bela?

O filme de Benigni ia começar. Antes, um aviso. Seria exibido em português. Pensei com os meus botões: Puxa vida, não vai ter a mesma graça se não ouvir "buongiorno principessa!". Então veio a justificativa. A Carol é deficiente visual. Caramba, não imaginei que ela não enxergava. Moça bonita. Loira, alta, elegante.

Tentei, a partir de então, apenas "ouvir" o filme, como faria a Carol. Nossa, quantos detalhes passariam em branco. Todas as piscadinhas do pai para o filho. Todos os sorrisos e gestos. A dança com a principessa, o olhar apaixonado de um encontro... Todas as imagens da guerra. Todo o sofrimento no rosto das pessoas. Puxa, Carol, quantas coisas você não viu! Ou quantas coisas diferentes deve ter criado em sua mente!

Pela primeira vez na vida tive vontade de ser uma legenda que falasse aos ouvidos da Carol. Talvez ela me achasse "mala", vai saber. Talvez ela tenha "sentido" o filme com os olhos do coração e, quem sabe, tenha percebido mais coisas que as outras pessoas. Se ela estava lá para "ver" o filme é porque, com certeza, já está acostumada a essa experiência.

Fiquei em silêncio. Carol estava sentada à minha frente. Sozinha. Ao final do filme, não teceu qualquer comentário, diferente das outras pessoas que quiseram discutir algumas cenas e enveredar por um olhar psicanalítico [sobre as guerras e conflitos que todos os dias travamos conosco]. Ninguém perguntou o que a Carol achou. Eu, que nunca havia visto a moça antes, fiquei com vontade de perguntar. Mas a oportunidade passou e a Carol se foi. Minha curiosidade ficou. E a sensação de impotência, também.

Ficou o aprendizado de tentar apenas ouvir um filme. Sempre fui muito "visual". Decoro com  facilidade números, frases e nomes se os vejo escrito em algum lugar. Não ver as imagens de um filme, para mim, é  como não entender boa parte da história. Apenas a música fica. Taí um exercício. Preciso ouvir mais. Coisas interessantes devem sair da imaginação.

Queria mesmo ter ouvido a Carol... Suas percepções sobre o filme... Sobre a vida, que nem sempre é bela.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Não sou como você me vê

"Ler sem pensar é como passear por belas paisagens com os olhos vendados. Tampouco devemos ler para esquecer-nos a nós e à nossa vida cotidiana, mas, ao contrário, para reassumirmos em nossas mãos firmes e da maneira mais consciente e madura a nossa própria existência. Devemos ir aos livros não como alunos tímidos que temessem aproximar-se de mestres frios e indiferentes; não como os ociosos que passam o tempo a beber. Mas sim como alpinistas a galgar alturas, como guerreiros que acorrem ao quartel para buscar armas"

[Hermann Hesse, um cara que já me convidou a ser alpinista]
Me sinto magra. Por dentro e por fora. Por dentro é pior. Por fora, sempre fui magricela. Já não me importo tanto. Mas ando cada vez menor, em vários sentidos. O físico reduz conforme os anos passam. Perco massa corporal. Perco meus jeans prediletos. Vejo que minha mãe tem razão. "Pare de comprar calças e engorde, menina". Se fosse fácil assim... Fácil, pra mim, é emagrecer. Eu sei, vou na contramão de qualquer teoria.  

Tento ler pra ficar maior, inchar o cérebro. Tento escrever pra me libertar. E emagreço, pois as palavras saem de dentro, cavam um vazio profundo. Nada me preenche nos últimos dias. Hermann Hesse, escritor alemão, autor de "O Lobo da Estepe" [meio doido, mas recomendo], talvez enxergue esta leitora de olhos vendados. Passeio por paisagens, mas não me fixo a elas. "I am lost", é o que mais digo na aula de inglês.

Clarice bem proseava, "posso ser leve como a brisa ou forte como uma ventania, depende de quando e como você me vê passar". Hoje me sinto mais leve que a brisa. Minha alma flutua. Tenho a certeza de que não sou como os outros me veem. Ninguém é. Outro dia li algo interessante. "O que os outros pensam de você?" O texto provava, por A + B, e até Z, que você nunca é exatamente o que os outros acham que você é. Assustador. Mas concordo.

Nem sempre acho que a minha gata, Sophia, é uma gata. Na maioria das vezes, parece que nasceu borboleta. Já meu gato, Said, que nasceu cor de rosa e depois ficou branco por inteiro, penso várias coisas sobre ele. Ainda não cheguei a uma definição. Acho que nem ele sabe que é um gato.

A conclusão mais coerente [?] que chego desse texto sem pé nem cabeça é que ando tão fora do corpo, que às vezes não me encaixo. Preciso engordar. Em vários sentidos.